anos 60

Ana Cristina César, 60

Atualizado em 2 de outubro | 10:07 AM

Confira a entrevista de Heloisa Buarque e Armando Freitas Filho sobre a poeta Ana Cristina César, exibida no programa Globo News Literatura, em 08/06/2012.

A jovem poeta Ana Cristina César, que se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, se suicidou aos 30 anos. Publicou três livros por conta própria, que depois foram reunidos em uma coletânea.

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O ethos Rachel

Atualizado em 14 de setembro | 6:47 PM

O melhor é por logo os pingos nos is. Rachel de Queiróz, nossa romancista maior, tem hoje uma fortuna crítica reduzida e razoavelmente inexpressiva em relação à posição que ocupa na história da literatura nacional.

Hoje em dia, pouco se escreve sobre seu valor especificamente literário, sobre sua competência na economia da linguagem, expertise que lhe permitiu introduzir uma escrita sóbria, rigorosa, anti-barroca, avessa à qualquer demagogia no moderno romance nordestino. Por que não existem estudos suficientes sobre este seu lugar tão particular no modernismo brasileiro? Ou mesmo agora,  mais recentemente, quando entram em voga os estudos sobre gênero e feminismo nas letras, por que são minimizados sua escrita libertária, seu pioneirismo enquanto escritora mulher, enquanto uma  profissional stricto senso?

Observo uma inexatidão em minha declaração inicial.  Na verdade, a timidez na recepção crítica da obra de Rachel é recente e mesmo contrasta com o espantoso sucesso do lançamento de O quinze. Publicado em Fortaleza em 1930,  este romance, escrito por uma jovem desconhecida de apenas 19 anos, teve uma enorme repercussão em âmbito nacional e explodiu saudado por críticos do porte de Alceu Amoroso Lima,  Augusto Frederico Schmidt, Artur Mota. Daí pra frente, um exame mesmo superficial da trajetória de Rachel de Queiróz vai evidenciar a consolidação da carreira fulminante de um autêntico “fenômeno literário”  como a ela costumavam se referir a crítica e o jornalismo que cobre o período 1930-1960.

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Olhar sobre a cidade

Atualizado em 11 de setembro | 7:10 PM

Eu nunca trabalhei sobre a cidade, nem com a cidade, em área nenhuma. Por isso me pergunto: por que fui convidada para participar deste seminário? E mais grave ainda: porque, sabendo que não sabia, aceitei o convite?  Este foi o problema que me coloquei e, como qualquer problema tem sua razão de ser e seu interesse, vou tentar pensá-lo nesta breve introdução à mesa. Meu trabalho profissional começou nos famosos anos 60, na área da literatura. Tanto a data quanto a área, desde então, marcaram minhas preocupações políticas e teóricas.

Começo pela data: a década de 60, hoje é um mito estranhamente distante e controverso. Quem pensa nos anos 60 geralmente tem duas atitudes: ou os idealizam como um momento excitante, de intensa participação politica, cheio de novidades, de gênios, época de ouro de nossa cultura, ou os subestimam como um momento inconsequente, romântico e voluntarista, responsável, inclusive, pelo “esvaziamento” cultural dos 70, 80, 90.

Prefiro pensar em outra direção: os anos 60, como o último momento, o último berro, de uma sensibilidade moderna. Este não é o lugar para a discussão do projeto moderno, mas estou aqui entendendo a modernidade como um projeto concebido na credibilidade das chamadas narrativas mestras – ou grandes narrativas -, como o marxismo, o liberalismo, o cristianismo etc.

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O declínio da autoria na web & nas artes

Atualizado em 10 de setembro | 6:51 PM

Curiosamente, o tema a teatralidade do humano – ainda que, no mais das vezes, refira-se à práticas artísticas e comportamentais que atravessam a História, encontra um terreno fértil nas práticas artísticas e comunitárias  da web.

Aqui, ela vem em diálogo direto e intenso com as novas práticas identitárias e autorais no ambiente www e seu reflexo na criação off line.

Não fosse assim, a cultura do século XXI não seria tão profundamente marcada pela abertura de um  debate radical acerca da questão da autoria.

Voltando um pouco no tempo, é interessante lembrar que o surgimento da noção de autoria, tal como a experimentamos hoje, vem mais ou menos sincronizada com o ascenso do individualismo e da economia de mercado  pós Revolução Francesa. É nesse momento que surgem as primeiras leis reguladoras da propriedade intelectual como a inglesa copyright e a francesa droit d’auteur. Ainda que com pequenas distinções, ambas geraram um debate forte que já naquela época reforçava os dois eixos do problema: o direito do indivíduo  x o interesse público. O direito do autor, bem como seu corolário a importância da autoria, é, portanto, um direito relativamente novo, que surge gerando polêmicas e cujo DNA sinaliza conflitos de base.

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Modes & Moods

Atualizado em 10 de setembro | 6:46 PM

A ficção brasileira encontrava-se em seu apogeu, sua idade do ouro, o que os americanos poderiam chamar de alto modernismo quando começa a desestabilizar-se tanto pelos primeiros sinais de uma mudança de paradigma na sensibilidade e na produção cultural em sentido mais geral quanto pelas mudanças políticas que a primeira metade da década de 60 trouxe para o cenário brasileiro. A primeira mudança que eu chamaria de forma provisória de inícios de uma sensibilidade pós-moderna, ou seja, o Quarup – virada ainda acreditava em uma saída a guerrilha urbana ainda que herói já seja bastante fragilizado. Fragmentado etc.

O cruzamento da curva da crise do pensamento moderno com o estado de excepcionalidade institucional e uma “modernidade” que nunca deu certo (Darcy Ribeiro, hoje Helio Jaguaribe etc. é um discurso quase que equivalente ao “país do futuro” ou o do “absurdo” tropicalista ao qual o pensamento de esquerda quer por ordem cf Schwartz.) A questão do fanatismo religiosa pm e sua conexão com as tradições de macumba de nossas raízes.

Outro ponto interessante é como intervém sempre nos momento de definição a “desordem da barbárie” para fazer frente ao pensamento organizado “colonial”. Modelo antropofágico até hoje hegemônico resistirá â demanda da pós-modernidade?

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