Armando Freitas Filho

Ana Cristina César, 60

Atualizado em 2 de outubro | 10:07 AM

Confira a entrevista de Heloisa Buarque e Armando Freitas Filho sobre a poeta Ana Cristina César, exibida no programa Globo News Literatura, em 08/06/2012.

A jovem poeta Ana Cristina César, que se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, se suicidou aos 30 anos. Publicou três livros por conta própria, que depois foram reunidos em uma coletânea.

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Armando Freitas Filho ganha primeira antologia

Atualizado em 5 de agosto | 4:47 PM

Publicado originalmente por Severino Francisco, no Correio Braziliense, em 04/08/2010.

 

“Medalha no seu peito/E no meu o coração”, escreveu o poeta carioca Armando Freitas Filho, no livro Duplo cego, desconfiado de condecorações. Ele conquistou, ao longo de 55 anos de atividade poética, um grupo seleto de leitores, que inclui Antonio Cândido, Ferreira Gullar, José Miguel Wisnik, Silviano Santiago, João Moreira Salles e Walter Carvalho, entre outros. É reconhecido na condição de um dos melhores poetas brasileiros.

E, agora, aos 70 anos de idade, Armando vive um instante de consagração, com o lançamento de sua primeira antologia, organizada pela professora Heloísa Buarque de Hollanda (Global Editora): “A poesia de Carlos Drummond já foi difícil, mas hoje é mais fácil. Espero que a minha também esteja nesta fase, sem afrouxar a tensão”, comenta o poeta. Armando é tema de dois documentários recentes: Fio terra, de João Moreira Salles, e Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície, de Walter Carvalho, ainda em fase de finalização. Essa antologia tem o mérito de iluminar a poesia de Armando, mostrando que ele nada tem de um poeta esotérico, sempre expõe a sua verdadeira vida: “Escrevo a minha vida./E o que sai do meu sonho/ou do meu punho/vem pela mesma veia/em dicção urgente.”

Aos 15 anos, para estupefação de sua família, ele decidiu que seria poeta.

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Entrevista com Armando Freitas Filho – O poeta que navega com o instinto

Atualizado em 15 de setembro | 11:33 AM

Publicado originalmente por Heloisa Buarque de Hollanda no Prosa & Verso, d’ O Globo, em 01/11/ 2003.

Em ‘Máquina de escrever’, o criador de 63 anos reúne 13 livros lançados ao longo de 40 anos de carreira.

 

Heloisa: Armando, Máquina de escrever é um título digamos “literal” referindo  seus 40 anos ininterruptos de poesia. Convenhamos que esses 40 anos, enquanto sua máquina disparava letras e poemas, nosso panorama poético passou por uma infinidade de momentos chave, escolas, tendências, debates e algumas (ou muitas) brigas interessantes. Como hoje você diria que sua máquina de escrever atravessou esses mares?

Armando: Nadando, aprendendo a nadar quando fazia a própria travessia. A reação veio por reflexo: tendo à minha retaguarda a  geração de 45, e à minha frente as vanguardas, optei pelo nado de peito e não pelo de costas, ou por não ficar boiando, passivo, repetitivo e diluído, no remanso da tradição. Se de qualquer forma o mar “não estava para peixes”, estava agitado e desconhecido, era mais fácil e, paradoxalmente, mais difícil acompanhar os meus cúmplices e competidores e procurar o risco da minha raia, a possibilidade de minha praia.

Heloisa: Voce estaria dizendo que optou por um caminho individual?

Armando: De jeito nenhum.

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Longa vida, o poema

Atualizado em 10 de setembro | 6:40 PM

Publicado originalmente no Caderno B, do Jornal do Brasil, em 09/04/1983.

 

Armando Freitas Filho, que neste fevereiro último comemorou seus 43 anos de vida e 20 de poesia, relatou recentemente a um razoável público no auditório da OLAC, sua forma de trabalhar: escreve de pé, frente à mesa, inclinando-se sobre o papel, ou seja, na medida do possível, em posição de sentido.

No trato social, seu grande charme é um sotaque adoravelmente sincopado, um certo “embaraço fônico”. Ou seja, alguma prudência, hesitação, no que diz respeito ao abandono emocional.

No afetivo, uma enorme fidelidade dissimulada por enérgicas representações, regras, compassos e manias (entre as quais, seu copo diário de Longa Vida CCPL 2000, o leite).

No literário, nos dá a dica:

“Esta mão que me escreve
há tanto
e tenta
dizer o que a outra
cala, não consente
segurando
o sonho
a caravela, o delírio
o incrível Hulk
que pode rebentar as costuras
os costumes
que pode
incendiar a casa
o próprio corpo
e avançar
pelo espelho adentro
contra si mesmo.”

 

O que identifica a longa vida e obra de Armando é, exatamente, o partido que tira deste estado de alerta, ou mais precisamente, da recusa às “facilidades”da emoção e da escrita.

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