Poetas rendem chefe de redação II

Atualizado em 6 de outubro | 12:29 PM

Artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil, em 13.02.83.

 

Dando prosseguimento ao romance passional entre poetas e redatores chefes, apresento hoje Geléia geral, coluna diária assinada por publicada no jornal Torquato Neto e Última HoraRJ de 19.8.71 a 11.3.72 (cujo conjunto pode ser encontrado agora ao lado de extensa iconografia, letras, scripts, poemas e textos teóricos na belíssima (ah, as artes de Oscar Ramos & Ana!) edição de Os últimos dias de Paupéria, organizada e ampliada pelo não menos poeta Waly Salomão).

Enquanto Chacal resolvia seus impasses poético-jornalísticos com o exercício legítimo da malandragem, Torquato (em que pese a escuridão geral dos anos 71-72) de saída abre o jogo: “Sem começo e sem fim, mas mesmo assim: pelas brechas, pelas rachas. Buraco também se cava e a cara também se quebra. Aqui na terra do sol não tenha medo da Lua. Ocupar espaço: espantar a caretice: tomar o lugar: manter o arco: os pés no chão: um dia depois do outro”. Ou ainda: “Não se esqueça que você está cercado, olhe em volta e dê um rolê. Cuidado com as imitações. Leia o jornal, não tenha medo de mim, fique sabendo: drenagem, dragas e tratores pelo pântano.

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Driblando a maldição

Atualizado em 6 de outubro | 12:19 PM

Artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil, em 10.10.1981.

 

Hoje, rimar poesia com pedagogia produz, no mínimo, um razoável mal-estar. A poesia didática anda com baixíssima cotação na bolsa da crítica de arte; e a didática da poesia discute, em crise, sua desburocratização.

É exatamente esse campo adverso que Waly Salomão e Antônio Cícero elegem para a curiosíssima performance batizada como Núcleo de Atualidades Poéticas. Antes de mais nada, acho importante apresentar a dupla.

Waly Salomão não é de hoje que vem aprontando. Em 1972, quando lança seu primeiro livro, Me Segura Qu’Eu Vou Dar Um Troço, desafia e desmente o consenso quanto à apatia e à inoperância da produção cultural pós-AI 5. Disse então Waly: “Este livro pouco significa para mim se não representar uma energia propulsora, se não apontar para a superação da asfixia do quadro circense em que nós estamos balançando na própria corda bamba”. Me Segura pode ser visto como um livro-recorte, montagem de fragmentos, quebra-cabeça de flagrantes que promove o irônico casamento entre o erudito e o bárbaro, o vulgar, o material agressivo dos testos criminais, dos textos oficiais, ou como o define o autor, “Um realismo de la rivage”.

Em certo sentido, Me Segura surge como o desdobramento possível na literatura das sugestões tropicalistas de 1967/68.

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Entrevista por Antonio Herculano Lopes e Joëlle Rouchou

Atualizado em 14 de julho | 12:27 PM

Entrevista realizada por Antonio Herculano Lopes e Joëlle Rouchou com a colaboração de Ana Pessoa e Beatriz Resende
realizada no dia 5 de novembro de 2013, no Museu de Arte do Rio-MAR, Rio de Janeiro.

 

Escritos – Como era a Helô de 68?

HBH: Ela era igual a todas as Marias da época Aquele era um momento muito muito intenso. Hoje as jovens querem ser modelo, naquela época as jovens queriam ser guerrilheiras…. Eu era muito parecida com as minhas amigas, não tinha nada de especial. Em todos os sentidos , o político, do profissional, era uma hora que a bandeira era mudar o mundo, mudar a própria vida. Talvez no cotidiano a meta de mudar o mundo fosse até mais fácil do que mudar a vida…. Porque o seu pai não queria que você mudasse a sua vida, a sua mãe não queria, o seu marido não queria, ninguém queria, bem difícil!
Eu já era casada, o que ainda piorava a situação. O resultado era muita psicanálise e psicanálise cinco vezes por semana , toda essa jovem dessa geração de classe média fazia. Era regra. E isso vinha também de uma vontade forte de dar um salto existencial, botar fogo no apartamento, como dizia a música… Essa era a vontade maior.

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Academic works that make a difference in the periphery

Atualizado em 13 de junho | 10:21 AM

This interview was originally conducted in Portuguese and published on this blog, having been kindly translated by the website Contramare.net. It was first published in English on http://www.contramare.net/site/en/academic-works-that-make-a-difference-in-the-periphery/.

 

Culture, literature, digital technologies and periphery productions can be found in the work of professor, journalist, essayist, and researcher Heloísa Buarque de Hollanda. Born in Ribeirão Preto, in the state of São Paulo, Heloísa graduated in Literature from the Catholic University in Rio de Janeiro (PUC/RJ) and completed her master and PhD degrees in Literary Theory at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). She obtained a post-doctoral degree in the same area from Columbia University in New York.

She’s an emeritus professor at UFRJ, where she coordinates the Advanced Program for Contemporary Culture. She worked in journalism at various media outlets, presenting TV and radio programs and collaborating with the printing press, as well as the web. She also performed executive functions as director of the Museum of Image and Sound in Rio de Janeiro (MIS/RJ), between 1983 and 1984.

Currently, Heloísa is director of Aeroplano Editora, a publishing house of alternative editorial projects, and curator of a website on contemporary culture. Author of important publications to Brazilian culture and creator of projects that integrate periphery and academia, the researcher talked to Ecaderno about her professional trajectory, and about the obstacles and results of her work.

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Collectives

Atualizado em 7 de maio | 12:40 PM

This article was originally written in Portuguese and published on this blog, having been kindly translated by the website Contramare.net. It was first published in English on http://www.contramare.net/site/en/collectives.


In the context of the wide dissemination of urban cultural production at the end of the 20th century, one surprising segment is the activity of artists’ collectives in various formats other than graffiti – the visual expression, considered the official one, of hip hop culture.

These collectives came into being at the end of the 1990′s and produce intervention work in the public space.

Rapidly, such interventions permeated by the motto “important is to act”, began to take on the political role of social whistle blowing displayed in the public space. At the same time, the works produced also address production structures, within the framework of the art circuit and market.

Collectives, increasing in geometrical proportions around Brazil, bring something of a novelty plus. Collectives are not configured by their members, but rather by actions, always acting in a context of public intervention. Collectives are not cooperatives, they are not groups, they do not have a fixed membership number, nor can they be characterized as artistic movements. Their forms of organization are independent and for each action, or group of actions, collectives seek sponsorship, offering courses, selling works or performing services like illustration, design, video etc.

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