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Quem tem medo da tecnologia?

Atualizado em 10 de setembro | 7:04 PM

O tom apocalíptico diante do aparecimento de novas tecnologias tem sido, até agora, praticamente inevitável. Não seria muito diferente com a chegada definitiva da cultura digital e da comunicação virtual entre nós.

Provavelmente é por isso que a agenda atual da maioria absoluta de nossos encontros acadêmicos ou eventos culturais venha incluindo, de forma praticamente obrigatória, temas e questões sobre as possíveis conseqüências fatais do sucesso de edições on-line, do advento dos non-books ou publicações digitais, de novos hardwares como os e-books e do acelerado desenvolvimento do comércio eletrônico. Qual seria, nesse novíssimo quadro, o futuro da produção editorial impressa e do mercado livreiro presencial? E, sobretudo, quais as reais perspectivas do risco aí implicado: o fim da criação literária, do prazer da leitura linear tradicional, e, com eles, o dramático fim da cultura do livro.

Realmente, a agilidade da circulação dos produtos culturais hospedados na rede, ao lado de gêneros literários que começam a desafiar a “leitura sustentável” como no caso da hiperficção, são temas que oferecem uma pauta infinita para os críticos de cultura e os profissionais do livro.

Do ponto de vista prático ou apenas material, esse temor não parece justificar-se de imediato. Uma observação, mesmo apressada e superficial, do processo que liga a criação ao consumo literário, vai identificar o atual sistema de distribuição do livro como sendo a  caixa preta do mercado do livro.

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Professando as Letras: Identidades em construção

Atualizado em 10 de setembro | 7:02 PM

Em 1972, ou seja, há quase trinta anos atrás, Mikhail Bakhtin de certa forma previa, o que hoje é referido por muitos como a crise da área de Letras e que prefiro chamar de uma atual e saudável flexibilização teórica e metodológica nestes estudos.

Bakhtin referia-se à situação da pesquisa literária na União Soviética no início da década de 70, e lamentava duramente a falta de articulação entre os estudos literários e os problemas mais gerais da sociedade, denunciando a ausência de empenho, por parte dos pesquisadores, na identificação de novas áreas ou fenômenos significantes no campo praticamente ilimitado da produção literária.

Avaliando estes impasses, Bakhtin observa que a ênfase que, por longo tempo, vinha sendo dada à definição das especificidades da literatura, terminou por preterir as questões da interdependência das várias áreas da produção cultural. A ausência de articulações mais concretas entre a literatura e o contexto global da cultura de uma dada época, de certa forma estaria promovendo a marginalização da própria idéia de literatura.

Bakhtin chama ainda a atenção para a flutuação histórica das fronteiras das áreas da produção cultural e observa que sua vida mais intensa e produtiva sempre ocorre nas fronteiras de suas áreas individuais e não nos espaços onde estas áreas tornam-se encerradas em sua própria especificidade.[1]

Na década de 80, a área de Letras começa a responder com mais nitidez às demandas das transformações sociais que vão marcar o final do século XX.

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Políticas culturais ao sul da web

Atualizado em 10 de setembro | 7:01 PM

Com a colaboração de Cristina Câmara.

 

A presença da América Latina na internet hoje deve se vista mais como uma perspectiva otimista do que como uma realidade concreta. Mesmo assim, alguns dados podem surpreender. Estima-se, por exemplo, que o número de usuários da internet na América Latina aumenta 33% anualmente e que os 5.7 milhões de usuários em 1998 passarão à 24.3 milhões em 2003.[1] A evidência deste crescimento acelerado aliada à expectativa de uma abertura até hoje impensável em relação ao amplo acesso à informação e à novos canais de comunicação e intercâmbios científicos, políticos, culturais e comerciais, coloca em pauta novas e urgentes questões para as regiões e segmentos culturais ao sul do cyberspace.

Apesar de ser difícil afirmar qual a população mundial de usuários da internet e quem são estes usuários, há alguns indícios quantitativos e qualitativos trazidos pelas pesquisas que vêm sendo realizadas na rede ou sobre ela e que estão disponíveis on line. Estima-se em 171.25 milhões o total mundial de usuários da internet. Destes, 97.03 milhões encontram-se nos Estados Unidos e no Canadá. A Europa concentra 40.09 milhões de usuários, a Asia/Pacífico 26.97 milhões, a América Latina 5.29 milhões e a África 1.14 milhões de usuários.[2]

Evidentemente, devemos estar atentos ao excessivo otimismo e aos interesses comerciais em jogo, como assinala Delarbre (1998), [3] mas é interessante observar, os índices apontados pelas pesquisas e o expressivo crescimento da presença latinoamericana na internet nos últimos anos, especialmente no Brasil.

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O declínio da autoria na web & nas artes

Atualizado em 10 de setembro | 6:51 PM

Curiosamente, o tema a teatralidade do humano – ainda que, no mais das vezes, refira-se à práticas artísticas e comportamentais que atravessam a História, encontra um terreno fértil nas práticas artísticas e comunitárias  da web.

Aqui, ela vem em diálogo direto e intenso com as novas práticas identitárias e autorais no ambiente www e seu reflexo na criação off line.

Não fosse assim, a cultura do século XXI não seria tão profundamente marcada pela abertura de um  debate radical acerca da questão da autoria.

Voltando um pouco no tempo, é interessante lembrar que o surgimento da noção de autoria, tal como a experimentamos hoje, vem mais ou menos sincronizada com o ascenso do individualismo e da economia de mercado  pós Revolução Francesa. É nesse momento que surgem as primeiras leis reguladoras da propriedade intelectual como a inglesa copyright e a francesa droit d’auteur. Ainda que com pequenas distinções, ambas geraram um debate forte que já naquela época reforçava os dois eixos do problema: o direito do indivíduo  x o interesse público. O direito do autor, bem como seu corolário a importância da autoria, é, portanto, um direito relativamente novo, que surge gerando polêmicas e cujo DNA sinaliza conflitos de base.

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Revista Outra Travessia

Atualizado em 19 de agosto | 6:18 PM

Programa de pós-graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina

 

1) Que tipos de influências teóricas você considera importantes para configuração do trabalho crítico que você vem realizando?

Ainda que estes autores não estivessem presentes na minha formação, hoje em dia trabalho bastante com Stuart Hall, Andreas Huyssen, Fredric Jameson, Nestor Garcia Canclini e mais recentemente, Antonio Negri.

 

2) Qual é o seu projeto de investigação pessoal neste momento?

Continuo relendo aos anos da virada, ou seja os anos 1970/80. Mas começo a trabalhar com o novo imaginário urbano configurado pelos canais recém abertos entre a cultura “da periferia” e a cultura ” do centro” . Neste sentido, começo a separar também bastante material sobre as novas configurações da autoria e do copyright nesse novo campo de trabalho e sobre o impacto da linguagens da internet na produção e na criação em forma de coletivos e redes.

 

3) Quais as leituras que está fazendo atualmente?

Tudo o que é produzido pela ou sobre a cultura da periferia em termos de literatura e visualidade. A produção teórica britânica encontrada na internet nesse sentido é bastante especial.

 

4) Em sua opinião seria interessante a existência de uma crítica literária e cultural de âmbito latino-americano?

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