Novos Sujeitos e Movimentos Sociais na Sociedade Contemporânea

Atualizado em 18 de agosto | 12:56 AM

Para esta palestra, escolhi o ponto “número um” do Edital deste Concurso, intitulado “Novos Sujeitos e Movimentos Sociais na Sociedade Contemporânea”. No Memorial, procurei me afastar das formas do relato heróico autobiográfico tradicional e explorar minha experiência no quadro das tensoes que configuram o campo da produção intelectual e artística. Permanecendo na mesma trilha, vou comentar alguns problemas teóricos, políticos e institucionais que percebo no meu cotidiano, enquanto parte integrante dos “novos sujeitos” de que trata esta palestra. Existem ainda outras razoes que me levaram a escolher este tema. Em primeiro lugar, não escondo um certo fascínio pela dinâmica de um contínuo remapeamento nos conceitos chave desta discussão como a noção de “identidade”, “diferença” e “alteridade”. Em segundo, porque a própria legitimidade política destas questões no campo acadêmico brasileiro, ainda é problemática e fragilizada. É especialmente este último aspecto, o da inserção política deste debate na Universidade, que pretendo desenvolver aqui com mais cuidado.

Volto ao título do ponto “número um”. Diz ele: “novos sujeitos e movimentos sociais na sociedade contemporânea (no singular)”. Passo, portanto a entender que a questão que este ponto sugere, ao articular explicitamente a noção de novos sujeitos com aquela de movimentos sociais, diz respeito ao que se convencionou chamar de “novos sujeitos históricos”, especialmente na França e nos Estados Unidos, a partir da intensificação dos movimentos de descolonização das colônias francesas por volta de 1957, a independência de Gana, a agonia do Congo e a vitória da revolução argelina em 1962.

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AS FRONTEIRAS MÓVEIS DA LITERATURA

Atualizado em 18 de agosto | 12:53 AM

Num seminário sobre museus, falar sobre literatura é meio estranho. Entretanto, pensei em trazer esse assunto aqui não apenas porque os museus estão cada vez mais interdisciplinares e abertos à cidade e aos influxos culturais contemporâneos, mas também porque me parece que a dificuldade que a literatura enfrenta hoje para definir suas fronteiras é um sintoma comum à toda a produção artística e cultural no quadro do capitalismo tardio e dos processos de globalização.

Neste panorama ( ao qual poderemos voltar mais tarde se houver interesse de vocês) , a noção de cultura, e por tabela a de literatura, é forçada a repensar seus parâmetros e até mesmo, – o que mais interessante- , sua função social.

É nesse contexto sócio-econômico de grande mudanças paradigmáticas que o século XXI desenha seu espaço para a produção cultural e para as novas formas de resistência política e cultural.

Nesse espaço, as características e as estratégias das expressões artísticas vindas das periferias das grandes cidades vêm surpreendendo como a grande novidade deste início de século com o desejo de responder ao acirramento da intolerância racial e às taxas crescente de desemprego provenientes dos quadros econômicos e culturais globalizados.

A cultura da periferia distingue-se das demais formas culturais (sejam elas de massa , popular ou de elite, para usar a classificação clássica da modernidade) por agregarem novas metas para a criação e evidenciarem formas próprias de organização do trabalho artístico, subvertendo assim os objetivos – digamos “contemplativos” – da arte e da literatura modernas.

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Arte e Qualidade de Vida (Centro Cultural Castelo Branco)

Atualizado em 18 de agosto | 12:52 AM

Em primeiro lugar, quero agradecer o convite para participar deste encontro e justificar minha rapidez em aceitar este convite. Além de admirar o trabalho de Regina há muito tempo, fiquei absolutamente fascinada com o entusiasmo e a paixão com que ela me falou sobre seu novo projeto aqui no Centro Cultural Castelo Branco. Portanto, quero dizer que é com muita alegria que venho hoje aqui tentar pensar, junto com vocês, algumas questões sobre as relações entre a arte, a cultura, e a vida nas cidades nos dias de hoje.

Como há pouco mostrou Ilana, a idéia de cultura é múltipla e variável através dos diferentes tempos e contextos sociais e históricos. Portanto, como não sou antropóloga, pego a dica da Ilana e vou tentar pensar os projetos culturais de duas gerações e as transformações por que vem passando uma noção hoje fundamental que é a nocão de cidade.

Começo pela cultura. É curioso o fato de que, nestes últimos meses, comece a surgir na imprensa, na moda e no movimento editorial, um certa volta dos anos 60 e 70, décadas que estavam relegadas a um relativo esquecimento até bem pouco tempo. Parecia que o mundo tinha dado um salto definitivo e que o heroismo dos anos 60 ou o impulso alternativo da década de 70 tinham se perdido de vez na poeira da história.

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Arte e Qualidade de Vida

Atualizado em 18 de agosto | 12:50 AM

Em primeiro lugar, quero agradecer o convite para participar deste encontro e justificar minha rapidez em aceitar este convite. Além de admirar o trabalho de Regina há muito tempo, fiquei absolutamente fascinada com o entusiasmo e a paixão com que ela me falou sobre seu novo projeto aqui no Centro Cultural Castelo Branco. Portanto, quero dizer que é com muita alegria que venho hoje aqui tentar pensar, junto com vocês, algumas questões sobre as relações entre a arte, a cultura, e a vida nas cidades nos dias de hoje.

Como há pouco mostrou Ilana, a idéia de cultura é múltipla e variável através dos diferentes tempos e contextos sociais e históricos. Portanto, como não sou antropóloga, pego a dica da Ilana e vou tentar pensar os projetos culturais de duas gerações e as transformações por que vem passando uma noção hoje fundamental que é a nocão de cidade.

Começo pela cultura. É curioso o fato de que, nestes últimos meses, comece a surgir na imprensa, na moda e no movimento editorial, um certa volta dos anos 60 e 70, décadas que estavam relegadas a um relativo esquecimento até bem pouco tempo. Parecia que o mundo tinha dado um salto definitivo e que o heroismo dos anos 60 ou o impulso alternativo da década de 70 tinham se perdido de vez na poeira da história.

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A QUESTÃO DO MÚTUO IMPACTO ENTRE A HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA E OS ESTUDOS CULTURAIS.

Atualizado em 18 de agosto | 12:48 AM

Ainda que correndo o risco de simplificação, eu hoje diria que os Estudos Culturais nasceram de uma carência de História no interior das práticas disciplinares.

Falando só do meu percurso de formação profissional, ou seja falando de um universo mínimo, me vem de pronto à cabeça a presença de uma relação visivelmente tensa entre a historiografia literária e a teoria literária, especialmente por volta dos anos 60/70, que é o período no qual se manifesta com mais acidez a crise dos estudos literários. E, pelo que me lembro, essa crise se expressou em função de uma maior ou menor centralidade da História nas grades teóricas dos estudos literários. Eu, pessoalmente, como estudante, vivi a fascinação com o formalismo russo, com o new criticism (fui assistente do Afranio Coutinho na Faculdade de Letras da UFRJ), com o estruturalismo, com tudo aquilo que parecia, na época, uma abordagem avançada ou “profissional” do lidar com o texto literário. Abordagens que, no quadro das políticas da teoria e dos enfrentamentos de poder no campo da produção de conhecimento, se fazia tomando como polo negativo a historiografia literária, a atenção ao contexto social e econômico, as armadilhas da biografia e dos traços subjetivos do autor. O confronto mais explícito e frente ao qual todo estudante deveria se posicionar naquela época, era o embate Afrânio Coutinho /UFRJ x Antônio Cândido / USP, o embate do texto autocontido e do texto imerso na História e na sociedade.

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