anos 1960

Ana Cristina César, 60

Atualizado em 2 de outubro | 10:07 AM

Confira a entrevista de Heloisa Buarque e Armando Freitas Filho sobre a poeta Ana Cristina César, exibida no programa Globo News Literatura, em 08/06/2012.

A jovem poeta Ana Cristina César, que se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, se suicidou aos 30 anos. Publicou três livros por conta própria, que depois foram reunidos em uma coletânea.

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Impressões de Viagem – CPC, vanguarda e desbunde | download

Atualizado em 15 de setembro | 11:13 PM

impressoes

Após dez anos fora de catálogo, a Aeroplano Editora relança Impressões de viagem, de Heloisa Buarque de Hollanda. O livro, editado pela primeira vez em 1980, chega à sua quinta edição. Uma percepção refinada da reviravolta na cultura nacional que contém temas que “a universidade brasileira ainda não absorveu ou está absorvendo com dificuldade”, como explica Zuenir Ventura nas orelhas do livro.

As “impressões” dão conta do período final da década de 50 até a queda do Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1978. Em sua viagem, a autora investiga três momentos recentes da produção cultural brasileira: a arte revolucionária do Centro Popular de Cultura (CPC), o Tropicalismo e sua censura à intelligentzia de esquerda, a proximidade com os canais de massa e o desbunde, arte marginal do início dos anos 70, alternativa à produção e veiculação do mercado.

Talvez a extrema proximidade com seu objeto de estudo pudesse atrapalhar no diagnóstico da cultura nos anos 60/70. Mas Heloisa consegue com habilidade manter-se isenta criticamente e enriquecer o trabalho com sua experiência vivenciada. Como afirma Silviano Santiago em texto inédito na quarta capa, a leitura de Impressões de Viagem é moderna e deve ser feita de forma crítica para que, lendo o passado, o presente possa ser melhor esclarecido.

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O ethos Rachel

Atualizado em 14 de setembro | 6:47 PM

O melhor é por logo os pingos nos is. Rachel de Queiróz, nossa romancista maior, tem hoje uma fortuna crítica reduzida e razoavelmente inexpressiva em relação à posição que ocupa na história da literatura nacional.

Hoje em dia, pouco se escreve sobre seu valor especificamente literário, sobre sua competência na economia da linguagem, expertise que lhe permitiu introduzir uma escrita sóbria, rigorosa, anti-barroca, avessa à qualquer demagogia no moderno romance nordestino. Por que não existem estudos suficientes sobre este seu lugar tão particular no modernismo brasileiro? Ou mesmo agora,  mais recentemente, quando entram em voga os estudos sobre gênero e feminismo nas letras, por que são minimizados sua escrita libertária, seu pioneirismo enquanto escritora mulher, enquanto uma  profissional stricto senso?

Observo uma inexatidão em minha declaração inicial.  Na verdade, a timidez na recepção crítica da obra de Rachel é recente e mesmo contrasta com o espantoso sucesso do lançamento de O quinze. Publicado em Fortaleza em 1930,  este romance, escrito por uma jovem desconhecida de apenas 19 anos, teve uma enorme repercussão em âmbito nacional e explodiu saudado por críticos do porte de Alceu Amoroso Lima,  Augusto Frederico Schmidt, Artur Mota. Daí pra frente, um exame mesmo superficial da trajetória de Rachel de Queiróz vai evidenciar a consolidação da carreira fulminante de um autêntico “fenômeno literário”  como a ela costumavam se referir a crítica e o jornalismo que cobre o período 1930-1960.

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Olhar sobre a cidade

Atualizado em 11 de setembro | 7:10 PM

Eu nunca trabalhei sobre a cidade, nem com a cidade, em área nenhuma. Por isso me pergunto: por que fui convidada para participar deste seminário? E mais grave ainda: porque, sabendo que não sabia, aceitei o convite?  Este foi o problema que me coloquei e, como qualquer problema tem sua razão de ser e seu interesse, vou tentar pensá-lo nesta breve introdução à mesa. Meu trabalho profissional começou nos famosos anos 60, na área da literatura. Tanto a data quanto a área, desde então, marcaram minhas preocupações políticas e teóricas.

Começo pela data: a década de 60, hoje é um mito estranhamente distante e controverso. Quem pensa nos anos 60 geralmente tem duas atitudes: ou os idealizam como um momento excitante, de intensa participação politica, cheio de novidades, de gênios, época de ouro de nossa cultura, ou os subestimam como um momento inconsequente, romântico e voluntarista, responsável, inclusive, pelo “esvaziamento” cultural dos 70, 80, 90.

Prefiro pensar em outra direção: os anos 60, como o último momento, o último berro, de uma sensibilidade moderna. Este não é o lugar para a discussão do projeto moderno, mas estou aqui entendendo a modernidade como um projeto concebido na credibilidade das chamadas narrativas mestras – ou grandes narrativas -, como o marxismo, o liberalismo, o cristianismo etc.

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O declínio da autoria na web & nas artes

Atualizado em 10 de setembro | 6:51 PM

Curiosamente, o tema a teatralidade do humano – ainda que, no mais das vezes, refira-se à práticas artísticas e comportamentais que atravessam a História, encontra um terreno fértil nas práticas artísticas e comunitárias  da web.

Aqui, ela vem em diálogo direto e intenso com as novas práticas identitárias e autorais no ambiente www e seu reflexo na criação off line.

Não fosse assim, a cultura do século XXI não seria tão profundamente marcada pela abertura de um  debate radical acerca da questão da autoria.

Voltando um pouco no tempo, é interessante lembrar que o surgimento da noção de autoria, tal como a experimentamos hoje, vem mais ou menos sincronizada com o ascenso do individualismo e da economia de mercado  pós Revolução Francesa. É nesse momento que surgem as primeiras leis reguladoras da propriedade intelectual como a inglesa copyright e a francesa droit d’auteur. Ainda que com pequenas distinções, ambas geraram um debate forte que já naquela época reforçava os dois eixos do problema: o direito do indivíduo  x o interesse público. O direito do autor, bem como seu corolário a importância da autoria, é, portanto, um direito relativamente novo, que surge gerando polêmicas e cujo DNA sinaliza conflitos de base.

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