26 Poetas Hoje

Trabalhos acadêmicos que fazem a diferença na periferia

Atualizado em 1 de agosto | 9:53 AM

Cultura, literatura, tecnologias digitais e produção das periferias se encontram nos trabalhos da professora, jornalista, ensaísta e pesquisadora Heloísa Buarque de Hollanda. Paulista de Ribeirão Preto, Heloísa graduou-se em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) e fez mestrado e doutorado em Teoria da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Columbia University, em Nova York, fez pós-doutorado na mesma área.

É professora emérita da UFRJ, onde coordena o Projeto Avançado de Cultura Contemporânea. No Jornalismo, atuou em diversos meios de comunicação, apresentando programas na TV e rádio e colaborando com veículos impressos e virtuais.Também exerceu funções de cunho executivo, sendo responsável pela direção do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ), entre 1983 e 1984.

Atualmente, Heloísa é diretora da Aeroplano Editora, voltada para projetos editoriais alternativos e curadora de um portal sobre cultura contemporânea. Autora de importantes publicações para a cultura brasileira e idealizadora de projetos que integram periferia e universo acadêmico, a pesquisadora conversou com o Ecaderno e contou sua trajetória profissional e as dificuldades e resultados de seus trabalhos.

Você ingressou na faculdade com apenas 17 anos. Houve incertezas na hora de escolher qual carreira seguir?

Hoje eu sinto que não escolhi na realidade.

Continue lendo »

Cacaso – Ícone da poesia marginal

Atualizado em 10 de julho | 10:25 PM

Publicado originalmente por Guido Arosa no Jornal da UFRJ n. 61, de jun/jul de 2011.


“Passou um versinho voando, ou foi uma gaivota?” É essa a concepção perecível de poesia de Antônio Carlos de Brito, considerado o ícone da poesia marginal brasileira, nascido na cidade mineira de Uberaba, em 1944. Eternizado pelo apelido “Cacaso”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos e, logo depois, por seu talento para o desenho, publicou caricaturas de políticos na imprensa carioca. Já a poesia veio antes dos 20, por suas letras para músicas dos amigos Elton Medeiros e Maurício Tapajós.Cacaso lecionou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), nos anos 1960 e 1970. Colaborador das revistas Movimento e Opinião, lançou sua primeira obra poética,  A palavra cerzida, em 1967. É partir de então que se dá seu engajamento político-social e a consolidação de sua poesia crítica, livre e irônica – no pós-modernismo poético conhecido por “geração mimeógrafo”, pelo qual a poesia marginal se consolidou.

No sufoco

Em plena ditadura militar, com a falta de espaço em editoras tradicionais para suas poesias, Cacaso e outros intelectuais, como Chacal e Ana Cristina Cesar, passam a difundir seus escritos através de cópias mimeografadas. É em 1976, com a antologia 26 poetas hoje, de Heloisa Buarque de Hollanda, que passam a ser divulgados e destacados os “poetas perecíveis”: “Desde 1968, a gente era mais ou menos um grupo coeso e começamos a nos interessar juntos pela poesia marginal, como uma forma de resistência ao golpe de 1964”, afirma Heloísa Buarque, que é professora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.

Continue lendo »

O pessoal é político

Atualizado em 29 de novembro | 9:20 AM

Trabalho sobre Poesia Marginal, por Michelle Lopes.

A Poesia Marginal surgiu pela necessidade de expressão em meio a opressão da Ditadura Militar no Brasil aproximadamente na década de 70 na cidade de Rio de Janeiro e se espalhou por cidades de São Paulo. Minha pesquisa se baseou na hipótese de que pessoas que não se conhecem e que participaram do movimento pudessem ter vivido momentos em comum devido a sua participação. Assim, realizei entrevistas com duas mulheres de cidades diferentes e que não se conhecem: a organizadora da antologia 26 poetas hoje, Heloisa Buarque de Hollanda, e a poeta Dulce Adorno. Analisei a antologia, a autobiografia e o livro que garantiu a Heloisa seu doutorado em Literatura e também o livro de poesias não publicadas de Dulce. Minha pesquisa concluiu que os participantes e observadores deste movimento acompanharam a efervescência dos acontecimentos e pensamentos da época e que elas, assim como outras pessoas distintas do movimentos, fizeram com que este tomasse forma através de suas reflexões, estudos e poemas.

 

 

Apresentação-Michelle Lopes from admin on Vimeo.

Continue lendo »

26 Poetas Hoje | download

Atualizado em 9 de janeiro | 2:49 PM

A antologia 26 Poetas Hoje marcou época ao apresentar a poesia marginal, trazendo, em plena vigência da censura, o testemunho da geração AI5 e sua dicção coloquial, irreverente e bem humorada. Uma obra clássica para os interessados em poesia contemporânea, agora revista e já em terceira edição. Participam desta edição Ana Cristina César, Torquato Neto, Geraldo Carneiro, Waly Salomão, Chacal, Bernardo Vilhena, Capinan, entre outros.

26 Poetas Hoje (Aeroplano, 2007, 6. ed.)

ISBN: 85-86579-04-2
Formato: 11,5 x 18 cm
Número de páginas: 272

 

> Clique aqui para fazer o download de 26 Poetas Hoje

 

Apresentação da 2. edição

Esta antologia é certamente datada. Nesta segunda edição, 22 anos depois, procurei evitar qualquer alteração em sua forma original, atendo-me apenas à atualização biobibliográfica das notas finais sobre os autores nela reunidos.

Esse movimento quase institivo de “tombar” a atmosfera política e cultural daquele momento no qual esse trabalho foi realizado, coloca também como pouco atraente a idéia de escrever uma nova introdução. Deixo apenas aqui resgistrada um pouco da história e do contexto de realização desse trabalho.

Estávamos no início da década de 70, um momento no qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado.

Continue lendo »

Observações: críticas ou nostálgicas?

Atualizado em 10 de setembro | 6:56 PM

Publicado originalmente na Revista Poesia Sempre, n. 8, ano 5, da Fundação Biblioteca Nacional, em  junho de 1997.

 

Revisitar trabalhos antigos traz sempre uma dor difusa. Ainda mais este, os 26 Poetas Hoje, que se constituiu de certa forma como minhas primeiras impressões digitais profissionais. O que será que hoje, passados 20 anos de sua publicação, eu diria sobre este trabalho?  Não escolhi organizar essa Antologia. Portanto, não foi um crime premeditado, mas seguramente um gesto inocente também não foi. Se houve uma questão que povoou, com ansiedade, toda minha trajetória profissional, foi a das relações entre política e cultura.

Estávamos no início da década de 70, uma época de grande susto e medo, na qual as universidades, o jornalismo e a produção cultural,  à imagem e semelhança do Congresso, entraram em recesso por tempo indeterminado. Da euforia Tropicalista nas artes e nas manifestações políticas, passou-se à disforia que meu amigo Zuenir Ventura, num certeiro e memorável balanço da década, definiu como o vazio cultural. Mas não é essa a história que me cabe contar nesse momento.

O que interessa é que, por volta de 1972-1973, surgiu, assim como se fosse do nada, um inesperado número de poetas e de poesia tomando de assalto nossa cena cultural, especialmente aquela freqüentada pelo consumidor jovem de cultura, cujo perfil, até então, vinha sendo definido pelo gosto da música, do cinema, dos shows e dos cartoons.

Continue lendo »