artes plásticas

Exposição O Jardim da Oposição | 2009

Atualizado em 15 de setembro | 4:22 PM

JARDINS DA OPOSIÇÃO

Escola de Artes Visuais 1975-1979

Uma homenagem a Rubens Gerchman

PROJETO

1) De que fala este projeto: Durante o governo Ernesto Geisel, ou seja, durante o rito de passagem entre a ditadura militar repressiva e o processo de redemocratização do país, a história das artes e da cultura no Rio de Janeiro confunde-se com a abertura de um espaço inédito de expressão cultural na cidade que foi a criação, em 1975,  da Escola de Artes Visuais no Parque Lage pelo artista Rubens Gerchman. Ex-Instituto de Belas Artes do Estado, a nova EAV abrigou, durante este período, um número incrível de cursos que articulavam  a criação nas artes visuais a todas as formas de arte, como o teatro, a literatura e a fotografia e o cinema. A efervescência cultural criada pela política da nova grade de cursos e oficinas da EAV e a evidência da abertura de um espaço para os  novos procedimentos estéticos, concentraram no ambiente do Parque Lage,  neste período, os principais eventos, debates, exposições, leituras de poesia e de teatro, performances, happenings e instalações produzidas no Rio de Janeiro.

Ainda em 1975, Helio Eichbauer  e Lina Bo Bardi inauguram as atividades da nova EAV com a Oficina Pluridimensional , uma experiência que articulava a dança, o espaço, a construção de maquetes, a pintura, a body art.

Continue lendo »

Exposição Manobras Radicais | 2006

Atualizado em 15 de setembro | 1:41 PM

A negra, de Carmella Gross

Apresentação

A exposição Manobras Radicais propõe um trabalho de reflexão conceitual sobre um movimento e um desvio na arte brasileira recente. São singularidades, diferenças e indiferenciação dos gêneros estabelecidas radicalmente a partir das estratégias – ou de sua ausência deliberada – de artistas mulheres.

Como se posicionam estas mulheres na arte e a partir da arte,  nos últimos dez anos? Existiria hoje uma crise das idéias sobre o feminismo, conforme se enuncia no discurso de algumas pensadoras  como Camille Paglia? As jovens produtoras de cultura brasileiras se reconhecem como feministas ou rejeitam ou subvertem essa idéia? Como experimentam na arte o poder crítico conquistado no século XX, conhecido como o Século das Mulheres?

A partir de suas próprias características, o meio cultural brasileiro sempre foi muito refratário a algumas idéias discutidas no Hemisfério Norte, do debate sobre “arte conceitual” nos anos 70 aos fóruns recentes sobre o “multiculturalismo”, a “pós-modernidade” e, até mesmo em muitos casos entre artistas-mulheres, o “feminismo”.

É precisamente nesse ponto de inflexão, que esta exposição vai indagar a direção das manobras e da força transformadora da arte produzida pelas novas gerações de mulheres hoje no Brasil.

Os Cem, de Jac Leirner


Manobras Radicais propõe colocar em debate o modo como, nos últimos 15 anos, artistas mulheres ampliam a pauta da arte brasileira, diversificam as estratégias de abordagem de suas questões e potencializam criticamente o discurso feminista clássico dos anos 1960 a 1980.

Continue lendo »

Entrevista com Lélia Coelho

Atualizado em 15 de setembro | 11:40 AM

Por Heloísa Buarque de Hollanda

Heloisa: Lélia, pelo que conheço de você, você nasceu no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, mas é mineira. Estou certa?

Lélia: Certíssima. Eu me considero mesclada. Uma híbrida! Tenho/tinha uma grande família mineira, de Varginha, Três Pontas, Campos Gerais, e uma mãe e um filho nascidos e vidrados no Rio de Janeiro. Minha infância foi um ir e vir entre a cidade grande do mar  e as cidades pequenas da montanha. Serra.

Heloisa: O mineiro era seu pai?

Lélia: Era. E muitíssimo.  “Deep Minas”. Em Minas existe uma teoria que diz que os verdadeiros mineiros são, como dizia Francisco Iglesias, do território do centro, que é o território das Minas do ouro. Isso quer dizer Ouro Preto, Mariana, Sabará, aquela região toda, com exceção de Diamantina, que fica mais para cima. Mas eu sei por experiência própria que o sul é, também  tão Minas profunda quanto o território do centro. Ainda não consegui descobrir todas as outras variantes. Minas sempre começa tarde para os seus aprendizes. Mas, resumindo, quando  entrei na adolescência e comecei a discernir melhor as coisas, podendo tomar distância para analisá-las, me vi sempre muito fascinada  pelo cotidiano das metáforas mineiras, intrínsecas, oblíquas.

Continue lendo »

Pós-Feminismo

Atualizado em 14 de setembro | 8:07 PM

Em tempos de globalização, descentralização dos fluxos da economia da informação e, sobretudo, de prevalência das lógicas do consumo,  entra em cena uma variável que atinge de forma irreversível os modelos teóricos dos estudos cujo eixo são as noções de “diferença”.

De fato, a sociedade do consumo, entre outras alterações profundas nos paradigmas modernos, nos apresenta uma novidade inesperada: ao invés dos processos de massificação e homogeneização, característicos do modo de produção capitalista, surgem agora as estratégias da diversificação como a bandeira por excelência da nova lógica das sociedades de consumo. Como potencializar então, neste novo panorama, as políticas da diferença?

Nesse quadro, uma entre as várias questões que se colocam para os estudos e para as práticas políticas feministas é a pergunta sobre como as novas gerações estão experimentando e lidando com as conquistas feministas do velho século XX, também conhecido como o século das mulheres?

Do ponto de vista rigorosamente pessoal, me inquieta de forma insistente a pergunta: valeu a pena a luta feminista à qual minha geração dedicou-se com tanto empenho?

Na realidade, a trajetória das lutas em torno das discriminações da “diferença” não foi sempre a mesma. Apenas como lembrete, é importante registrar a variedade de táticas e contra-ataques das políticas feministas nesse passado recentíssimo.

Continue lendo »

Novos tempos

Atualizado em 14 de setembro | 7:48 PM

Em tempos de globalização e prevalência das lógicas do consumo, entra em cena uma variável que atinge de forma irreversível os modelos teóricos dos estudos cujo eixo são as noções de “diferença”. No lugar dos processos de massificação e homogeneização, característicos do modo de produção capitalista moderno, surgem agora as estratégias da diversificação como a bandeira por excelência da nova lógica das sociedades de consumo. Como potencializar então, neste novo panorama, as políticas da diferença?

Nesse quadro,  uma entre as várias questões que se colocam para os estudos e para as práticas políticas feministas é a pergunta sobre como as novas gerações estão experimentando e lidando com as conquistas feministas do velho século XX, também conhecido como o século das mulheres?

Do ponto de vista rigorosamente pessoal, me inquieta de forma insistente a pergunta: valeu a pena a luta feminista à qual minha geração dedicou-se com tanto empenho?

Na realidade, a trajetória das lutas em torno das discriminações da “diferença” não foi sempre a mesma. Apenas como lembrete, é importante registrar a variedade de táticas e contra-ataques das políticas feministas nesse passado recentíssimo. Nos anos 60, diria, prestando o devido tributo à Gramsci, que o feminismo atuou no diapasão de uma “guerra de posição”.

Continue lendo »