feminismo

Entrevista com Luiza Campuzano

Atualizado em 15 de setembro | 11:44 AM

Por Heloísa Buarque de Hollanda

 

Luiza Campuzano. Cuando llegué a la Universidad, llevaba varios meses en el Consejo Nacional
de Cultura como secretaria de Roberto Fernández Retamar, que había sido mi
profesor en el colegio. Retamar pasó a la UNEAC y yo me quedé, también
como secretaria, con Vicentina Antuña, presidenta del Consejo, quien además
era la directora de la Escuela de Letras y su catedrática de latín y
literatura latina.
Pero vivía en Cuba y, además, vivía intensamente la cultura cubana. Como
trabajé en el Consejo Nacional de Cultura entre 1961 y 1963, estaba inmersa
en el proceso cultural de los primeros años de Revolución, cerca del grupo
de intelectuales, escritores y artistas que se encontraban al frente de las
direcciones del Consejo. Recuerdo mucho a Marta Arjona, a Servando Cabrera
Moreno -con quien iba a almorzar a menudo-, a Lezama Lima -a quien visitaba
todas las mañanas-, a Alejo, siempre apurado, pero que entraba a saludar, a
comentar algo…
En 1966, después de graduada, al tener que decidir por uno de mis empleos,
lamentablemente dejé la Biblioteca Nacional y me fui para la Universidad,
aunque seguía colaborando con El Caimán Barbudo, con la revista Universidad
de La Habana -que dirigí entre 1972 y 1974-y con otras publicaciones.

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Um problema quase pessoal

Atualizado em 14 de setembro | 8:09 PM

No campo da análise do discurso, o que estaria sendo evitado pelos estudos feministas no Brasil?

O debate sobre a condição feminina, expresso nas obras literárias e na imprensa, conhece um pique na segunda metade do século XIX até os anos 20, quando emerge o movimento modernista nas artes e nas ciências sociais. A questão da mulher sai então do circuito da literatura e passa para as mãos da sociologia, da antropologia e, muito recentemente, para as da história e da psicologia.

Voltando de forma brevíssima ao século XIX, a partir dos anos 50, começa o processo urgente e inadiável de definir os contornos da nação brasileira. Os caminhos percorridos pelos discursos que imaginaram a nação trouxeram, sistematicamente, a metáfora da “maternidade republicana”, como figura fundamental, ou seja, a hiper-valorização do papel da mulher como “civilizadora” e responsável pela idéia de uma nação moderna, educada e homogênea.[1]  No caso brasileiro, evidenciam-se alguns traços peculiares.  Nos discursos de construção nacional, já é conhecido com quanto desconforto a importação das ideologias liberais conviviam  com a vigência do regime escravocrata. Por outro lado, as idéias de uma homogeneização racial, supostamente necessária para a definição de uma identidade nacional e moderna, passavam também por complicadores evidentes. 

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Pós-Feminismo

Atualizado em 14 de setembro | 8:07 PM

Em tempos de globalização, descentralização dos fluxos da economia da informação e, sobretudo, de prevalência das lógicas do consumo,  entra em cena uma variável que atinge de forma irreversível os modelos teóricos dos estudos cujo eixo são as noções de “diferença”.

De fato, a sociedade do consumo, entre outras alterações profundas nos paradigmas modernos, nos apresenta uma novidade inesperada: ao invés dos processos de massificação e homogeneização, característicos do modo de produção capitalista, surgem agora as estratégias da diversificação como a bandeira por excelência da nova lógica das sociedades de consumo. Como potencializar então, neste novo panorama, as políticas da diferença?

Nesse quadro, uma entre as várias questões que se colocam para os estudos e para as práticas políticas feministas é a pergunta sobre como as novas gerações estão experimentando e lidando com as conquistas feministas do velho século XX, também conhecido como o século das mulheres?

Do ponto de vista rigorosamente pessoal, me inquieta de forma insistente a pergunta: valeu a pena a luta feminista à qual minha geração dedicou-se com tanto empenho?

Na realidade, a trajetória das lutas em torno das discriminações da “diferença” não foi sempre a mesma. Apenas como lembrete, é importante registrar a variedade de táticas e contra-ataques das políticas feministas nesse passado recentíssimo.

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Os estudos sobre mulher e literatura no Brasil: Uma primeira abordagem

Atualizado em 14 de setembro | 8:03 PM

Este trabalho foi realizado para o Seminário “Estudos sobre Mulher no Brasil – Avaliação e Perspectivas” promovido pela Fundação Carlos Chagas de 27 a 29 de novembro de 1990. Agradeço a Valéria Lamego, Lucia Nascimento Araujo e Vanessa Escobar de Andrade pelo apoio e colaboração na pesquisa e levantamento de dados e a Luzilá, Maria das Vitórias, Nadia, Rita, Rosiska e Suzana pela leitura atenta dos originais e pelas sugestões que possibilitaram este texto que tenta pensar nossos próprios limites e perspectivas.

O panorama internacional

Uma avaliação dos estudos sobre a mulher  na década de 90, em qualquer área de conhecimento, é tarefa complicada. Fala-se em pós-feminismo, pós-modernismo, fim da ideologia, e, no tema talvez mais perigoso de todos, a emergência de um pluralismo neo-liberal que tornaria totalmente anacrônicas as reivindicações tradicionais do trabalho feminista.

Antes de tentar situar estes estudos no quadro mais geral das transformações por que vem passando o pensamento acadêmico, observaria que, apesar de considerados pensamento de vanguarda pela teoria crítica  contemporânea e de terem conquistado expressiva legitimidade acadêmica, os estudos feministas ainda revelam certo ressentimento e desconforto em relação às dificuldades surgidas nas tentativas de articular sua produção teórica com os compromissos políticos e as questões centrais da militância feminista.

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Os estudos de gênero e a mágica da globalização

Atualizado em 14 de setembro | 8:01 PM

Falar sobre os estudos de gênero ou sobre qualquer assunto relacionado com a  utopia do dissenso, da convivência das diferenças ou da esperança no advento de uma democracia radical para lembrar, com certa saudade, a proposta de Laclau (cf. LACLAU: 1992, 127) pode soar, nestes dias pós 11 de setembro,  como uma idéia desafinada ou, digamos,  “levemente alienada”.

Se, em 85,  vivíamos o sonho pós-moderno multiculturalista, hoje, ao contrário, pensar a diferença é enfrentar um tempo no qual  emergem, sem aviso prévio, novos e ferozes racismos, xenofobias radicais, intolerâncias violentas.

Para nós, acadêmicos, o momento é também tão complexo quanto desafiador. Portanto, pensar gênero nesse novo contexto é ainda um horizonte enigmático porque passa necessariamente pelos problemas que multiculturalismo  e a globalização acabam de nos colocar  e que, de certa forma nos fazem renegociar as certezas & prioridades das agendas téoricas feministas.

Neste quadro uma questão me preocupa particularmente: que lugar têm as culturas e demandas feministas locais frente à mágica da globalização?

Durante estas últimas décadas, os estudos sobre gênero, raça (etnias) e nações pós-coloniais já consolidaram um saber hoje amplamente reconhecido. Por outro lado, os modelos teóricos propostos por esta área de conhecimento também provaram-se bastante eficazes no trato com as diferenças e/ou alteridades, suas hierarquias, estratificações sociais (como classe, castas ou religião) e a especificidade destas diferenças de acordo com suas histórias e contextos locais.

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