internet

Jornal O Povo

Atualizado em 18 de agosto | 5:42 PM

Novembro de 2008

– As tecnologias digitais de fato estão colocando cultura/arte nas mãos de mais brasileiros? 

R: Claro que estão. E o que é mais animador é o papel que as lan houses estão desempenhando nisso especialmente nas favelas e periferias das cidades. 49% dos acessos hoje são feitos em lan houses, o que termina por abrir chance para aquelas populações de baixa renda que assim ganham um espaço importante de integração ao universo da web. 

– Até que ponto a cultura digital revoluciona a produção, a transmissão e o acesso aos bens culturais? 

R: Acho que aqui temos que ter algum cuidado. Não me parece que a cultura digital “revolucione” a criação. O que interessa, entretanto é a circulação de cultural que essa sim pode ter um papel revolucionário na democratização da cultura. 

– Muitos museus têm aberto seus acervos com visitas virtuais. Editoras têm disponibilizado capítulos de seus livros na Internet, assim como gravadoras também fazem o mesmo com faixas de um novo CD. O que essas aberturas representam para a disseminação/consumo dos produtos culturais? 

R: Elas são  cerne da diferença atual da produção cultural neste novo século. E é ainda um processo relativamente desconhecido dos produtores. Ainda sito uma certa hesitação das editoras e das instituições que detêm acervos importantes em disponibilizar de maneira mais radical seus produtos.

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Jornal do Comércio

Atualizado em 18 de agosto | 5:35 PM

1 – Qual o objetivo do seminário?

R: O seminário tem uma pergunta básica que, a meu ver, ainda não foi colocada com a devida ênfase: De que formas ocorrerão as inevitáveis reformatações da produção e do consumo culturais no universo digital? 

2 – Do seu ponto de vista, quais são as perspectivas para as artes e para a comunicação com a chegada das novas tecnologias?

R: Em primeiríssimo lugar coloco a questão da democratização das formas de produção digitais que são mais leves, menores e mais baratas o que certamente vai possibilitar um número bem maior de vozes e olhares nas artes do século XXI. Em seguida, penso na questão de uma cultura possivelmente livre e na fragilização do valor da idéia de autoria, chave da cultura moderna dos séculos XIX e XX, e que agora parecem possibilitar uma abertura real de espaço  para as práticas de criação e de saber compartilhados. É claro que isso são apenas algumas das possibilidades potenciais abertas pelo avanço da tecnologia. Agora, é lutar politicamente para que essas transformações possam encontrar seu lugar. 

3 – Como trabalhar as questões da inclusão e da exclusão digital?

R: Hoje a alfabetização digital é tão importante quanto à alfabetização letrada para as novas gerações.

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Gazeta Mercantil

Atualizado em 18 de agosto | 5:13 PM

1)     Qual é a principal proposta da exposição?

 A principal porposta da exposição é a de fomentar o debate sobre a criação e o consumo de literatura na internet., Um assunto que ainda conhece muita resistência quanto à e consistência desrtas formas de práticas literárias. Esse é um dos aspectos mais interessantes dessa produção. A literatura na internet tem a característica de investir bastante no que se conhece como convergência de mídias. Ou seja, a literatura face às inúmeras possibilidades que  o ambiente da web oferece se expande em correlação com diversas linguagens de uma forma inédita e ijnovadora. É preciso tematizar esse universo. Foi esse o desejo que orientou essa exposição.

2)  Como foi a seleção dos blogs? Qual o critério utilizado na escolha dos textos?  

 Chamei dois poetas jovens excelentes, a Bruna Beber e o Omar Salomão, e encomendei uma curadoria de conteúdo para eles. Fiz isso porque achei que , na minha idade, talvez eu fosse ter uma leitura limitada e incorreta da vida intelectual e criativa da web.  O que quer dizer que nem eu mesma acreditava muito que essa literatura pudesse ter o nivel de qualidade daquela impressa em livros. Agrande surpresa nesse caso foi essa seleção ter desmentido emus temores e, porque não?

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Blooks

Atualizado em 18 de agosto | 4:52 PM

1. Nesta exposição você cria um conceito que parte da junção do conceito de Blog com Book (livro) = Blooks. Poderia explicar como chegou a esta nova forma de produção e difusão da informação e leitura?

 

Eu não criei esse conceito. Ele é até relativamente antigo , apenas me apropriei porque achei uma noção instigante. Ou seja a pergunta tradicional “a internet matou o livro?” se mostra desatualizada. O que existe é uma enorme produção literária na rede  que usa o recurso interativo do blog e o ambiente descentralizado da internet para desenvolver a criação literária. Do blog ao book é um pulo.

 

2. Temos os mais diversos tipos de blogs, tratando dos mais diferentes assuntos. Todavia, um traço marcante em muitos deles é a dissolução entre os limites da vida privada e pública. Como os antigos diários que escrevíamos sobre os fatos que marcavam nossa vida, agora perdem a questão da privacidade e entram no domínio da esfera pública. Podemos considerá-los como uma nova forma de crônica da vida cotidiana?

 

Podemos. O que parece mais flagrante é a necessidade do criador e do produtor de cultura de pertencer a comunidades de troca e de compartilhamento de saberes e  textos, ambiente que a vida literária não facilita em função de seu mercado reduzido especialmente aquele da poesia. 

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Revista Cultura e Pensamento 2007

Atualizado em 18 de agosto | 4:17 PM

P – Como surgiu a idéia da exposição “Blooks”?

 

A idéia do Blooks veio de uma certa  desconfiança e mesmo intolerância da critica literária com a produção e com a linguagem desenvolvida na internet.  Eu acredito sempre que as novas formas  culturais estão  fermentando e sendo gestadas nas margens do mercado cultural  tradicional. Por isso fiz minha tese sobre a poesia marginal dos anos 70, depois me apliquei na produção cultural da mulheres e dos negros  e mais recentemente das perspectivas  que apontam tanto  no território das novas tecnologias quando nas vozes ácidas e cheias de marra que estão chegando com força total vindas das periferias. Fui então ver com mais cuidado e sem pressupostos formados a literatura da web. Surpresa total. O grau de criatividade, possibilidades abertas para a experimentação da linguagem, a vizinhança com outras mídias que se cruzam e, principalmente, se contaminam de fora recorrente na www abre um espaço de criação novo para a literatura que esta nunca conheceu antes. Acho incrível certas reações contrárias que vêem esses fenômenos como  desaprendizado, como corrupção da língua , da norma  culta. Pode ser até que os blogs mais pessoais tenham inventado seu dialeto próprio o  que é absolutamente normal em qualquer comunidade jovem.

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