mercado editorial

O livro em transição

Atualizado em 15 de setembro | 11:00 AM

Mercado livreiro do mundo já retira 10% do faturamento da venda de títulos digitais; no Brasil, resistência inicial dos leitores cede facilmente ao apelo dos e-readers, estimulando editoras e livrarias
Thiago Corrêa

Quando entrou em cartaz no ano de 2002, o filme Minority Report – A nova lei do diretor Steven Spielberg causou espanto por apresentar um futuro com painéis interativos que respondiam ao toque das mãos e jornais flexíveis em que as fotografias davam lugar a vídeos. Pois bem, menos de uma década depois, esse futuro se torna realidade com o surgimento e a difusão dos chamados e-readers, aparelhos que servem de suporte para a leitura de livros e periódicos, dando uma nova dimensão ao ato de ler, permitindo a simbiose entre a palavra escrita, sons e animações.

“Estamos falando mais de tecnologia que de livros”, diz o diretor comercial da Livraria Cultura, Fabio Herz Foto: Claudio Wakahara/Divulgacao
Embora tudo nessa área ainda seja incipiente – com muitas perguntas sem repostas sobre o modelo de negócios a ser adotado, o tipo de arquivo utilizado e qual o aparelho que vai emplacar -, essa revolução digital que já atingiu em cheio a indústria da música começa a aparecer em grandes centros, como a cidade de Nova York (EUA).

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Livro, leitura e era digital

Atualizado em 27 de maio | 1:38 AM

Livro, leitura e era digital

1- Livro, para Arlindo Machado, é “todo e qualquer dispositivo através do qual uma civilização grava, fixa, memoriza para si e para a posteridade o conjunto de seus conhecimentos, de suas descobertas, de seus sistemas de crenças e os vôos de sua imaginação”. Essa definição transcende a própria ideia de registro escrito. O que está em crise: o paradigma seqüencial e linear do livro impresso ou o livro propriamente segundo a concepção de Machado?

R: Acho que os dois. De um lado o texto , cada vez mais, se faz na foram de hiper links, não linear, e não seqüencial. Essa tendência vc pode inclusive aferir na própria escrita dos autores mais jovens que foram criados sob a égide da internet. É um comportamento que está estruturando a percepção e a escrita das novas gerações e o livro começa a acompanhar a necessidade de novos modelos não lineares. De outro, o registro da memória e o registro de praticas culturais cada vez mais se dá em suportes vários, inclusive  o livro, mas não apenas no papel impresso do livro. Existem ainda experiências cada vez mais freqüentes de utilização de convergência de mídias, ou seja da utilização simultânea de suportes diversos.

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Entrevista com Rui Campos

Atualizado em 15 de setembro | 11:51 AM

Por Heloísa Buarque de Hollanda

Rui Campos, bonito, sorridente e mineiríssimo é hoje um dos personagens mais populares e queridos da vida cultural carioca. Livreiro das antigas, foi dono das livrarias Muro e Dazibao, ícones dos anos 70/80. Hoje domina o mercado livreiro independente com as várias Travessas que pontuam o mapa cultural do Rio de Janeiro. Além de contar os bastidores da vida de um livreiro de sucesso, Rui, nessa entrevista, analisa os problemas e as perspectivas comerciais das livrarias frente à onda do monopólio das grandes cadeiras multinacionais de livrarias e do mercado virtual de livros.

 

HBH : Rui, como personagem  você é imediatamente associado ao livro, às novidades editoriais, às livrarias acolhedoras. Há mesmo quem afirme que você é o último livreiro, essa figura em vias de desaparecimento. Quando e como você se tornou livreiro?

RUI: Tudo isto começou muito cedo, eu tinha 19 anos. Nesta fase, nada é muito planejado, a vida vai atropelando, uma semana vale por quinze anos de vida adulta..

Como todo mineiro, eu tinha fascínio pelo Rio de Janeiro. Na época eu namorava a Marta Luz e ela também tinha esse desejo de vir para o Rio trabalhar com cinema. Eu não tinha em mente nada muito profissional.

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Entrevista com Lúcia Riff

Atualizado em 15 de setembro | 11:41 AM

Por Heloisa Buarque de Hollanda

Heloisa – Lúcia, qual é sua formação, como você começou sua carreira de agente literária?

Lúcia – Eu estava buscando meu caminho na psicologia, quando um amigo muito querido, o Paulo Valente, filho da Clarice Lispector, me ligou perguntado se eu queria conhecer a Carmem Balcells, agente literária da Clarice, e me explicou o que era um agente literário, coisa que eu não sabia. A Carmen estava procurando uma pessoa para trabalhar em sua agência no Brasil. Fui conhecer a Carmen e a Ana Santeiro, e trabalhei com elas um ano.

Heloisa – Isso foi quando?

Lúcia – Isso foi em 1982/83, época de ouro da agência aqui no Brasil.  De lá, saí para Nova Fronteira, na área de contratos, autores, direito autoral, enfim, negociando os contratos da Nova Fronteira. Trabalhei com o Sebastião Lacerda, e ainda peguei um pouquinho da gestão do Sergio. Nessa época, o Carlos Augusto ainda era menino, ainda chegava de bermuda vindo da praia…

Heloisa – Isso deve ter sido muito bom para você porque te deu a experiência de estar do outro lado…

Lúcia – É, foi fantástico, porque eu lidava com os agentes, ajudava na ponte com os estrangeiros todos, trabalhava muito com a Ana Maria, com a Karin Schindler, de São Paulo, que é uma referência para nós.

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O futuro do livro

Atualizado em 11 de setembro | 7:09 PM

A História comprova que todas as vezes que uma nova tecnologia surge, ela é sentida como uma ameaça para as mídias culturais anteriores. Foi assim com a pintura quando surgiu a fotografia, com o teatro com o advento do cinema, com o cinema com a popularização da televisão. Agora, o livro é posto em questão. Decretará a Internet o seu fim? Como das outras vezes, o temo se encarrega de desmentir esta premissa. Hoje, realmente as obras de referência aderiram, com evidente proveito e adequação, ao ambiente www e às tecnologias digitais. Por outro lado, não é difícil observar como o “livro vem se tornando mais livro” nesse contexto. É inegável o aperfeiçoamento de sua produção, a atração de suas atuais capas e projetos gráficos, a multiplicidade de títulos nos catálogos das editoras. Parece que o livro se liberou do compromisso de informar e a este agregou o da fruição e do prazer. Livros são lançados em blogs e posteriormente em papel, livros são divulgados e comercializados no mercado virtual, os livros ganham uma visibilidade dobrada. Desafio quem de novo apostar no fim do livro papel, uma paixão que veio para ficar.

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