poesia marginal

Ana Cristina César, 60

Atualizado em 2 de outubro | 10:07 AM

Confira a entrevista de Heloisa Buarque e Armando Freitas Filho sobre a poeta Ana Cristina César, exibida no programa Globo News Literatura, em 08/06/2012.

A jovem poeta Ana Cristina César, que se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, se suicidou aos 30 anos. Publicou três livros por conta própria, que depois foram reunidos em uma coletânea.

> Assista à reportagem

Continue lendo »

Cacaso – Ícone da poesia marginal

Atualizado em 10 de julho | 10:25 PM

Publicado originalmente por Guido Arosa no Jornal da UFRJ n. 61, de jun/jul de 2011.


“Passou um versinho voando, ou foi uma gaivota?” É essa a concepção perecível de poesia de Antônio Carlos de Brito, considerado o ícone da poesia marginal brasileira, nascido na cidade mineira de Uberaba, em 1944. Eternizado pelo apelido “Cacaso”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos e, logo depois, por seu talento para o desenho, publicou caricaturas de políticos na imprensa carioca. Já a poesia veio antes dos 20, por suas letras para músicas dos amigos Elton Medeiros e Maurício Tapajós.Cacaso lecionou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), nos anos 1960 e 1970. Colaborador das revistas Movimento e Opinião, lançou sua primeira obra poética,  A palavra cerzida, em 1967. É partir de então que se dá seu engajamento político-social e a consolidação de sua poesia crítica, livre e irônica – no pós-modernismo poético conhecido por “geração mimeógrafo”, pelo qual a poesia marginal se consolidou.

No sufoco

Em plena ditadura militar, com a falta de espaço em editoras tradicionais para suas poesias, Cacaso e outros intelectuais, como Chacal e Ana Cristina Cesar, passam a difundir seus escritos através de cópias mimeografadas. É em 1976, com a antologia 26 poetas hoje, de Heloisa Buarque de Hollanda, que passam a ser divulgados e destacados os “poetas perecíveis”: “Desde 1968, a gente era mais ou menos um grupo coeso e começamos a nos interessar juntos pela poesia marginal, como uma forma de resistência ao golpe de 1964”, afirma Heloísa Buarque, que é professora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.

Continue lendo »

O pessoal é político

Atualizado em 29 de novembro | 9:20 AM

Trabalho sobre Poesia Marginal, por Michelle Lopes.

A Poesia Marginal surgiu pela necessidade de expressão em meio a opressão da Ditadura Militar no Brasil aproximadamente na década de 70 na cidade de Rio de Janeiro e se espalhou por cidades de São Paulo. Minha pesquisa se baseou na hipótese de que pessoas que não se conhecem e que participaram do movimento pudessem ter vivido momentos em comum devido a sua participação. Assim, realizei entrevistas com duas mulheres de cidades diferentes e que não se conhecem: a organizadora da antologia 26 poetas hoje, Heloisa Buarque de Hollanda, e a poeta Dulce Adorno. Analisei a antologia, a autobiografia e o livro que garantiu a Heloisa seu doutorado em Literatura e também o livro de poesias não publicadas de Dulce. Minha pesquisa concluiu que os participantes e observadores deste movimento acompanharam a efervescência dos acontecimentos e pensamentos da época e que elas, assim como outras pessoas distintas do movimentos, fizeram com que este tomasse forma através de suas reflexões, estudos e poemas.

 

 

Apresentação-Michelle Lopes from admin on Vimeo.

Continue lendo »

Entrevista com Charles Peixoto sobre Cacaso

Atualizado em 15 de setembro | 11:36 AM

Depois de um grande jejum editorial, temos de volta a poesia de Antonio Carlos de Brito, o Cacaso.  Mesmo inaccessível por mais de 15 anos, a obra de Cacaso não desapareceu do nosso panorama poético. Ao contrário, imbatível, sua presença nos idos da década de 70 continua sendo uma forte referência para os poetas da geração 80/90 mantendo, como nos velhos tempos do “sufoco”, seu papel de aglutinador e de mentor da produção poética emergente. Cacaso foi um personagem totalmente particular numa hora em que a poesia foi eleita como a forma de expressão predileta da geração que experimentou au grand complet o peso dos anos de chumbo. Poeta tempo integral, letrista, principal articulador e teórico da poesia marginal, Cacaso reaparece hoje em Lero lero, volume que reúne sua obra completa. A conversa que se segue é com Charles Peixoto, o Charles, a quem Cacaso dedicou ironicamente o poema, “Natureza Morta” referindo a poética-instântanea dos marginais. Autor de Creme de Lua, Perpétuo Socorro e Coração de Cavalo, consideradas obras primas da poesia marginal, o codinome “Charles Peixoto” encobre estrategicamente um sobrenome ilustre no território da letras, Carlos Ronald de Carvalho, portanto, neto do famoso poeta modernista. Desafiando suas origens, Charles foi um malcriadíssimo poeta marginal de primeira hora, integrando o grupo Nuvem Cigana e mais tarde o Vida de Artista, já em companhia de Cacaso.

Continue lendo »

Observações: críticas ou nostálgicas?

Atualizado em 10 de setembro | 6:56 PM

Publicado originalmente na Revista Poesia Sempre, n. 8, ano 5, da Fundação Biblioteca Nacional, em  junho de 1997.

 

Revisitar trabalhos antigos traz sempre uma dor difusa. Ainda mais este, os 26 Poetas Hoje, que se constituiu de certa forma como minhas primeiras impressões digitais profissionais. O que será que hoje, passados 20 anos de sua publicação, eu diria sobre este trabalho?  Não escolhi organizar essa Antologia. Portanto, não foi um crime premeditado, mas seguramente um gesto inocente também não foi. Se houve uma questão que povoou, com ansiedade, toda minha trajetória profissional, foi a das relações entre política e cultura.

Estávamos no início da década de 70, uma época de grande susto e medo, na qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado. Da euforia Tropicalista nas artes e nas manifestações políticas, passou-se à disforia que meu amigo Zuenir Ventura, num certeiro e memorável balanço da década, definiu como o vazio cultural. Mas não é essa a história que me cabe contar nesse momento.

O que interessa é que, por volta de 1972-1973, surgiu, assim como se fosse do nada, um inesperado número de poetas e de poesia tomando de assalto nossa cena cultural, especialmente aquela freqüentada pelo consumidor jovem de cultura, cujo perfil, até então, vinha sendo definido pelo gosto da música, do cinema, dos shows e dos cartoons.

Continue lendo »