feminismo

Feminismos Contemporâneos – Introdução

Atualizado em 14 de setembro | 7:38 PM

O feminismo, cujos marcos remontam ao século XIX, consolidou-se definitivamente no século XX. As conquistas das mulheres no mercado de trabalho, no espaço público, na arena política, no campo da produção de conhecimento e da cultura foram muitas e decisivas. A visibilidade do protagonismo das lutas feministas nas mais diversas frentes, reivindicações e ocupação de espaços valeu às mulheres não apenas um número bastante expressivo de vitórias mas ainda a designação de o século das mulheres para o século XX. As surpreendentes estatísticas disponíveis, produzidas nos últimos anos,  comprovam a propriedade dessa designação.

Apesar deste consenso e ao lado da diluição progressiva e aparentemente irreversível do quadro de referências teóricas e ideológicas no qual nós, feministas,  nos movíamos com tanta  paixão e determinação, o feminismo vem mostrando um certo desgaste na imprensa e na opinião pública. Além disso, uns tempos pra cá, as novas gerações parecem subestimar o ideário político da militância feminista, ainda que reconhecendo o valor e o impacto cultural e econômico das conquistas desta militância. Em meio a uma retórica de efeito (e de má fé) que produz declarações como “As mulheres voltam ao lar por perceber as perdas que o feminismo trouxe”, “As mulheres não sabem o que fazer com a liberdade que conquistaram”, e outras tantas, o que fica sinalizado é que o novo milênio teriam que oferecer às mulheres  caminhos menos ideológicos e mais realistas do que aqueles que as mulheres se impuseram no século passado.

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Balanços e problemas

Atualizado em 14 de setembro | 6:45 PM

O século XX fechou com grandes balanços políticos e culturais.  Não seria justo, neste momento, passar em branco algumas considerações sobre este movimento libertário que, sem sombra de dúvida, foi a grande revolução do século passado, também conhecido como o século das mulheres.

As conquistas femininas têm sido indiscutíveis e estão nos números. Nos últimos dados do PNAD/IBGE disponíveis, analisados por Cristina Bruschini, vemos que, na área do trabalho,  as mulheres vem mostrando um desempenho maior do que o dos homens, revelando um acréscimo de cerca de 12 milhões de trabalhadoras neste mercado o que significa uma ampliação da ordem de 63%. Hoje, as mulheres representam 47,2% da população economicamente ativa, sendo que no setor do serviço público atingem a taxa de 44% de ocupação das vagas. Esta presença, entretanto, cai substancialmente nos cargos decisórios, passando a 13% e sublinhando o chamado “teto de vidro” – um limite invisível que barra o acesso à posições superiores. Esse déficit de poder aumenta nas áreas públicas, mas tende a decrescer em certas áreas como a financeira, a empresarial, na magistratura, nos media ou nos jornalismos de opinião – como o econômico e o político – nos quais as mulheres ganharam nova visibilidade.  Uma curiosidade: a escolaridade das trabalhadoras é mais elevada do que a dos trabalhadores em qualquer das situações analisadas.

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PAIDEIA

Atualizado em 19 de agosto | 4:29 PM

1-     Como analisa o papel do feminismo na nossa sociedade hoje?

Acho que o feminismo teve grandes ganhos na inserção mais justa (mesmo que ainda não esteja equiparada à dos homens conforme comprovam os dados) no mercado de trabalho e na arena política. Entretanto há ainda um longo caminho a ser percorrido, esse na arena cultural, do comportamento, das responsabilidades domésticas, da engenharia do tempo como diz Rosika, e das representações simbólicas do que “Quer uma mulher” que curiosamente foi colocada por um homem especialíssimo, Sigmund Freud,  há um século atrás,  mas que parece que ainda continua lamentavelmente em aberto no universo masculino.

2-     Quais são os avanços e retrocessos das novas gerações em relação à luta feminista do século passado?

Acho que as novas gerações, que inclusive se recusam a idéia de um feminismo enquanto luta, na realidade, já nasceram num quadro onde muitas das demandas feministas estavam relativamente resolvidas e, sem sombra de dúvida, ainda que sem o rótulo de “feministas”, vêm dando um desdobramento extraordinário à valorização da mulher da sociedade.

3-     Qual o impacto das novas políticas estéticas sobre a nossa cultura e desejo?

A estética sempre foi uma política. Mas quando seu potencial contestador e desconstrutor é descoberto pelas  chamadas “minorias” tornam-se um território experimental poderoso e um campo de expressão do desejo privilegiado.

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O Norte Online

Atualizado em 18 de agosto | 5:05 PM

HELOÍSA BUARQUE DE HOLLANDA
“Lula pegou um abacaxizão”

Escritora diz que está fazendo “a maior força” para não se decepcionar com o presidente

ANA CAROLINA ABIAHY
Repórter

Ela aprendeu a levar com bom humor a resistência que muitos insistem em ter contra o termo feminista e continua a defender a pertinência dos estudos que analisam a perspectiva da mulher na produção literária. Foi justamente para discutir o posicionamento do feminismo na era em que vivemos que a escritora e pesquisadora da UFRJ, Heloísa Buarque de Hollanda veio este ano a João Pessoa para abrir o I Seminário Internacional sobre Mulher e Literatura, organizado por um grupo de professoras do Departamento de Letras da UFPB.

Heloísa podia escolher entre os vários temas sobre os quais já escreveu, a exemplo da produção cultural durante e após o período da repressão militar ou sobre o resgate de memória à frente de instituições como o Museu da Imagem e do Som, mas percebe que ainda há muito a se aprender a partir da experiência feminina na arte e na vida. Nesta conversa, ela aponta a necessidade de uma revolução particular entre os casais e minimiza a importância que as siliconadas podem ter como modelo futuro.

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