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Esses Poetas – Uma antologia dos anos 90

Atualizado em 26 de agosto | 2:37 PM

Esses poetas – Uma antologia dos anos 90 (Aeroplano, 1998)
Heloisa Buarque de Hollanda

ISBN: 85-86579-02-5
Formato: 11,5 x 18 cm
Número de páginas: 320

Introdução

Essa não é a primeira vez. O fato é que, diante de qualquer formação de consenso a respeito de quedas de vitalidade na produção cultural, sinto-me impelida a organizar uma antologia de novos poetas.  De tempos em tempos, portanto, me surpreendo engajada no processo de identificar sinais do que poderia ser um novo momento literário ou poético. Sei também que é mais ou menos assim que assisto e colaboro, às vezes até a contragosto, com alguns impulsos canônicos que vão se firmando nesse horizonte ainda relativamente impreciso.

Por outro lado, uma das vantagens dos gestos repetitivos é que eles nos levam à perda de algumas ingenuidades. Hoje, tenho certamente mais clareza do que há 20 anos atrás sobre a tarefa do antologista. Já não me povoa mais o propósito de identificar movimentos ou tendências através de uma seleção objetiva na produção poética de uma época.

Meus próprios parâmetros de trabalho, como, por exemplo, a idéia de periodização, vem demonstrando uma fragilidade conceitual irreversível. Até mesmo a noção de valor estético, nestes últimos tempos, foi desestabilizada em função das interpelações sobre sua legitimidade ética e literária promovidas pelos grupos off canone. Sabemos hoje, com razoável convicção, que o interesse maior que os critérios literários disponíveis podem nos oferecer dizem respeito ao entendimento de sua natureza contingencial e histórica.

Assim, a reunião dos poetas que compõem esse volume não se pretende uma amostragem exemplar da poesia de um período ou de uma geração. Ao contrário, procurei investir no caráter autoral desta seleção e no fato de que o que esta antologia expõe na realidade são apenas algumas afinidades eletivas de seu antologista.

O critério inicial que orientou esse trabalho foi o de reunir autores que começaram a publicar formalmente a partir de 1990, esses anos de vozes quietas segundo o New York Times. Comprimida entre duas grandes crises do mercado financeiro internacional, a década de 90 tem como ícones a queda do Muro de Berlim, o impacto da AIDS, o ethos da globalização e, lamentavelmente, a figura do excluído ou do excedente como passa a ser chamada a crescente maioria pobre.

Os novos tempos seriam de ascese na economia, no amor e na literatura. No caso específico da poesia, a década de 90 oferece um panorama particularmente interessante.

O background imediato dessa produção é um cenário de fortes transformações do mercado cultural mobilizadas por um processo acelerado de massificação, transnacionalização e especialização na produção e comercialização de seus produtos.

O poeta 90, nesse quadro, move-se com segurança.  É a vez do poeta letrado que vai investir sobretudo na recuperação do prestígio e da expertise no trabalho formal e técnico com a literatura. Seu perfil é o de um profissional culto, que preza a crítica, tem formação superior e que atua, com desenvoltura, no jornalismo e no ensaio acadêmico marcando assim uma diferença com a geração anterior, a geração marginal, antiestablishment por convicção.

À distância, a produção poética contemporânea se mostra como uma confluência de linguagens, um emaranhado de formas e temáticas sem estilos ou referências definidas.  Nesse conjunto, salta aos olhos uma surpreendente pluralidade vozes,  o primeiro diferencial significativo dessa poesia. Uma observação mais curiosa vai mostrar ainda mais algumas novidades nesse sentido.

A presença feminina na cena literária, revelada com força total na década passada, mostra agora um crescimento definitivo que se traduz numa quase equivalência entre homens e mulheres no mercado de poesia. A poesia negra, ainda que não tão dominante, pode também ser agora notada com maior nitidez. O traço comum entre ambas é uma nova distensão que pode ser sentida em relação à marca identitária afirmativa e posicional da geração anterior e que vai permitir o desenvolvimento de novas dicções de gênero e de raça, mais soltas e mais experimentais. Mas isso não é tudo. O que vai causar mais impacto nesse panorama é a visibilidade de algumas vozes que não haviam encontrado espaço de expressão nas décadas anteriores. Chamo atenção aqui para emergência de uma sensibilidade erudita e auto-irônica assumidamente judaica e, muito especialmente, para a presença agressiva do outing gay na poesia 90, excelentes surpresas da década.

Por outro lado, torna-se impossível não perceber alguns sinais de mudança na composição social do elenco dos produtores de literatura nesse final de século. Ainda que seja precipitado considerar esse dado como uma característica da nova poesia, é flagrante a presença  de um número crescente de poetas provenientes dos bairros de periferia ou subúrbios de baixa renda na literatura que circula nas editoras, recitais e revistas em voga.

Ao mesmo tempo, também surpreende a intensificação do movimento editorial em favelas e comunidades residenciais mais pobres. Ao longo da década, foram lançadas, no Rio de Janeiro, inúmeras publicações como, por exemplo,  a Antologia de Poetas da Baixada Fluminense (RioArte), Tem Poeta no Morro (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), a coletânea Poetas do Vidigal ou o livro Fora de Perigo, de José Alberto Moreira da Silva, com poesia multimídia. Em 1992, a antologia Poetas do Araguaia e Ausência em falso vão trazer alternativas para se repensar o Brasil dos sem-terra.

Outro reduto inesperado de circulação da produção das minorias vai ser o ambiente da iternet que abriga  boa parte da poesia negra, a poesia específica das mulheres negras, grupos jovens como o Mangue Bit, poetas ligados ao MST ou ao Viva Rio. Essas vozes, liberadas do compromisso com os critérios tradicionais de qualidade literária, interagem confortavelmente no ambiente virtual e democratizado da internet,  colocando-se muitas vezes lado a lado com os movimentos sociais.

Fora da web, o desenvolvimento dos canais convencionais de circulação da literatura também foram fatores decisivos no processo de afirmação da poesia como acontecimento nos anos 90. Ao lado de uma relativa abertura dos catálogos das grandes editoras para os títulos de poesia, surgem pequenas editoras utilizando as facilidades oferecidas pelas novas tecnologias de reprodução fotossimiliares, o que permite a edição de volumes com baixa tiragem a custos razoáveis. A mais conhecida delas e que fez história nos 90 é a Sette Letras que, de 1993 a 1998, produziu um catálogo de mais de 100 títulos de poesia.

Outro indicador nada desprezível neste sentido é o aparecimeto de novas revistas como a Inimigo RumorO Carioca no Rio de Janeiro, Azougue e Nanico em São Paulo, Gárgula em Brasília, Orobó em Minas Gerais, Continente Sul/Continente Sur em Porto Alegre,  sem mencionar o circuito que começa a ser aberto com o lançamento de revistas culturais institucionais como Poesia Sempre ou comerciais como  a Cult e Bravo.

Entretanto, mesmo levando em consideração esse aquecimento do mercado de poesia, não seria possível afirmar que à esta maior facilidade de publicação corresponda uma facilidade similar no escoamento e circulação dessa produção.

Para o bem ou para o mal, de todos os gêneros artísticos, a poesia é o que está mais alijado do mercado. Esse alijamento se traduz em escassez de leitores, confinando quase que fatalmente o público leitor de poesia aos  próprios poetas e simpatizantes. Essa desvantagem traz pelo menos um pequeno saldo a favor da poesia: a possibilidade de uma certa  independência em relação às pressões do mercado.

É nesse espaço semi-livre de experimentação que a poesia 90 atua, assistindo a queda das fronteiras que definem a geopolítica literária moderna. Os marcos tradicionais dos territórios que definem os separadores entre a cultura alta, a de massa e a popular, entre a escrita e as demais artes e midias sofrem um rápido processo de erosão. Uma vez mais, a poesia desce da torre de marfim, agora entretanto com traços radicalmente próprios. Assiste-se a um processo que não se confunde com o projeto da eliminação romântica da distância entre arte/vida, nem se limita, como poderia parecer,  à ampliação da midia poética através do uso experimental de suportes diversos e avançados. O que se vê de fato é a formação de uma textura híbrida de fundo, na qual já não é mais possível distinguir com nitidez um desnível real entre as formas de expressões artísticas de elite ou de massa, entre as culturas de midias diversas, entre os domínios específicos da linguagem formal.

Os anos 70 desestabilizaram as hierarquias no campo literário e de seus sistemas de valor. Hoje,  ressemantiza-se em função da própria desierarquizaçao operada pela inquietação da geração anterior. Assim, a poesia articula-se, em várias realizações e performances, com as artes plásticas, com a fotografia, com a música, com o trabalho corporal. O poema holográfico torna-se o atrativo das feiras de informática.  Ao lado disso, lançamentos programados em CDs e uma febre de recitais alteram o antigo status da poesia na série literária.

Em caráter irrevogável, a distinção entre a poesia escrita, a cantada e a visual não se sustenta mais como defensável.  Argumento eloquente neste sentido é o aparecimento do poema clip, da vídeo poesia tridimensional ou mesmo da inesperada popularidade das coleções de CDs como a Poesia Falada do produtor Paulinho Lima, A voz do poeta idealizada por Ivo Barroso para o selo Drum  ou produções especiais da Som Livre e Leblon Records. Scarlet Moon, por exemplo, no CD Amor e Poesia da gravadora Som Livre, lê Carlos Drummond de Andrade com o background do tecladista Sacha Amback fundindo melodias impressionistas à música eletroacústica. Ao vivo, a leitura, digamos assim, profissional da poesia e do romance lota teatros e espaços culturais pelas mãos de midia persons como Maria Bethânia, Chico Buarque e tantos outros.

Há mesmo nesta direção alguns casos, ainda que raros, como o fenômeno de vendas Elisa Lucinda onde a mistura de poesia, teatro e pocket-show promove um formato até então impensável para o consumo do livro e de sua leitura que é o da poesia como consumo de massa, da poesia que é showbusiness.

Sem entrar em critérios de qualidade ou densidade literária, não há como negar a evidência de que o emergente mercado da poesia falada tende a democratizar o consumo da poesia e abrir enormes possibilidades para a redistribuição da fala do poeta num espaço público mais amplo. A poesia estaria começando a tender na direção de uma culturalização, ou seja, uma inédita ampliação de seu raio de consumo através da abertura de espaços culturais não formais e da emergência de novos hábitos sociais e comportamentais.

A natureza híbrida da nova poesia é ainda capaz de surpreender em outras frentes. E uma das mais acaloradas polêmicas vai ser a que diz respeito à uma alteração de equilíbrio no interior do campo de forças da criação intelectual e artística. Falo do inesperado desprestígio das históricas polêmicas literárias e seu complexo enredo de embates e confrontos entre escolas, estilos, tendências ou plataformas poéticas e que foram, sem dúvida, um capítulo importante da história de nossa literatura. Hoje, perplexos, assistimos ao que poderia ser  percebido como um neoconformismo político-literário, uma inédita reverência em relação ao establishment crítico. Alguns são mesmo acusados de escreverem para os críticos com grande prejuízo de uma até então valiosa independência criativa.

A causa aparente dessa possível apatia literária poderia ser o ethos de um momento pós-utópico no qual o poema não parece ter mais nenhum projeto estético ou político que lhe seja exterior. Seu efeito imediato é um desgaste progressivo na tensão constitutiva das forças e oposições a partir das quais um projeto criador surge e se legitima. O que se vê, entretanto, é uma nova produção que procura escapar do atrito, circular sem oposições, liberar canais institucionais e da midia, neutralizar as possíveis resistências  da crítica. Antigas querelas entre engajados e não-engajados, concretos e não-concretos perdem o antigo interesse.

As palavras de ordem agora são negociação, articulação.

Os antigos critérios de aferição da qualidade de um poema desliza de seu valor crítico ou inovador em direção à sua maior ou menor habilidade em articular pensamentos antagônicos e em expandir ao máximo o trabalho com o acervo disponível de influências e/ou referências a serem refuncionalizadas  ou mesmo “clonadas” pelo novo poeta. A lógica das influências no trabalho de um autor torna-se caótica, fractal.

É por esta razão que se torna usual, nesta geração de autores, a menção à suas  tribos ou famílias poéticas. A poesia 90 não deixa entrever mais, com clareza, nem seus modelos nem uma linhagem literária coerente, nem mesmo um elenco explícito de referências como no paideuma concretista. São poetas que se situam através da identificação com outros poetas ou estilos ou do pertencimento à uma família literária eletiva. São poetas que, reinventando uma coerência própria, assumem a herança modernista, absorvem o impacto João Cabral, apropriam-se do laboratório concretista e expandem a poesia dos anos 70.  A nova distensão que dá o tom da convivência entre famílias e tribos poéticas marca a originalidade desse momento. É uma poesia preocupada apenas em encontrar a própria voz.

Tudo indica que, enfim, conquistou-se a liberdade de se experimentar fora das plataformas e políticas poéticas sem traços, pelo menos aparentes, de  culpa. Não obstante,  ainda  que  bem vinda, essa liberdade, como veremos mais adiante, não virá  sem conflitos.

A  poesia 90 circula, portanto,  com tranquilidade e firmeza , por vários registros revelando  um domínio seguro da métrica, da prosódia, das novas tecnologias.  É o que Carlito Azevedo, um dos poetas surgidos nesta última década, chama de literatura de invenção,  “a literatura que busca, em certos materiais, a linguagem”. Por material, Carlito entende um repertório que abriga de forma aparentemente indiscriminada versos longos, verso curtos, metáforas, metonímias, linguagens mais surrealizantes, linguagens mais realistas; todos equivalentes,  disponíveis e igualmente rentáveis em função de uma maior ou menor perícia do poeta. Em vez de fechar possibilidades, o poeta agora compromete-se com a ampliação de suas  recursos de expressão, tornando esse compromisso a marca e o avanço da literatura anos 90. O novo, mais uma vez,  é a originalidade na articulação, a afirmação de um desempenho competente, a reinvenção experimental e criativa da tradição literária.

Torna-se delicado identificar nessa lógica, substancialmente diversa das anteriores, uma linha política, uma ideologia, ou ao menos um projeto que possa servir de parâmetro para estabelecer os valores que informam essa produção.

Muitos destes poetas são  também críticos-poetas e publicam em revistas e jornais. O que se torna curioso nesta observação é o fato de que, com pouquíssimas exceções, esta crítica mantêm-se rigorosamente dedicada a questões apenas literárias, mostrando um forte desinteresse pelos debates culturais e políticos que, sem sombra de dúvida,  a nova poesia sugere.

Examinando um pouco mais a trajetória  das estratégias de representação das subjetividades nestas últimas décadas, nota-se que a nova produção poética é, ainda que com perfil próprio, um claro desdobramento da literatura e da cultura pós-68.

Neste período, uma quase explosão de sujeitos e subjetividades abriu espaço para a representação de uma gama variadíssima de posicionalidades do eu. Via-se o sujeito ostensivo, atuado, descentrado, desconstruído mas que raramente abriria mão de sua marca geracional e histórica. Hoje, esse movimento não sinaliza mais o consenso na direção de um “nós”, de um “poemão escrito a várias mãos” – como tão bem diagnosticou Cacaso -, mas um sujeito que se superpõe, se insinua entre jogos de figuração e ficcionalizações do eu. Projeta-se no relato de pequenas versões de seu entorno mais imediato, de um cotidiano experimentado como um setting de objetos e ambientes. O prazer dessa visualidade mostra-se fortemente mobilizado por metacenários ou por textos visuais como é o caso da presença maciça de referências a obras de artes plásticas, à arquitetura e ao design urbano nesta poesia. Nestes casos,  nota-se sobretudo o esgotamento e o colapso das pressões normativas da tradição moderna. Agora a intensidade da experiência poética sobrepõe-se à intensidade hermenêutica, legado do alto modernismo.

Volto à noção de materiais cunhada por Carlito Azevedo que me parece ser o ponto que oferece a maior dificuldade para uma crítica que se faça a partir de pressupostos modernistas. Tal como está formulada, essa noção desestabiliza a relação entre um estilo ou procedimentos retóricos e seu contexto de afiliação na série literária. O exemplo mais fácil nesse caso é a reação negativa que provoca a volta do soneto, uma das formas poéticas mais ideologizadas e rejeitadas pelo cânone modernista. A disponibilização do soneto apenas como um campo experimental de trabalho com a linguagem não poderia deixar assim de promover um certo desconforto no meio da crítica e do debate literário. Como forma  ahistórica, reduzida a elemento de um repertório de referências e materiais, o soneto oferece-se à perícia técnica de uma nova uma “estética do rigor”. Nesta categoria, o soneto pode assumir contornos críticos em relação às questões como a prosódia, a cesura, a estrutura rítmica ou até mesmo abrir-se para experimentações gráficas.

O que então se coloca em pauta não é nem uma interpretação anacrônica sobre a moral das formas e dos materiais poéticos nesses tempos de hipertexto e novos inputs translinguísticos, nem uma crítica que se restrinja à avaliação qualitativa da performance do trabalho técnico com a linguagem strito sensu.  A questão que precisa ser formulada com urgência diz diretamente respeito ao grau de opacidade e resistência crítica obtido nas formas e materiais escolhidos pelo poeta para ressemantizar o vazio deixado pela suspensão de valores operada por esta nova poesia.

Retomando a questão inicial da hibridização de formas e fronteiras no campo da produção cultural, gostaria de observar que junto e a partir do desgaste das distinções canônicas entre os gêneros, linguagens e territórios políticos na nova poesia, instala-se a complexidade das estéticas contemporâneas que agora mal permitem discernir o que seria um pós-modernismo de reação de um pós-modernismo de oposição. Entendo o primeiro como aquele que promove, de forma neoconservadora, o retorno de uma suposta verdade da tradição imposta num presente bastante heterogêneo; o segundo, como aquele que se coloca frontalmente contra a falsa normatividade conservadora, procurando questionar, mais do que explorar, os códigos culturais, explorar, mais do que dissimular, afiliações políticas e sociais.

É esse impasse que pode promover o avanço do debate no interior da nova poesia 90 e colocar a oportunidade de uma crítica de cultura engajada em oposição à hegemonia de uma estética do rigor de traços naturalizantes.

Nesse jogo, posso identificar o movimento de três “geraçoes” atuando no novo cenário poético.

Uma, bastante nítida, que junta representantes da poesia dos anos 70 e poetas mais jovens, esteticamente filiados à poesia marginal, em torno do projeto CEP 20.000 que desde 1990 lota o Espaço Sergio Porto.  Outra, mais ligada à procura de estratégias que possibilitem posições críticas e criativas frente aos desafios do novo zeitgeist e, finalmente, aquela que adere pacífica e “tecnicamente” à volta das formas clássicas e modernas da poesia.

Esta seleção procurou se situar neste quadro ao mesmo tempo atraente e arriscado. Não me interessaram todas as vozes que poderiam ser consideradas por revelarem um bom desempenho literário. Deixei-me conduzir preferencialemnte pelo exame da inserção da nova poesia no espaço exíguo que hoje se oferece para a criação e para o exercício de uma imaginação política possível. Esse foi o critério final que orientou a escolha dos poetas dessa antologia. Não teria segurança suficiente para afirmar que esta seleção representa tendências progressistas no quadro da produção poética da década de 1990.  Mas posso dizer que procurei identificar pontos de atrito no quadro quase infinito de variáveis que o exercício da poesia hoje dispõe.