Ana Cristina César

Ana Cristina César, 60

Atualizado em 2 de outubro | 10:07 AM

Confira a entrevista de Heloisa Buarque e Armando Freitas Filho sobre a poeta Ana Cristina César, exibida no programa Globo News Literatura, em 08/06/2012.

A jovem poeta Ana Cristina César, que se destacou na década de 1970 por seu estilo intimista, se suicidou aos 30 anos. Publicou três livros por conta própria, que depois foram reunidos em uma coletânea.

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26 Poetas Hoje | download

Atualizado em 9 de janeiro | 2:49 PM

A antologia 26 Poetas Hoje marcou época ao apresentar a poesia marginal, trazendo, em plena vigência da censura, o testemunho da geração AI5 e sua dicção coloquial, irreverente e bem humorada. Uma obra clássica para os interessados em poesia contemporânea, agora revista e já em terceira edição. Participam desta edição Ana Cristina César, Torquato Neto, Geraldo Carneiro, Waly Salomão, Chacal, Bernardo Vilhena, Capinan, entre outros.

26 Poetas Hoje (Aeroplano, 2007, 6. ed.)

ISBN: 85-86579-04-2
Formato: 11,5 x 18 cm
Número de páginas: 272

 

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Apresentação da 2. edição

Esta antologia é certamente datada. Nesta segunda edição, 22 anos depois, procurei evitar qualquer alteração em sua forma original, atendo-me apenas à atualização biobibliográfica das notas finais sobre os autores nela reunidos.

Esse movimento quase institivo de “tombar” a atmosfera política e cultural daquele momento no qual esse trabalho foi realizado, coloca também como pouco atraente a idéia de escrever uma nova introdução. Deixo apenas aqui resgistrada um pouco da história e do contexto de realização desse trabalho.

Estávamos no início da década de 70, um momento no qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado.

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Feminismos Contemporâneos – Introdução

Atualizado em 14 de setembro | 7:38 PM

O feminismo, cujos marcos remontam ao século XIX, consolidou-se definitivamente no século XX. As conquistas das mulheres no mercado de trabalho, no espaço público, na arena política, no campo da produção de conhecimento e da cultura foram muitas e decisivas. A visibilidade do protagonismo das lutas feministas nas mais diversas frentes, reivindicações e ocupação de espaços valeu às mulheres não apenas um número bastante expressivo de vitórias mas ainda a designação de o século das mulheres para o século XX. As surpreendentes estatísticas disponíveis, produzidas nos últimos anos,  comprovam a propriedade dessa designação.

Apesar deste consenso e ao lado da diluição progressiva e aparentemente irreversível do quadro de referências teóricas e ideológicas no qual nós, feministas,  nos movíamos com tanta  paixão e determinação, o feminismo vem mostrando um certo desgaste na imprensa e na opinião pública. Além disso, uns tempos pra cá, as novas gerações parecem subestimar o ideário político da militância feminista, ainda que reconhecendo o valor e o impacto cultural e econômico das conquistas desta militância. Em meio a uma retórica de efeito (e de má fé) que produz declarações como “As mulheres voltam ao lar por perceber as perdas que o feminismo trouxe”, “As mulheres não sabem o que fazer com a liberdade que conquistaram”, e outras tantas, o que fica sinalizado é que o novo milênio teriam que oferecer às mulheres  caminhos menos ideológicos e mais realistas do que aqueles que as mulheres se impuseram no século passado.

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A poesia marginal

Atualizado em 9 de setembro | 6:26 PM

O que hoje é conhecido como poesia marginal pode ser definido como um acontecimento cultural que, por volta  de 1972-1973,  teve um impacto significativo no ambiente de medo e no vazio cultural, promovidos pela censura e pela violência da repressão militar que dominava o país naquela época, conseguindo reunir, em torno da poesia, um grande público jovem, até então ligado mais à música, ao cinema, shows e cartoons.

Historicamente, os primeiros sinais editoriais da poesia marginal foram os folhetos mimeografados Travessa Bertalha de Charles Peixoto e Muito Prazer de Chacal, ambos de 1971. Duas outras publicações também marcaram as fronteiras desse novo território literário. São elas: Me Segura qu’eu vou dar um troço de Waly Salomão (1972) e a edição póstuma de Últimos Dias de Paupéria, de Torquato Neto, (1972).  Em 1973, a poesia marginal já aparece como categoria poética nos encontros Expoesia I, na PUC RJ  e Expoesia II em Curitiba. No ano seguinte, o evento PoemAção, três dias de mostras e debates, no MAM RJ, com grande afluência de público, comprovou a presença literária dos marginais na cena poética da época.

O termo marginal (ou magistral como dizia o poeta Chacal), ambíguo desde o início, oscilou numa gama inesgotável de sentidos: marginais da vida política do país, marginais do mercado editorial, e, sobretudo, marginais do cânone literário.

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POESIA HOJE

Atualizado em 19 de agosto | 6:12 PM

José – ago.1976 – n.2

  

            Numa Ipanema de sábado, às três da tarde (uns com mais e outros com menos arrependimento, portanto) reuniram-se, para conversar com José, Heloisa Buarque de Holanda, Ana Cristina César, Geraldo Eduardo Carneiro e Eudoro Augusto.

            O motivo foi o aparecimento momentoso, alguns meses atrás, da antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloisa e da qual os outros três participaram.  A publicação, que tem sido objeto de resenhas favoráveis, resenhas neutras e resenhas desfavoráveis, é assunto para muito debate e muita discussão, pelo que o éter anda cheio de argumentos e poetas e leitores se atropelam com as sílabas dos versos desta talvez nova poesia brasileira.

            JOSÉ chamou seu conselho editorial, Luiz Costa Lima, Sebastião Uchoa Leite, Jorge Wanderley e Sérgio Cabral (que não pôde vir) para receber seus convidados.  Qual a origem desta poesia, qual o seu embasamento gerador, suas características e relações com outros movimentos contemporâneos e passados, de onde vem e para onde pretenderia ir – são perguntas que todos gostaríamos de ver colocadas, se não esclarecidas.  JOSÉ se serve deste encontro para afirmar que entende assim sua linha editorial: aberta a prosadores e poetas de todas as gerações e tendências, mesmo que para isto sacrifique os seus sábados, bem diante do mar…(J.W.)

 

A conversa foi mais ou menos assim:

 

Luiz – Heloisa, a partir de sua fala inicial, dessa curta informação que você nos der, a gente começa a debater alguns aspectos da Antologia. 

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