tecnologia

A cultura na era digital

Atualizado em 29 de setembro | 7:09 PM

‘A periferia usa o blog para divulgação intensiva porque precisa de uma visibilidade urgente’, diz Heloísa Buarque de Hollanda

29/09/2009

Heloísa Buarque de Hollanda é um nome importante do Brasil na área cultural. Além de ser escritora, editora e pesquisadora da área literária, a pós-doutora em sociologia realiza estudos nas áreas de cultura digital. Heloísa, de tempos em tempos, costuma revelar poetas e talentos literários em livros organizados por ela. Nos anos 70, foi a antologia ‘26 Poetas Hoje’. Depois, foi a vez de ‘Esses Poetas – Uma Antologia dos Anos 90′, e agora em ‘Enter – Antologia Digital’ , que apresenta as diferentes formas de literatura que têm sido feita na e com a internet. Heloísa é uma grande entusiasta do universo digital e acredita que as classes mais pobres são beneficiadas com a rede, pois podem ser ouvidas pela primeira vez na história por outras camadas da sociedade. Heloísa mantém seu site pessoal, em que é possível acompanhar seu trabalho e outras novidades do universo literário. A escritora foi nossa décima primeira entrevistada.

“Eu acho que [as mudanças promovidas pelas ferramentas digitais] são positivas. Como os equipamentos ficaram mais baratos, então qualquer um pode ser produtor de conteúdo.

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Quem tem medo da tecnologia?

Atualizado em 10 de setembro | 7:04 PM

O tom apocalíptico diante do aparecimento de novas tecnologias tem sido, até agora, praticamente inevitável. Não seria muito diferente com a chegada definitiva da cultura digital e da comunicação virtual entre nós.

Provavelmente é por isso que a agenda atual da maioria absoluta de nossos encontros acadêmicos ou eventos culturais venha incluindo, de forma praticamente obrigatória, temas e questões sobre as possíveis conseqüências fatais do sucesso de edições on-line, do advento dos non-books ou publicações digitais, de novos hardwares como os e-books e do acelerado desenvolvimento do comércio eletrônico. Qual seria, nesse novíssimo quadro, o futuro da produção editorial impressa e do mercado livreiro presencial? E, sobretudo, quais as reais perspectivas do risco aí implicado: o fim da criação literária, do prazer da leitura linear tradicional, e, com eles, o dramático fim da cultura do livro.

Realmente, a agilidade da circulação dos produtos culturais hospedados na rede, ao lado de gêneros literários que começam a desafiar a “leitura sustentável” como no caso da hiperficção, são temas que oferecem uma pauta infinita para os críticos de cultura e os profissionais do livro.

Do ponto de vista prático ou apenas material, esse temor não parece justificar-se de imediato. Uma observação, mesmo apressada e superficial, do processo que liga a criação ao consumo literário, vai identificar o atual sistema de distribuição do livro como sendo a  caixa preta do mercado do livro.

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Jornal O Povo

Atualizado em 18 de agosto | 5:42 PM

Novembro de 2008

– As tecnologias digitais de fato estão colocando cultura/arte nas mãos de mais brasileiros? 

R: Claro que estão. E o que é mais animador é o papel que as lan houses estão desempenhando nisso especialmente nas favelas e periferias das cidades. 49% dos acessos hoje são feitos em lan houses, o que termina por abrir chance para aquelas populações de baixa renda que assim ganham um espaço importante de integração ao universo da web. 

– Até que ponto a cultura digital revoluciona a produção, a transmissão e o acesso aos bens culturais? 

R: Acho que aqui temos que ter algum cuidado. Não me parece que a cultura digital “revolucione” a criação. O que interessa, entretanto é a circulação de cultural que essa sim pode ter um papel revolucionário na democratização da cultura. 

– Muitos museus têm aberto seus acervos com visitas virtuais. Editoras têm disponibilizado capítulos de seus livros na Internet, assim como gravadoras também fazem o mesmo com faixas de um novo CD. O que essas aberturas representam para a disseminação/consumo dos produtos culturais? 

R: Elas são  cerne da diferença atual da produção cultural neste novo século. E é ainda um processo relativamente desconhecido dos produtores. Ainda sito uma certa hesitação das editoras e das instituições que detêm acervos importantes em disponibilizar de maneira mais radical seus produtos.

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Revista Cultura e Pensamento 2007

Atualizado em 18 de agosto | 4:17 PM

P – Como surgiu a idéia da exposição “Blooks”?

 

A idéia do Blooks veio de uma certa  desconfiança e mesmo intolerância da critica literária com a produção e com a linguagem desenvolvida na internet.  Eu acredito sempre que as novas formas  culturais estão  fermentando e sendo gestadas nas margens do mercado cultural  tradicional. Por isso fiz minha tese sobre a poesia marginal dos anos 70, depois me apliquei na produção cultural da mulheres e dos negros  e mais recentemente das perspectivas  que apontam tanto  no território das novas tecnologias quando nas vozes ácidas e cheias de marra que estão chegando com força total vindas das periferias. Fui então ver com mais cuidado e sem pressupostos formados a literatura da web. Surpresa total. O grau de criatividade, possibilidades abertas para a experimentação da linguagem, a vizinhança com outras mídias que se cruzam e, principalmente, se contaminam de fora recorrente na www abre um espaço de criação novo para a literatura que esta nunca conheceu antes. Acho incrível certas reações contrárias que vêem esses fenômenos como  desaprendizado, como corrupção da língua , da norma  culta. Pode ser até que os blogs mais pessoais tenham inventado seu dialeto próprio o  que é absolutamente normal em qualquer comunidade jovem.

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