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Sobre livros, leituras, palavras & afins

Atualizado em 11 de dezembro | 8:48 AM

Vou me permitir responder ao convite da Superintendência da Leitura e do Conhecimento do Rio de Janeiro, para produzir um texto sobre bibliotecas, não como uma profissional do livro, mas como uma pessoa que no momento está apostando alto no livro, ou melhor, na palavra, como instrumento estratégico de transformação em vários níveis e perspectivas. Neste sentido, vejo hoje, no meu campo de trabalho que é o das microtendências culturais, uma agitação bastante focada na potencialidade da palavra como um recurso precioso para a experiência estética, mas também, o que é novidade,  social e econômica. Talvez por isso eu tenha ficado tão atraída pela declaração de Umberto Eco no final do século passado. Dizia ele em um seminário chamado o Futuro do Livro: Se o século XX foi o século da imagem, o Século XXI será o século da palavra. E todos os sinais indicam que o mestre estava certo.

Vou aqui, na realidade, oferecer um breve roteiro dos diversos panoramas de usos da palavra que estão me mobilizando nesse momento. Segue o roteiro com sete paradas:

1. Questão de tempo. Eu sou de uma época em que o livro – a biblioteca, a leitura – era um fato e um feito para poucos.

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Artelatina: cultura, globalização e identidades cosmopolitas

Atualizado em 19 de maio | 11:19 AM

Artelatina: cultura, globalização e identidades cosmopolitas (Aeroplano Editora/CCBB, 2000)

Beatriz Resende e Heloisa Buarque de Hollanda (Orgs.)

ISBN: 85-86579-19-X
Formato: 12 x 21 cm
Número de páginas: 268

A produção artística e as políticas culturais em processo de globalização e integração regional são assuntos de destaque nos textos que compõem Artelatina: cultura, globalização e identidades cosmopolitas, promovendo a interlocução de curadores, historiadores e críticos de arte com as lideranças do pensamento teórico latino-americano.

 

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26 Poetas Hoje | download

Atualizado em 9 de janeiro | 2:49 PM

A antologia 26 Poetas Hoje marcou época ao apresentar a poesia marginal, trazendo, em plena vigência da censura, o testemunho da geração AI5 e sua dicção coloquial, irreverente e bem humorada. Uma obra clássica para os interessados em poesia contemporânea, agora revista e já em terceira edição. Participam desta edição Ana Cristina César, Torquato Neto, Geraldo Carneiro, Waly Salomão, Chacal, Bernardo Vilhena, Capinan, entre outros.

26 Poetas Hoje (Aeroplano, 2007, 6. ed.)

ISBN: 85-86579-04-2
Formato: 11,5 x 18 cm
Número de páginas: 272

 

> Clique aqui para fazer o download de 26 Poetas Hoje

 

Apresentação da 2. edição

Esta antologia é certamente datada. Nesta segunda edição, 22 anos depois, procurei evitar qualquer alteração em sua forma original, atendo-me apenas à atualização biobibliográfica das notas finais sobre os autores nela reunidos.

Esse movimento quase institivo de “tombar” a atmosfera política e cultural daquele momento no qual esse trabalho foi realizado, coloca também como pouco atraente a idéia de escrever uma nova introdução. Deixo apenas aqui resgistrada um pouco da história e do contexto de realização desse trabalho.

Estávamos no início da década de 70, um momento no qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado.

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Escolhas | download

Atualizado em 9 de janeiro | 2:36 PM

Com mais de 45 anos de magistério, Heloisa Buarque de Hollanda é dona de uma carreira singular. É o que mais se destaca no livro Escolhas: uma autobiografia intelectual, lançado pelas editoras Língua Geral e Carpe Diem.

Sua singularidade é fruto de uma experimentação profissional, arrojada e combativa, que foge dos parâmetros acadêmicos: ficar ao mesmo tempo dentro e fora da universidade, com um pé nos estudos crítico-teóricos e um olho que se volta para o mundo. Não se trata, contudo, apenas de uma alternância de pontos de observação, pois Heloisa busca, sobretudo, articular os dois espaços. Nesse sentido, ela tem deixado em evidência tanto a legitimidade do intelectual, quanto a criatividade e as inovações dos artistas da periferia. É a universidade e a periferia pensando juntas, sem concessões de parte a parte, tornando os dois lugares mais sensíveis a uma compreensão mais ampla da cultura.

Conhecendo-se o percurso profissional de Heloisa Buarque, toma-se pé de boa parte das inovações dos últimos cinquenta anos, muitas das quais antecipadas por ela. Sua carreira vai dos estudos sobre os livros mimeografados dos poetas marginais ao uso criativo da web.

Ao mergulhar no universo da cultura digital desde o seu surgimento, Heloisa começou a discutir o futuro do livro como suporte e o da leitura como percepção.

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Impressões de Viagem – CPC, vanguarda e desbunde | download

Atualizado em 15 de setembro | 11:13 PM

impressoes

Após dez anos fora de catálogo, a Aeroplano Editora relança Impressões de viagem, de Heloisa Buarque de Hollanda. O livro, editado pela primeira vez em 1980, chega à sua quinta edição. Uma percepção refinada da reviravolta na cultura nacional que contém temas que “a universidade brasileira ainda não absorveu ou está absorvendo com dificuldade”, como explica Zuenir Ventura nas orelhas do livro.

As “impressões” dão conta do período final da década de 50 até a queda do Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1978. Em sua viagem, a autora investiga três momentos recentes da produção cultural brasileira: a arte revolucionária do Centro Popular de Cultura (CPC), o Tropicalismo e sua censura à intelligentzia de esquerda, a proximidade com os canais de massa e o desbunde, arte marginal do início dos anos 70, alternativa à produção e veiculação do mercado.

Talvez a extrema proximidade com seu objeto de estudo pudesse atrapalhar no diagnóstico da cultura nos anos 60/70. Mas Heloisa consegue com habilidade manter-se isenta criticamente e enriquecer o trabalho com sua experiência vivenciada. Como afirma Silviano Santiago em texto inédito na quarta capa, a leitura de Impressões de Viagem é moderna e deve ser feita de forma crítica para que, lendo o passado, o presente possa ser melhor esclarecido.

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