A Academia entre o local e o global

Atualizado em 18 de agosto | 12:13 AM

Palestra na UFMG, 1997.

É interessante observar a força e o ethos específicos com os quais os estudos culturais estão inserindo-se na academia latino-americana. E quando penso nisso, lembro inevitavelmente de um estimulante conceito de Edward Said (Em o Mundo, o Texto e o Crítico), que é o conceito de “affiliaton”. Refiro-me à discussão de Said sobre o horizonte das teorias viajantes, ou seja, a trajetória de uma idéia ou de uma reflexão teórica entre países e comunidades acadêmicas. Um dos pontos altos deste estudo é a proposta de Said de um exame meticuloso de “onde se afilia” a que universo simbólico ou cultural quer pertencer, ou melhor, onde melhor se sente num novo quadro cultural, a idéia imigrante. Esta ênfase na cartografia espacial de uma idéia em movimento me parece muito cara para que possamos entender a troca cultural e teórica para além do que em décadas recentes ainda definíamos como apropriações, aculturações ou mesmo transculturações. Vou reproduzir o roteiro que Said nos propõe para este exame e que se não for eficaz é, pelo menos, belíssimo. Diz ele: Primeiro há um ponto de origem, ou o que parece ser um ponto de origem, um conjunto inicial de circunstâncias onde a idéia nasceu ou fez-se discurso.

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