entrevista

Cacaso – Ícone da poesia marginal

Atualizado em 10 de julho | 10:25 PM

Publicado originalmente por Guido Arosa no Jornal da UFRJ n. 61, de jun/jul de 2011.


“Passou um versinho voando, ou foi uma gaivota?” É essa a concepção perecível de poesia de Antônio Carlos de Brito, considerado o ícone da poesia marginal brasileira, nascido na cidade mineira de Uberaba, em 1944. Eternizado pelo apelido “Cacaso”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos e, logo depois, por seu talento para o desenho, publicou caricaturas de políticos na imprensa carioca. Já a poesia veio antes dos 20, por suas letras para músicas dos amigos Elton Medeiros e Maurício Tapajós.Cacaso lecionou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), nos anos 1960 e 1970. Colaborador das revistas Movimento e Opinião, lançou sua primeira obra poética,  A palavra cerzida, em 1967. É partir de então que se dá seu engajamento político-social e a consolidação de sua poesia crítica, livre e irônica – no pós-modernismo poético conhecido por “geração mimeógrafo”, pelo qual a poesia marginal se consolidou.

No sufoco

Em plena ditadura militar, com a falta de espaço em editoras tradicionais para suas poesias, Cacaso e outros intelectuais, como Chacal e Ana Cristina Cesar, passam a difundir seus escritos através de cópias mimeografadas. É em 1976, com a antologia 26 poetas hoje, de Heloisa Buarque de Hollanda, que passam a ser divulgados e destacados os “poetas perecíveis”: “Desde 1968, a gente era mais ou menos um grupo coeso e começamos a nos interessar juntos pela poesia marginal, como uma forma de resistência ao golpe de 1964”, afirma Heloísa Buarque, que é professora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.

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Encontro Essenciais

Atualizado em 30 de outubro | 12:39 PM

O programa Encontros Essenciais entrevista Heloisa Buarque de Hollanda sobre a mullher de vanguarda.

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Por Dentro da Notícia

Atualizado em 29 de outubro | 2:57 PM

Programa Por Dentro da Notícia de 1999: Entrevista sobre a mulher dos anos 90. Entrevistando Heloísa Buarque de Hollanda.

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Entrevista com Beatriz Resende

Atualizado em 15 de setembro | 11:34 AM

Por Heloisa Buarque de Hollanda

 

Heloisa – Quando e por que você, crítica literária ferrenha, aderiu aos estudos culturais e aos temas considerados como menos nobres pela academia?

Beatriz Resende – Os Estudos Culturais são justamente o viés, o olhar, a “atividade”, ou o desejo, como diz Frederic Jameson, através dos quais as manifestações culturais e artísticas não canônicas se incorporam aos estudos e pesquisas realizados nas Universidades.

Creio que, desde o Mestrado, quando estudei a literatura de Lima Barreto, nos anos 80 ainda considerado um autor “menor”, a literatura “off Brodway” já me interessava. Depois, no Doutorado, com o Lima já voltando à cena, preferi trabalhar com as crônicas e o estupendo Diário do Hospício. Aí percebi que não podia ficar só nos estudos literários, tinha que ler e investigar tudo que dizia respeito à cidade, ao Rio de Janeiro dos anos 10, 20. E mais, que era impossível trabalhar estes textos sem pensar na questão de raça no Brasil, na discriminação imposta aos pobres e aos loucos. Depois de defender a tese de Doutorado, em89, me juntei ao grupo que pesquisava questões de gênero e raça no CIEC. Criamos, depois, o PACC – Programa Avançado de Cultura Contemporânea – na UFRJ, especialmente dedicado aos Estudos Culturais.

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Entrevista para Zuenir Ventura

Atualizado em 19 de agosto | 6:01 PM

– Você , que foi ícone daqueles tempos, como ficou depois que a festa acabou?

HB: Eu não fui ícone nada. Você é que inventou isso, que criou esse personagem, que, aliás, adorei e vivo dele! Mas quem inventou foi você.

– Mas, enfim, como você ficou depois de 68?

HB: Fiquei com a herança. Acho que o que 68 deu pra gente foi uma alforria, uma energia_ não sei se o nome é utopia _ uma vontade quase obsessiva de que as coisas acontecessem e, sobretudo, mudassem. Não é difícil conferir como, em muitos,  casos essa energia ainda está ativa. Existe um teórico americano muito bom, o Fredric Jameson, que, como nós padece da orfandade das utopias dos anos 60, que procura identificar para onde foi essa superinflação de energias da nossa geração. Uma primeira coisa , que não é dele, mas que ´é muito interessante é que , pelo menos na academia, muitos inconformados com a perda daquele momento eufórico, que participaram na New Left Review, da nova esquerda, dos movimentos sociais que emergiram  pós 60, foram se abrigar numa disciplina nova, muito interessante nesse sentido de abrigo possível da academia de esquerda, que são os Estudos Culturais, especialmente em sua corrente saxônica.

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