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Heloisa Buarque de Hollanda e o longo caminho da academia para as periferias

Atualizado em 28 de outubro | 11:38 AM

Publicado originalmente por Angelo Mendes Corrêa no Verbo21, em outubro 2010.


Paulista de Ribeirão Preto, ainda pequena Heloísa Buarque de Hollanda transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família. Lá cursou a graduação em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) e o mestrado e doutorado em Teoria da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Columbia University, em Nova York, fez pós-doutorado na mesma área. Em 2009, após mais de quatro décadas de intensas atividades na UFRJ, aposentou-se na condição de livre-docente. De forma paralela à docência e à pesquisa, atuou como jornalista, com passagem pelo Jornal do Brasil; radialista, na Rádio MEC; apresentadora de televisão, na TVE/RJ; diretora do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e editora, dirigindo a Aeroplano, voltada para projetos editoriais alternativos, além de ter sido a organizadora da importante antologia 26 Poetas Hoje, em 1976, que significou verdadeiro marco na história recente da literatura brasileira. Nesta entrevista , além de relembrar os momentos mais marcantes de sua prolífica e ímpar trajetória , contou sobre sua paixão mais recente: a Universidade das Quebradas.

Fato que muitos desconhecem é que você nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

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Tribuna da Imprensa

Atualizado em 19 de agosto | 6:22 PM

1) Quais diferenças apontaria entre a Aeroplano e outras editoras?

Acho que como os sócios da Aeroplano são um mix de intelectuais e artistas, seus  livros acabam tendo um perfil mais conceitual mesmo. Pelo menos a cada livro que chega , nos reunimos e aí é aquela viagem para imaginar  como “ele vai ser quando crescer” ….

2) Qual perfil do público leitor?

Acho que o público interessado em tendências da cultura.
3) As publicações são exclusivamente nas áreas de cultura e arte?

São. Namoramos também uma linha infantil mas ainda não tivemos bala para isso.

4) Há espaço para ficção e romance?

Acho que pelo menos por hora não. Esse segmento pede uma organização e uma atitude editorial mais comercial, mais profissional e a gente é , por vício, mais experimental.

5) Vocês têm muitos títulos de cinema… Influência de Lula e Luiz?

Certamente. Mas, por outro lado, a Aeroplano tem uma certa queda  em abrigar os “marginais” . O livro de cinema não encontra espaço confortável em editoras comerciais.

 

6) Aliás, como funciona a questão editorial? Como se decide sobre o que publicar ou não?

Como somos todos profissionais de outras áreas fazendo uma atividade editorial, essa decisão termina sendo muito em cima de nosso próprio perfil.

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Jornalismo cultural e mercado literário

Atualizado em 19 de agosto | 4:22 PM

Março de 2009

 

A principal crítica que se faz hoje ao jornalismo cultural, principalmente ao dos veículos impressos, é ser demasiadamente pautado pelo mercado em todas as áreas: cinema, literatura, teatro, etc. A senhora concorda com esta crítica? O jornalismo cultural da grande imprensa a seduz ou a irrita?

H: Eu acho que temos que dar um desconto para os suplementos e não pensar como se eles fossem independentes do jornal. Os suplementos fazem o que podem e, o que é mais importante, SOBREVIVEM. Tenho certeza de que os jornalistas, especialmente na área da literatura que é minha área, adorariam publicar matérias tudo o que sai e fazer uma política editorial inovadora e de traços independentes. Mas o próprio jornal está com grandes problemas financeiros e a primeira coisa a ser cortada é claro que seriam os cadernos literários.  É claro que o sonho é que esses suplementos tivessem um perfil independente. Mas nesse momento eu dou graças adeus por eles existirem ainda.

De que maneira o jornalismo cultural consegue ser um retrato da produção atual brasileira? Ou é apenas um esboço, levando em consideração a verdadeira avalanche que inunda a imprensa diariamente? A vastíssima produção do mercado editorial brasileiro é um exemplo claro da angústia que ronda qualquer editor de cultura.

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Literatura Contemporânea

Atualizado em 18 de agosto | 5:52 PM

 1 – É possível fazer hoje uma cartografia da literatura contemporânea? Existem algumas especificidades estéticas capazes de definir essa produção? 

R: Com a entrada da internet na “vida da literatura”, das formas digitais de impressão e acabamento de livros mais baratas e ágeis e com o tsunami da periferia afirmando uma nova  dicção literária, não há como continuar trabalhando com o mapeamento çlássico que informa a historiografia literária.  Essas alterações emergentes são muito novas e desconcertantes do ponto de vista dos modelos canônicos vigentes para a literatura mas, não tem jeito, temos que enfrentá-los se não quizermos perdermos o bonde da História. 

2 – Se uma das características dos jovens poetas e ficcionistas atuais é terem nascido (ou sua literatura) na internet, especialmente com a publicação de seus escritos em blogs, você acha que ela redefine a literatura atual? 

R: Ela certamente não redefine a literatura atual mas expande o campo de atuação e criação do autor e disponibiliza para o escritor jovem (ou não tão jovem)   modos e lógicas diferenciadas de criação produção,  divulgação e comercialização dos produtos literários. 

3 – Você tem se dedicado à criação de um acervo documental sobre a produção  das minorias, os Arquivos de Cultura Contemporânea, um dos projetos do Programa Avançado de Literatura Contemporânea (PACC) que você coordena na UFRJ.

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Editora Senac

Atualizado em 18 de agosto | 5:21 PM

Informativo Editora Senac 25 de junho 2005

 

– Por que decidiu relançar o livro Anos 70: ainda sob a tempestade? Qual (is) foi (foram) o(s) gancho(s) para que a obra ainda fosse relevante nos dias de hoje?

Foi a percepção do interesse de toda uma demanda jovem que não teve oportunidade de ter informações sobre o período e que pedia os livrinhos para xerox compulsivamente. Cursos na Universidade também eram ministrados invariavelmente com xerox deste material Enfim, a hora era boa e a gente sacou isso.

– O livro tem tido uma boa acolhida na imprensa e público. A que atribui o sucesso de Anos 70: ainda sob a tempestade?

Acho que a resposta é parecida com a primeira: a falta de material de época sobre um tempo ainda praticamente desconhecido pelos estudantes, jovens artistas etc.

– O que considera datado e atual nas discussões presentes na obra? Quais foram os caminhos que se confirmaram em relação à cultura no país, e os desvios?

Curiosamente a margem de acerto foi grande. E digo curiosamente porque estes artigos foram escritos ainda sob censura e repressão. Então a autocensura, a pior de todas, estava em pleno funcionamento acrescida de uma boa dose de paranóia que era o sentimento geral no momento.

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