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Sobre livros, leituras, palavras & afins

Atualizado em 11 de dezembro | 8:48 AM

Vou me permitir responder ao convite da Superintendência da Leitura e do Conhecimento do Rio de Janeiro, para produzir um texto sobre bibliotecas, não como uma profissional do livro, mas como uma pessoa que no momento está apostando alto no livro, ou melhor, na palavra, como instrumento estratégico de transformação em vários níveis e perspectivas. Neste sentido, vejo hoje, no meu campo de trabalho que é o das microtendências culturais, uma agitação bastante focada na potencialidade da palavra como um recurso precioso para a experiência estética, mas também, o que é novidade,  social e econômica. Talvez por isso eu tenha ficado tão atraída pela declaração de Umberto Eco no final do século passado. Dizia ele em um seminário chamado o Futuro do Livro: Se o século XX foi o século da imagem, o Século XXI será o século da palavra. E todos os sinais indicam que o mestre estava certo.

Vou aqui, na realidade, oferecer um breve roteiro dos diversos panoramas de usos da palavra que estão me mobilizando nesse momento. Segue o roteiro com sete paradas:

1. Questão de tempo. Eu sou de uma época em que o livro – a biblioteca, a leitura – era um fato e um feito para poucos. Sem querer declarar minha idade, mas tendo que sugeri-la por motivos operacionais, sou de uma geração que frequentou o colégio na década de 1950 e ingressou na Universidade no início dos anos 1960. Estávamos numa época marcada pela separação bem nítida entre cultura de massa e cultura de elite. Essa última evidenciava essa distinção com experimentações só acessíveis ao iniciados , sendo a cultura sentida pela maioria como uma esfera autônoma e bem distinta da economia. Nesse quadro, o livro tinha seu lugar especial, carregado de simbologia enquanto signo cultural e, de certa forma, enquanto marca de certa classe social, tornando-se, para alguns, inclusive, um fetiche.

    Cinquenta anos depois e já num novo século, o panorama é radicalmente diferente. Termos antes impensáveis, como capitalismo cultural, era do acesso,  fluxos culturais transnacionais ou culturalização da experiência urbana, fazem parte de nosso vocabulário. A cultura, antes sentida uma esfera autônoma da produção e restrita a poucos, hoje é um valioso eixo econômico, permeia praticamente todos os setores produtivos e deve, idealmente, ser acessível a todos.

    Como consequência, pensar o livro e a leitura hoje só faz sentido se os pensarmos nesse novo quadro de culturalização, da economia da cultura, ou melhor, economia criativa, direito ao conhecimento e ao livre acesso à cultura. E neste quadro, ainda que o livro continue, o que é ótimo, mantendo sua aura e mesmo seu antigo sabor de fetiche, algumas outras experiência e interpretação do valor-livro estão emergindo. O certo é que a experiência da leitura e o livro ganharam novas e múltiplas configurações. Para lidar com isso, como é sempre sensato fazer em campos culturais em processo e/ou emergentes, o melhor é como diria Oswald de Andrade “ver com olhos livres”. O que eu, pessoalmente traduzo como: suspenda seus juízos de valor, pense o mínimo que conseguir e apenas observe o momento com atenção flutuante e um ouvido tamanho máximo.

    O livro, a escrita e a leitura estão sinalizando um caminho de mudanças estruturais. É um privilégio para todos nós participarmos desse caminho e desse momento.

     

    2. Não é de hoje no campo das letras. Me parece que não seria exagerado afirmar (ou sentir) que  a experimentação literária ao longo do século XX pode ser vista como uma luta quase épica (e bela) com os limites da página, do papel e da própria ideia moderna de literatura. É difícil pensar em Malharmé , James Joyce , Italo Calvino, Guimarães Rosa, Jorge Luiz Borges, Cortázar e milhares de outros grandes autores modernos,  sem visualizar esse confronto heroico com os limites dos suportes do formato livro e das convenções literárias clássicas.  É a palavra querendo se desdobrar em vários caminhos e atalhos de sentido, é o esforço para vencer o espaço físico e linear da página, é o trabalho insano de desmontagem e reconstrução de fraturas, unidades, fragmentos, é a palavra que chega a conseguir quase colocar-se em movimento, é a busca da ampliação violenta da sonoridade de cada palavra, cada sílaba, cada unidade fonética.  Lembro da verbalização dessa luta na proposta concretista de uma poesia verbo-voco-visual no meio do século.

      Portanto, ao contrário do que possa parecer , a internet e as mídias digitais, por si só, não são responsáveis pelo turbilhão de mudanças que se anunciam nas áreas do livro e da leitura. Tudo indica que, na realidade, essa transformação responde a uma longa e lenta demanda de interpelações de fronteiras e procedimentos.

      Tenho que me policiar porque não cabe aqui ceder à iminente tentação de discorrer sobre as novas características dos usos da palavra na literatura dessa geração familiarizada com a vida www  e sobre o atual processo de explosão da palavra, em todas as suas formas, dicções, gramáticas, sintaxes bem como sua interação com linguagens e interlocutores. Temos ainda a emergência de uma nova oralidade, com características próprias que começam a ser tema dos estudos da palavra falada. Vou resistir. Focarei só um desses pontos, voltando ao roteiro proposto.

       

      3. A palavra expandida. Uma noção chave da criação e dos estudos digitais hoje e o que chamamos de narrativas transmídia. Transmídia não é o mesmo do que multimídia, ou seja, uma obra ou produto que se utiliza de várias mídias.  Uma criação transmídia, por sua vez, lança mão simultaneamente de vários suportes e metodologias de criação (por exemplo, do design, do vídeo, da animação,  da literatura)  para criar novos formatos de expressão que não se identificam especificamente com nenhuma das mídias que constituem seu DNA. Uma criação transmídia define novas linguagens muitas vezes ainda não codificadas. O filme Avatar, por exemplo, com sua metodologia de produção com câmeras aderidas ao corpo, uma equipe técnica com predomínio de designers e um vasto universo cenográfico feito de cruzamentos de mídias e linguagens, acirrou o debate da vez sobre o destino do cinema. Mas nosso caso é a literatura. Pois bem. Os jovens poetas hospedados na web já começam a anunciar novas práticas da palavra-movimento, palavra-som, palavra-imagem, da palavra-game. Esta produção, tanto pelo comportamento criativo como pela natureza da invenção, muitas vezes se afasta do que entendemos por literatura, seus valores, seus paradigmas, seus cânones ou das formas tradicionais do consumo hermenêutico do texto literário. Parece mesmo que outra forma de arte da palavra está surgindo no nosso horizonte. A essas novas práticas, podemos chamar de (ou pensar como) palavra expandida. Neste sentido, toda atenção aos desdobramentos dessa forma de criação, particularmente atraente para as tribos jovens, é pouca nesse momento. É importante, ao pensar o livro e seus usos, dar um foco especial nas múltiplas plataformas da palavra expandida, que geram novas formas de percepção e novas leituras do mundo , assim como usuários com comportamentos ainda pouco conhecidos e estudados. Que nosso trabalho de mediação e formação de leitores não minimize esses desdobramento criativos porque eles certamente ainda nos trarão grandes surpresas e, provavelmente, alegrias.

      4. A palavra como recurso. Fora do universo digital, a palavra parece também estar sendo expandida do ponto de vista de sua função social: surge em altíssimo e bom som, especialmente nas periferias urbanas, a palavra não apenas como expressão ou comunicação, mas também a palavra como recurso. Recurso educativo, recurso econômico, recurso de inclusão cultural e social.

      Uma sinalização nada desprezível disso é a proliferação dos saraus literários e de poetas, cronistas e romancistas nas periferias. No campo da criação literária e, principalmente, no da formação de leitores os saraus são, sem dúvida, fenômeno inédito e à parte. Os saraus já representam uma rede significativa de escritores/leitores na periferia paulista e, no caso do Rio de Janeiro, um movimento insipiente, mas já claramente promissor. Vejamos. A literatura chega às favelas e afins via hip hop, o que já define seu perfil diferenciado.  Muito próxima (talvez descendente) do rap, ou poesia falada, a literatura marginal, divergente ou periférica (autodenominações mais recorrentes entre seus autores) não distingue entre arte e ativismo entre criação de texto e criação de leitores. “Trata-se de uma literatura que não propõe só um novo escritor, mas também um novo leitor. De um poeta que sai do casulo e se alia à sua comunidade, seu município e ao seu país. Um artista-cidadão”. (Sergio Vaz)

      Hoje, são tantos os saraus de literatura periférica dignos de menção de não me aventuro a fazê-lo. Falo só do já histórico Sarau da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), criado e levado com mão forte pelo poeta Sergio Vaz. O sarau da Cooperifa, que acontece religiosamente todas as quartas-feiras no Bar Zé do Batidão, congrega um público participante de regularmente 400 pessoas por semana, número que, para um sarau de poesia, convenhamos, é espantoso.  Aqui, vários fatores se cruzam. A literatura mediada pelo rap; o livro explicitado como um direito e um recurso primordial de inclusão; a experiência da competência na instrumentalização da palavra como poder; o sarau como um evento de dicção religiosa, local de expressão individual, de socialização, de formação de comunidades culturais. Os saraus são ainda espaços de fortalecimento cultural dentro de seus territórios (ou CEPs), tornando-se referência para os moradores e, enfim , (sem exagero) de salvação. Vou citar apenas duas falas de Vaz para dar o tom desses rituais poéticos. Diz o poeta sobre as noites de poesia, no caso, o evento Chuva de Livros, no qual “chovem livros” que algumas editoras disponibilizam para a ocasião:  “Povo lindo, povo inteligente, a chuva de livros que aconteceu no sarau da Cooperifa ontem, mais parecia uma tempestade, e os livros encharcaram nossos corações, que não eram poucos, nem os livros, quase 600, nem os corações, quase 500 pessoas, e como num romance fantástico de Garcia Márquez, a periferia do extremo sul de São Paulo, transformou-se em Macondo e todos os seus habitantes, alquimistas por precisão, transformaram sonhos em livros. E livros, em possibilidades. (…) Não há palavras que definam como foi a nossa noite, a gente ali, juntos, comungando a palavra ao mesmo tempo em que os livros caiam em nossas mãos e, depois de tanto tempo, foi simplesmente maravilhoso. Catártico.”

      A segunda citação que deixo aqui é sobre uma estranha, mas comprovadamente eficaz metodologia de formação de leitores: “Usamos a mesma tática do tráfico de drogas. Damos os primeiros livros de graça, depois que a comunidade se viciar, cada um que dê um jeito de sustentar o seu vício – apesar de que se tem sempre uma biblioteca no Zé Batidão para emergências. Não deve ser fácil cheirar um livro de 400 páginas. A Cooperifa é a boca de livro da quebrada.”

      Essas citações são e não são apenas curiosas. Ambas, se submetidas a uma leitura séria e focal, podem render um belo e gordo estudo sobre o livro e a leitura.

      Além de suas tecnologias particulares de aproximação entre o leitor e o livro, a literatura marginal traz ainda duas sugestões não desprezíveis. A primeira é que o escritor que, desde o começo do século passado havia se imbuído da missão conscientizadora e política, hoje descobre outra modulação para sua revolução através de uma forma de ativismo mais local, focal e imediata. Este escritor não quer revolucionar o mundo, ele quer garantir para sua comunidade, o acesso à leitura e aos privilégios sociais que a leitura acarreta.

      A segunda é marcar com clareza os efeitos da leitura e do estudo como recursos estratégicos para geração de renda e ascensão social e política. Para isso, entram em ação e, paralelamente ao prazer da criação literária, colocam mãos à obra e fazem intervenções e oficinas de poesia periódicas em escolas e criam bibliotecas comunitárias e livrarias imaginativas ambas mista de centro culturais com linguagens classificatórias, cenográficas e documentais inéditas no ramo. Aqui o que chama atenção é o trabalho em bibliotecas bastante adequado ao ethos de suas comunidades, e a criação e implementação de um calendário de convivência em torno da literatura. Seria interessante mapear os nomes dos projetos  e programas de leitura bem sintomáticos como, por exemplo, Ler é 10, Ler é Poder e por aí vai. O resultado parece, ainda que localizado, invejável para nós que tanto tempo dedicamos ao ensino e à formação de leitores.

       

      5. Comunidades de leitura e conhecimento. A grande novidade da web é que ela define uma cultura de troca que nunca teve como hoje seu espaço oficial.  Pierre Lévy, há já bastante tempo e em estudos pioneiros, mostrou e demonstrou  como a estrutura  descentralizada e nodal da internet gera novas formas de criação e produção .  Estes estudos nos deram dois conceitos chaves para os estudos digitais que são os de comunidade de conhecimento e inteligência coletiva, mudanças radicais dos paradigmas da produção de conhecimento do século XX.

        Novamente, me controlo para não fugir ao devido por este texto que são as políticas do livro. Só devo sublinhar que o espaço aberto pela web, além do campo experimental  que disponibiliza para a criação e consumo da literatura, apresenta um efeito colateral nada desprezível que vem a ser o surgimento de críticos informais que passam a responder, comentar e interagir com o trabalho destes criadores. Isso implica também na volta de um fenômeno há muito desaparecido que é a vida literária, ou seja, um movimento de reações , comportamentos, respostas e debates em torno da literatura ,  que aponta claramente  para a formação de um público ativo de autores e leitores. A leitura ativa e participativa na internet gerou ainda o que me parece um gênero, ou  melhor, uma prática literária nova que ainda não mereceu a atenção de vida. Penso na fanfiction, uma comunidade de leitores que se aventura na reescrita ou no preenchimento de lacunas ou na participação ativa no universo narrativo dos textos que apreciam. A comunidade de fãs em atividade contínua reunida em torno de Harry Poter é imbatível e conta, até ontem, com 468.738 comunidades cada um com um número alto de participantes. Entretanto, uma visita ao Fanfics Brasil – rede social de fanfic e webnovela-  ou ao site Nyah! – focado em literatura-, sites que congregam comunidades brasileiras, veremos que, por exemplo, Machado  de Assis pode ser, surpreendentemente, um best seller entre jovens leitores.  Assim como o fanfic (como é chamado), as novas práticas literárias mostram desdobramentos de comportamentos da leitura que impedem que possamos pensar em políticas de leitura sem passar, necessariamente, por essa recente revitalização do trato com o texto independente do suporte que esteja sendo utilizado. A paixão e o envolvimento com o texto nessas comunidades jovens chegam ao ponto da literatura invadir os festivais de cosplay que, não raro, ficam povoados com Capitus, Moreninhas, Bentinhos et allii.

        Só com esse pequeno exemplo dos subterrâneos da tsunami digital que vem nos assomando, já podemos pensar em duas direções distintas: a da criação e da crítica e das comunidades de leitores. Observando esta última, fica comprovado que o público de jovens leitores é fortemente estimulado pela lógica participativa. As comunidades de leitura e leitores com suas variáveis estão adquirindo escala e potencial crítico e criativo inéditos no campo da leitura. A exploração desse potencial através de ambientes de criação, atividades pedagógicas estimuladas por editais, concursos e espetáculos me parece estrategicamente indispensável.

         

        6. Economia da literatura. Hoje são agenda para todos nós as questões ligadas à economia criativa e à consequente otimização econômica das atividades de criação e produção cultural.  No nosso caso, é interessante pensar a cadeia produtiva do livro e políticas para a profissionalização do setor. Na Universidade das Quebradas, projeto de articulação entre a academia e artistas e intelectuais da periferia, que coordeno na UFRJ, ofereço bolsas para oficinas e pequenos cursos abertos na cidade.  Este é o grande momento do projeto. Os alunos QUEREM muito ter acesso ao que existe na agenda da cidade e que, por motivos econômicos, não têm acesso. Descobri, na prática das Quebradas, que a estratégia de oferecer bolsas incentiva o transito pela cidade e por diversas culturas, grupos e linguagens culturais. Na área do livro – criação, produção e comercialização -, vários cursos e oficinas são oferecidos  na cidade e uma iniciativa de editais ou concursos para bolsas de entrada nessas oficinas têm efeito ampliado.

          De qualquer forma, uma escola do livro seria muito bem vinda no âmbito das bibliotecas nesse momento em que o mercado do livro enfrenta o desafio da produção editorial em vários suportes e novos modelos de negócio.  O novo profissional do livro ainda não existe ou está em formação. É a hora da capacitação em editoração, copydesk, tradução, design gráfico, novas mídias e  novos formatos de distribuição e comercialização.  De oferta de estágio em feiras, editoras, festivais literários. Enfim, de formação profissional continuada para a participação na economia e no mercado do livro. Esqueci um pequeno ponto: diante do prestigio atual dos saraus e performances que abrigam a tendência da nova poesia falada tenho recebido inúmeros pedidos para formação em cenografia e mis-en-scène para ….. poesia. Surpreendente.

           

          7. A posse do território. A ideia de território é, já há algum tempo, uma bandeira política nas periferias. Mas, mesmo fora das periferias, a geografia pós-moderna debruça-se, hoje, com afinco, sobre as reconfigurações de territórios diante do impacto dos  fluxos culturais e econômicos na globalização e da velocidade e alta incidência de fluxos  migratórios. Portanto, a preocupação com as políticas  da territorialidade não pode estar ausente de nossas bibliotecas.

            A capa do segundo caderno do jornal O Globo de 30 de maio de 2012 trazia a manchete inspiradora: ARTE NÃO É ARTIGO DE LUXO . A manchete dizia respeito à matéria, também de primeira página, sobre o movimento Occupy Museums. Noah Fischer, o líder do movimento, inspirado no recente Occupy Wall Street, fez intervenções de protesto no MoMA, Lincoln Center e outros museus americanos e mobilizou mais de 400 nomes da cultura que aderiram ao movimento. De protesto, o movimento virou conceito e foi convidado a participar da próxima Bienal de Berlim. A bandeira “occupy” é claramente um desdobramento, no setor da economia e da produção, das políticas de posse e pertencimento ao território. Por que não pensarmos na possibilidade de “occupy” nossas bibliotecas e na difícil, mas estimulante, tarefa de desenvolver o sentido de pertença nesse território?  O reforço local do pertencimento ao território só existe plenamente, nesses tempos globais, em função de sua capacidade de produzir negociações efetivas extra-territoriais. Nessa dinâmica as bibliotecas podem ser centrais em termos de trocas culturais.  Não apenas na escuta forte das linguagens vernaculares, presentes em bibliotecas comunitárias que podem trazer inovações decisivas para o pensamento destes espaços culturais , mas ainda na escuta forte da cultura de seus usuários, seus gostos, seus desejos de lazer e conviviabilidade, suas potencialidades . A biblioteca como fórum privilegiado de trocas culturais, de incentivo ao pertencimento cultural. A biblioteca como espaço da memória escrita, oral e iconográfica das comunidades agora, esperamos, donas destes espaços.  Finalmente, o sonho de que a biblioteca, por uma atuação radicalmente livre e criativa, possa até mesmo ser um dos recursos para o enfrentamento dos grandes problemas de hoje gerados pela violência urbana . E sempre bom lembrar e relembrar o diagnóstico que Shakespeare nos legou: “When language fails, violence prevails”.