Quase catálogo 2: artistas plásticas no Rio de Janeiro, 1975-1985

Atualizado em 26 de agosto | 3:24 PM

Quase catálogo 2: artistas plásticas no Rio de Janeiro, 1975-1985 (CIEC/UFRJ; Secretaria de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro, 1991)
Heloisa Buarque de Hollanda (org.) Textos de Ana Maria Machado e Heloísa Buarque de Hollanda. Exposição realizada no Rio de Janeiro.

 

Introdução

A idéia de organizar este volume surgiu durante o debate sobre a mulher nas artes plásticas realizado no Ciec, em 1987 (1).  O debate, que contou também com a participação de artistas brasileiras como Lygia Pape, Ana Maria Tavares e Iole de Freitas, girou em torno do trabalho de Margarethe Jochimsen intitulado ‘Qualidade artística: conceito controvertido e instrumento político-cultural’.  Em sua apresentação, Jochimsen identificava a dinâmica das relações de gênero como determinante na construção do ‘gosto’ e da noção de ‘qualidade’  no campo da arte.  No entanto, o que sublinhou o impacto de sua apresentação foi o lugar de onde Jochimsen falava.  Eram relatos de suas experiências, não apenas como professora e crítica de arte, ou mesmo presidente da Associação de Artes de Bonn, mas principalmente como curadora altamente considerada de várias exposições e mostras internacionais.  Dessa experiência de anos de inserção e observação da lógica do mercado e da crítica de arte em relação à produção das artistas plásticas mulheres, Margarethe tirava o seu diagnóstico sobre o caráter arbitrário da noção de ‘qualidade’  legitimadora de uma obra de arte. 

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Horizontes plurais: Novos estudos de gênero no Brasil

Atualizado em 26 de agosto | 3:19 PM

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Ensaios originais que revelam questões sociais prioritárias da cena brasileira, como a prostituição infanto-juvenil e os novos contextos da experiência urbana contemporânea, entre outras, compõem este livro, que apresenta os resultados das pesquisas vencedoras do VII Concurso de Dotações para a Pesquisa sobre Mulheres e Relações de Gênero, realizado pela Fundação Carlos Chagas, organizado por Cristina Bruschini e Heloisa Buarque de Hollanda.

Horizontes plurais: Novos estudos de gênero no Brasil (Editora 34; Fundação Carlos Chagas, 1998)

ISBN: 85-7326-084-X
Formato: 14 x 21 cm
Número de páginas: 416

 

Introdução

Não há risco em afirmar que o debate hoje conduzido pelos movimentos de mulheres e pelos estudos feministas não é mais novidade, como nos anos 70, mas uma realidade que, nos 90, marcou sua presença, de forma definitiva, na política, na economia, na academia e nos meios de comunicação.

Na arena pública, alguns exemplos são inevitáveis.  As Conferências Internacionais promovidas pelas Nações Unidas – sobretudo a de População, no Cairo, em 1994 e a da Mulher, em Pequim, em 1995 – constituíram-se sobretudo como fatores importantes na formação de grupos que, ao longo da década, aprofundaram o debate de idéias e a formulação de propostas a serem apresentadas nos fóruns governamentais e não-governamentais. 

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Ensaístas brasileiras: mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860 a 1991

Atualizado em 26 de agosto | 3:12 PM

Ensaístas brasileiras: mulheres que escreveram sobre literatura e artes de 1860 a 1991 (Rocco, 1993)
Heloisa Buarque de Hollanda e Lucia Nascimento Araújo

ISBN: 85-32504-23-X
Formato: 14 x 21 cm
Número de páginas: 324

 

Introdução

Explicações e tecnicalidades

Ensaistas certamente não é a palavra correta. A escolha do termo foi arbitrária. O principal motivo de tomarmos este partido, entretanto, foi a constatação de que o pensamento crítico feminino nas artes e na literatura, abundante como este trabalho comprova, realizou-se em formas e espaços muitas vezes marginais e diversificados. Para uma melhor compreensão da especificidade da trajetória da crítica realizada por mulheres, optamos por dilatar as noções tradicionais de ensaismo e de crítica literária, absorvendo as possiveis fronteiras destas práticas onde o pensamento feminino sobre a literatura e as artes tenham se desenvolvido e circulado. O campo definido para pesquisa foi o das letras e das artes, englobando a reflexão sobre a literatura, a música, o teatro, a dança, o cinema e as artes plásticas.

Desta forma, pode-se perceber, na própria estrutura dos verbetes, os vários momentos da história da crítica feminina. No século XIX, os dados de identificação são recorrentemente vinculados à origem familiar e à atuação em revistas e publicações informais, determinando uma formatação mais narrativa e circunstancial.

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Puentes/Pontes: Poesia argentina e brasileira contemporânea

Atualizado em 26 de agosto | 3:04 PM

Puentes/Pontes: Poesia argentina e brasileira contemporânea (Fondo de Cultura Económica, 2003)
Jorge Monteleone e Heloisa Buarque de Hollanda (orgs.)

ISBN: 9789505575534
Formato: 21 x 21 cm
Número de páginas: 542

Introdução

A organização de uma antologia é um gesto muitas vezes teórico, ou um impulso de registro histórico, ou ainda um exercício particular de leitura.

Seja qual for a natureza deste gesto, o fato é que a organização de uma antologia é sempre marcada por  muitos subtextos que permeiam e articulam a aparente objetividade do trabalho de seleção e articulação entre poetas e entre poemas.  Desta vez, ao atender o convite para realizar uma seleção da poesia brasileira contemporânea a ser publicada em volume único com a da poesia argentina,  percebi que estava iniciando um projeto diferente daqueles vários que já realizei vida afora como crítica e leitora de poesia.

Explico melhor. Como referi acima, cada antologia encobre um gesto não inocente e responde a estímulos conjunturais bastante específicos.

Neste caso, o que particularmente me atraiu foi o fato de trabalhar em sintonia com críticos e poetas de uma cultura como a argentina, tão semelhante à nossa quanto radicalmente diferenciada. Ou seja, o que me atraiu foi a oportunidade de revelar “contrastes e confrontos” e participar de uma política de aproximação e divulgação da poesia no continente.

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Quase catálogo 1: Realizadores de cinema no Brasil (1930-1988)

Atualizado em 26 de agosto | 3:01 PM

Quase catálogo 1: Realizadores de cinema no Brasil (1930-1988) (CIEC/UFRJ; Museu da Imagem e do Som, 1989)
Heloisa Buarque de Hollanda (org.), Ana Rita de Mendonça e Ana Pessoa (coords. e pesquisa)

Introdução

O cinema mudo no Brasil estende-se de 1908 a 1930. Este número da série Quase Catálogo é uma primeira tentativa de registrar alguns elementos que definiram o processo de construção da imagem das divas que povoaram as telas e as fantasias nos momentos iniciais do cinema brasileiro. Nesta tentativa, fizemos uma opção clara: a do mapeamento da vida e da atuação das estrelas do cinema mudo e de sua repercussão através do olhar da imprensa e da crítica especializada. Neste sentido, mantivemos, de forma quase excessiva, a reprodução de citações relativas às impressões e comentários da época que nos pareceram importantes na definição do “imaginário cinematográfico”, forte ingrediente na formação do que se convencionou chamar de “a mulher moderna”.

Outra preocupação que nos orientou foi a de não excluir deste levantamento as atrizes sobre as quais tínhamos apenas uma informação incompleta.  Pareceu-nos, que no trabalho de resgate a que nos dedicamos, os fragmentos, por menores que sejam, poderiam apontar caminhos para futuras pesquisas e abrir perspectivas  para a reconstituição de sua história.

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