Waly Salomão

26 Poetas Hoje | download

Atualizado em 9 de janeiro | 2:49 PM

A antologia 26 Poetas Hoje marcou época ao apresentar a poesia marginal, trazendo, em plena vigência da censura, o testemunho da geração AI5 e sua dicção coloquial, irreverente e bem humorada. Uma obra clássica para os interessados em poesia contemporânea, agora revista e já em terceira edição. Participam desta edição Ana Cristina César, Torquato Neto, Geraldo Carneiro, Waly Salomão, Chacal, Bernardo Vilhena, Capinan, entre outros.

26 Poetas Hoje (Aeroplano, 2007, 6. ed.)

ISBN: 85-86579-04-2
Formato: 11,5 x 18 cm
Número de páginas: 272

 

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Apresentação da 2. edição

Esta antologia é certamente datada. Nesta segunda edição, 22 anos depois, procurei evitar qualquer alteração em sua forma original, atendo-me apenas à atualização biobibliográfica das notas finais sobre os autores nela reunidos.

Esse movimento quase institivo de “tombar” a atmosfera política e cultural daquele momento no qual esse trabalho foi realizado, coloca também como pouco atraente a idéia de escrever uma nova introdução. Deixo apenas aqui resgistrada um pouco da história e do contexto de realização desse trabalho.

Estávamos no início da década de 70, um momento no qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado.

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Entrevista com Waly Salomão

Atualizado em 15 de setembro | 12:03 PM

Por Heloisa Buarque de Hollanda

O poeta Waly Salomão é o novo Secretário Nacional do Livro integrando a nova equipe do Ministério da Cultura. Waly integra a nova equipe do Ministério da Cultura que tomou posse cantando, sugerindo uma gestão promissora pautada pelo sonho, pela catimba e pela bandeira da Imaginação no Poder.

HBH: Que você é poeta polivalente, radical e premiado eu já sei. O que me interessa agora descobrir é o Waly político, executivo, que acaba de assumir a Secretaria Nacional do Livro. Como esse personagem é muito novo para mim, vou com calma e pergunto primeiro: qual é a posição efetiva do livro e da leitura na sua vida?

WALY: Desde que me entendo por gente, o livro tem uma posição central, como se fosse um ícone dentro da casa. Ainda bem menino, me lembro de minha mãe discutindo com meus irmãos e irmãs mais velhos os dois volumes, daquela velha edição da Ed. Globo do Rio Grande do Sul, de Guerra e Paz de Tolstoi. Eles discutiam a trama dos livros e seus personagens, como se estivessem discutindo uma novela mexicana. Ana Karenina, por exemplo, era centro de conversa como se ela fosse uma personagem da Glória Perez.

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O destino dos bons rios

Atualizado em 15 de setembro | 12:00 PM

Publicado originalmente por Heloisa Buarque de Hollanda, no Caderno B, do Jornal do Brasil, em  14/05/1983.

 

A literatura (e a cultura) de resistência dos anos 70 — nossas barricadas do desejo — por volta de 1978, começa progressivamente a evidenciar uma saudável e altamente desejável tendência à “desburocratização” no que diz respeito a suas palavras de ordem e estratégias. A conquista de mercado (e a conseqüente dissolução de guetos), o desejo do diálogo amplo e irrestrito e a valorização da qualidade técnica e artística dos produtos são sintomas de um remanejamento visível no campo da produção cultural que empunhou a bandeira da contracultura e dos circuitos alternativos no período pré-abertura. Isso, entretanto, não significa que a produção independente ou marginal tenha desaparecido. A proliferação de grupos, autores e cooperativas neste sentido demonstram o contrário. Mas é importante ressaltar que a poesia marginal de hoje não se identifica com aquela que se firmou no início da década passada, marcada a ferro e fogo pela conjuntura político-social do momento e pela inquietação dos movimentos contestatários jovens e internacionais.

Retomando as sugestões da ideologia vitalista do começo do século, e mesmo radicalizando-as, os movimentos undergrounds que se definiram, no Brasil, na virada dos 60 para os 70, faziam explodir no discurso do comportamento e da produção cultural — ao som do rock e da granada — a guerrilha contra a cultura dominante em suas formas legitimadas de poder e do saber.

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Entrevista com Lauro Cavalcanti – Tudo é Brasil

Atualizado em 15 de setembro | 11:39 AM

Poesia no Museu

Por Heloísa Buarque de Hollanda

Heloisa – Para mim é um sonho a abertura dos Museus para a exposição da poesia. A poesia, mesmo a mais discursiva, sempre teve um encantamento para ser olhado, compartilhado, que raramente é explorado enquanto tal. Imagino que a possibilidade de ser mostrada em grandes espaços públicos vá estimular um campo de experimentação poética fascinante.

LC – Sem dúvida. Mas por outro lado, as vertentes mais visuais da poesia brasileira como os concretos e neoconcretos influenciaram claramente os artistas mais interessantes de hoje, como Lenora de Barros, Arnaldo Antunes e tantos outros.

HB – A obra do Gullar, a grande estrela da sala de poesia da exposição Tudo é Brasil do Paço Imperial, mostra também que da poesia visual para a obra de arte strito sensu, como o desenho e a pintura, é um pequeno passo.

LC – Eu estou certo que, de alguma maneira, os poemas visuais de
Gullar, além de extraordinários, mostram como esse tipo de poeisa foi uma espécie de balão de ensaio das artes plásticas de um período.

HB – Você tem exemplos disso antes do concretismo?

LC – Não exatamente na área da poesia. Mas vou dar um exemplo parecido no Modernismo.

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O declínio do efeito “Cidade Partida”

Atualizado em 11 de setembro | 7:08 PM

Publicado originalmente na Revista Carioquice, n. 1, ano I, em abr/mai/jun de 2004.


“O funk carioca é a atitude de soltar o corpo ao escracho, reinventar o ridículo para transformá-lo em estilo, conforme um texto quase manifesto que defende a sua índole libertária”

Foi admirando o Paço Imperial, visto da perspectiva da Praça XV, que me veio à cabeça um dado precioso para a compreensão do perfil cultural do Rio de Janeiro. Se hoje, o Paço é um centro cultural ativo, contemporâneo e, sobretudo, múltiplo, houve um dia que, deixando de ser a Casa dos Governadores, foi transformado, às pressas, no Paço Real tornando-se o cenário de um fato tão anacrônico como significativo. Foi no Paço que se instalou, em estado de emergência, D. João VI, a família real e aproximadamente 18 mil pessoas entre empregados e membros da corte portuguesa. Ou seja: num momento em que as colônias portuguesas e espanholas exercitavam seu direito de rebelião e conflito contra o jugo dos colonizadores europeus, no Rio de Janeiro em plena Praça XV, oferecíamos abrigo à corte portuguesa que chegava às pressas, fugida, pedindo asilo a seus súditos, formatando na comunidade local estranhos sistemas de hierarquia e de articulação entre culturas, valores e poderes.

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