hip-hop

O poder da informação

Atualizado em 22 de novembro | 5:36 PM

Heloísa Buarque de Hollanda fala de Ferrez, Cultura Hip Hop e poder da informação.

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Maldito.com

Atualizado em 11 de setembro | 7:06 PM

No século XX, eles deram o tom. Na pele de malditos, outsiders, alternativos ou marginais, mantiveram o nível do protesto e da insatisfação numa altura suficiente para que a arte moderna se sentisse confortavelmente crítica e desafinada do chamado coro dos contentes. Foram  dandies e flaneurs à la Baudelaire, foram  iconoclastas incediando museus e exibindo manifestos irascíveis, foram rebeldes sem causa nos anos dourados, foram yippies implodindo o “sistema” e hippies saltando fora do mesmo.

Na nossa história mais recente,  marcaram com fortes tintas o movimento tropicalista, a cultura alternativa dos anos 70 e, na década seguinte, encontraram sua expressão mais legítima no “rock com atitude” e no repertório raivoso do Rock Brasil.

Daí para frente, as perspectivas da maldição tornam-se mais e mais nebulosas. O quadro geral impresso pela lógica do consumo e dos fluxos globalizantes  leva a crer que os alternativos perderam o rumo ou, pelo menos, perderam de vista aqueles contra quem desafinar.

O primeiro desconcerto vem com a perda do valor crítico da “diferença”, maior bandeira e capital da cultura marginal. A difusão do consumo de massa traz como seqüela a visão da homogeneização como valor negativo e o desenvolvimento de estratégias de  diversificação em todos os níveis e sentidos da produção.

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Conexões

Atualizado em 10 de setembro | 7:10 PM

O grande exotismo identitário do Brasil, o mito da democracia racial, transborda para bem além da clássica afirmação de uma hipotética ausência do racismo entre nós. Na realidade, esse mito invade outras áreas de conflito social como as relações de gênero e as relações entre classes sociais sob o signo de uma estrutural cordialidade, aquilo que vem do coração. Esse mito pode ter várias leituras e, ao longo dos anos, foi aplaudido, abominado, execrado, amado. Hoje a academia e certos segmentos dos movimentos sociais começam a compreender este consenso, de acento lusitano colonial, mais do que como uma verdade, mas como uma certa estratégia de unir politicamente um país tão extenso e multicultural, cortado por raças e classes convivendo secularmente em extrema desigualdade. Estratégia ainda de enfrentamento do império colonizador português que, numa circunstância  inédita e quase-cômica da História colonial latino americana, acuado,  vem se asilar na colônia fugindo de Napoleão Bonaparte.  Ou seja, o antagonismo e as tensões entre a colônia e a metrópole, entre o colonizador poderoso e o colonizado rebelde, que escreve a história dos séc. XIX e XX,  entre nós, conheceu uma estranha especificidade. A corte portuguesa, acuada, pede asilo em terras brasileiras. Não é difícil imaginar , nesse quadro perverso, as possíveis inversões das lógicas de dominação que permeiam a política e a cultura brasileiras.

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A política do hip hop nas favelas brasileiras

Atualizado em 10 de setembro | 7:06 PM

Um dos fenômenos mais alarmantes desse início de século são os números da progressiva  favelização e  desemprego, muitas vezes também chamada de “humanidade excedente”, especialmente em paises em desenvolvimento. Segundo Mike Davis,  no livro The  planet of slums, um estudo bastante impressionante,  a população favelada,  aferida pelo  UN-Habitat report, cresce hoje 25.000.000 de pessoas por ano.  Este mesmo relatório avalia que os novos pobres periurbanos  e suas comunidades informais ou favelas, em 2020, chegará de 45% a 50% do total dos moradores da cidade.

Este Big Bang da pobreza urbana, parece diretamente ligado às políticas financeiras pós consenso de Washington,  quando o FMI  e o Banco Mundial usaram alavancagem da dívida para reestruturar a economia do terceiro mundo promovendo o que chamamos de a violência do “ajuste” e recuo do Estado .

No Brasil, os números não são menos dramáticos. A população que vive em favelas ou “aglomerados subnormais”  cresceu 45% nos últimos anos, três vezes mais que a média do crescimento demográfico do país. Hoje, temos  51,7 milhões de favelados,  resultado de uma trágica equação de mercado,  tornando o Brasil o país a terceira maior população favelada do mundo, atrás apenas de Índia e China.

Apesar dessas alarmantes estatísticas, é possível identificar algumas respostas muito interessantes a este cenário, sem dúvida, sombrio.

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Viva Favela

Atualizado em 19 de agosto | 4:59 PM

Julho de 2007

 

1 – Qual a importância política da chamada Literatura Marginal?

R: É enorme. A nossa tradição literária ou, melhor, nossa “missão” como autores  literários,  como diz Antonio Cândido, sempre foi a de falar pelos “pobres” de mostrar um engajamento com a questão social. Existe até um livro importante do crítico Roberto Schwartz chamado O Pobre na Literatura Brasileira. Portanto como tema, a periferia sempre foi um eixo literário importante. Mas agora, pela primeira vez, desde de Carolina Maria de Jesus, temos realmente uma literatura feita pelos sujeitos dessa periferia, com uma grande força literária e com forte impacto político.

 

2 – Desde o lançamento de Cidade de Deus, como você acha que os círculos literários estão reagindo ao movimento?

R: Os círculos literários são vários na realidade. O da academia e Universidades reagem um pouco, discutindo seu valor literário propriamente dito. Mas também esse aspecto reativo da Universidade a qualquer manifestação nova ou não “classificada” sempre acontece. Com honrosas exceções, como a de Roberto Schwartz, o grande incentivador e responsável pela publicação de Cidade de Deus. O círculo dos críticos aceitaram razoavelmente bem e o círculo dos editores está ainda meio temeroso. Paulo Lins, por ter sido um best seller, conquistou seu lugar no mercado.

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