antologia

Entrevista para o SaraivaConteúdo

Atualizado em 14 de dezembro | 8:03 AM

Publicado originalmente por Ramon Mello no SaraivaConteúdo, em 07.12.2009.

Com 70 anos comemorados em 26 de julho – Dia da Revolução Cubana e Dia das Avós -, Heloisa Buarque de Hollanda prossegue a trajetória com vigor intelectual, lançando mais uma (polêmica) antologia: ENTER – Antologia Digital. Desta vez, reúne poetas, prosadores, músicos, cordelistas e quadrinistas que mantêm a relação com a palavra na web.

“Eu abro para a palavra! Hoje a palavra – com toda essa tecnologia digital, com vários suportes – tem a convergência de mídias. E a palavra explodiu, ela vai para todos os lugares. Você querer que ela fique presa no texto, hoje, é uma loucura. Ela pode e está saindo do texto”, explica a ensaísta, que nos últimos anos, tem se dedicado ao estudo da cultura produzida nas periferias das grandes cidades e ao impacto das novas tecnologias digitais na produção e no consumo culturais.

Responsável por famosas antologias como 26 Poetas Hoje e Esses Poetas – Anos 90, Heloisa defende a idéia de que a produção de uma antologia é uma trabalho estritamente autoral, um recorte de sua visão sobre determinada época.

“Acho que a escolha não pode deixar de ser pessoal, você gosta ou você não gosta.

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As antologias de Heloisa Buarque

Atualizado em 9 de dezembro | 7:51 AM

Publicado originalmente por Ramon Mello no SaraivaConteúdo, em 07.12.2009.

Heloisa Buarque de Hollanda tem mais de 45 anos de magistério, onde construiu uma carreira singular. Agora, ela lança o livro Escolhas: uma autobiografia intelectual pelas editoras Língua Geral e Carpe Diem, onde é possível conhecer seu percurso que acompanha nomes e fatos importantes do pensamento e da arte do século XX. A obra se destaca também pelo seu hibridismo, mistura de ensaio e autobiografia, apego à tradição e ao futuro. 

> Assista à entrevista exclusiva de Heloisa Buarque de Hollanda ao SaraivaConteúdo

Leia  a seguir um trecho da introdução de Ramon Mello, que organizou o livro, além de outro trecho de Escolhas, onde Heloisa comenta sobre as antologias que organizou.

HELÔ 7.0

Por Ramon Mello

“O que leva uma renomada professora de setenta anos, com mais de quarenta e cinco anos de magistério, entregar a organização de sua biografia a um jovem poeta?”, foi o que me perguntei ao longo da organização deste livro. E ainda busco a resposta.

Através da poeta Maria Rezende e do cineasta Murilo Salles, tive o privilégio de conhecer a professora Heloisa Buarque de Hollanda, num debate sobre o universo dos blogs, o Blografias.

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Armando Freitas Filho ganha primeira antologia

Atualizado em 5 de agosto | 4:47 PM

Publicado originalmente por Severino Francisco, no Correio Braziliense, em 04/08/2010.

 

“Medalha no seu peito/E no meu o coração”, escreveu o poeta carioca Armando Freitas Filho, no livro Duplo cego, desconfiado de condecorações. Ele conquistou, ao longo de 55 anos de atividade poética, um grupo seleto de leitores, que inclui Antonio Cândido, Ferreira Gullar, José Miguel Wisnik, Silviano Santiago, João Moreira Salles e Walter Carvalho, entre outros. É reconhecido na condição de um dos melhores poetas brasileiros.

E, agora, aos 70 anos de idade, Armando vive um instante de consagração, com o lançamento de sua primeira antologia, organizada pela professora Heloísa Buarque de Hollanda (Global Editora): “A poesia de Carlos Drummond já foi difícil, mas hoje é mais fácil. Espero que a minha também esteja nesta fase, sem afrouxar a tensão”, comenta o poeta. Armando é tema de dois documentários recentes: Fio terra, de João Moreira Salles, e Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície, de Walter Carvalho, ainda em fase de finalização. Essa antologia tem o mérito de iluminar a poesia de Armando, mostrando que ele nada tem de um poeta esotérico, sempre expõe a sua verdadeira vida: “Escrevo a minha vida./E o que sai do meu sonho/ou do meu punho/vem pela mesma veia/em dicção urgente.”

Aos 15 anos, para estupefação de sua família, ele decidiu que seria poeta.

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Entrevista com Armando Freitas Filho – O poeta que navega com o instinto

Atualizado em 15 de setembro | 11:33 AM

Publicado originalmente por Heloisa Buarque de Hollanda no Prosa & Verso, d’ O Globo, em 01/11/ 2003.

Em ‘Máquina de escrever’, o criador de 63 anos reúne 13 livros lançados ao longo de 40 anos de carreira.

 

Heloisa: Armando, Máquina de escrever é um título digamos “literal” referindo  seus 40 anos ininterruptos de poesia. Convenhamos que esses 40 anos, enquanto sua máquina disparava letras e poemas, nosso panorama poético passou por uma infinidade de momentos chave, escolas, tendências, debates e algumas (ou muitas) brigas interessantes. Como hoje você diria que sua máquina de escrever atravessou esses mares?

Armando: Nadando, aprendendo a nadar quando fazia a própria travessia. A reação veio por reflexo: tendo à minha retaguarda a  geração de 45, e à minha frente as vanguardas, optei pelo nado de peito e não pelo de costas, ou por não ficar boiando, passivo, repetitivo e diluído, no remanso da tradição. Se de qualquer forma o mar “não estava para peixes”, estava agitado e desconhecido, era mais fácil e, paradoxalmente, mais difícil acompanhar os meus cúmplices e competidores e procurar o risco da minha raia, a possibilidade de minha praia.

Heloisa: Voce estaria dizendo que optou por um caminho individual?

Armando: De jeito nenhum.

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Observações: críticas ou nostálgicas?

Atualizado em 10 de setembro | 6:56 PM

Publicado originalmente na Revista Poesia Sempre, n. 8, ano 5, da Fundação Biblioteca Nacional, em  junho de 1997.

 

Revisitar trabalhos antigos traz sempre uma dor difusa. Ainda mais este, os 26 Poetas Hoje, que se constituiu de certa forma como minhas primeiras impressões digitais profissionais. O que será que hoje, passados 20 anos de sua publicação, eu diria sobre este trabalho?  Não escolhi organizar essa Antologia. Portanto, não foi um crime premeditado, mas seguramente um gesto inocente também não foi. Se houve uma questão que povoou, com ansiedade, toda minha trajetória profissional, foi a das relações entre política e cultura.

Estávamos no início da década de 70, uma época de grande susto e medo, na qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado. Da euforia Tropicalista nas artes e nas manifestações políticas, passou-se à disforia que meu amigo Zuenir Ventura, num certeiro e memorável balanço da década, definiu como o vazio cultural. Mas não é essa a história que me cabe contar nesse momento.

O que interessa é que, por volta de 1972-1973, surgiu, assim como se fosse do nada, um inesperado número de poetas e de poesia tomando de assalto nossa cena cultural, especialmente aquela freqüentada pelo consumidor jovem de cultura, cujo perfil, até então, vinha sendo definido pelo gosto da música, do cinema, dos shows e dos cartoons.

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