Tribuna da Imprensa

Atualizado em 19 de agosto | 6:22 PM

1) Quais diferenças apontaria entre a Aeroplano e outras editoras?

Acho que como os sócios da Aeroplano são um mix de intelectuais e artistas, seus  livros acabam tendo um perfil mais conceitual mesmo. Pelo menos a cada livro que chega , nos reunimos e aí é aquela viagem para imaginar  como “ele vai ser quando crescer” ….

2) Qual perfil do público leitor?

Acho que o público interessado em tendências da cultura.
3) As publicações são exclusivamente nas áreas de cultura e arte?

São. Namoramos também uma linha infantil mas ainda não tivemos bala para isso.

4) Há espaço para ficção e romance?

Acho que pelo menos por hora não. Esse segmento pede uma organização e uma atitude editorial mais comercial, mais profissional e a gente é , por vício, mais experimental.

5) Vocês têm muitos títulos de cinema… Influência de Lula e Luiz?

Certamente. Mas, por outro lado, a Aeroplano tem uma certa queda  em abrigar os “marginais” . O livro de cinema não encontra espaço confortável em editoras comerciais.

 

6) Aliás, como funciona a questão editorial? Como se decide sobre o que publicar ou não?

Como somos todos profissionais de outras áreas fazendo uma atividade editorial, essa decisão termina sendo muito em cima de nosso próprio perfil.

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O Tempo

Atualizado em 19 de agosto | 4:26 PM

Qual sua avaliação sobre a produção literária brasileira contemporânea? Faça um panorama da nossa literatura.

R: A literatura contemporânea (falo aqui da literatura jovem) está surpreendendo porque, se não me engano, os novos autores começam a ter uma relação mais saudável com a tradição. Ao contrário do que aconteceu tantas vezes na nossa história literária, essa geração não pretende lançar algo novo, oposto aos clássicos ou aos movimentos anteriores. Paradoxalmente, isso leva com que essa nova literatura apresente uma independência grande em relação à literatura canônica. Ela lê, conhece, respeita e gosta da “grande literatura” mas não quer ser como ela. Se pretende plural, testa novas mídias e seus efeitos na linguagem, absorve o ethos cultural desse momento e vai à luta inventando relações diferenciadas com o mercado e  com a linguagem. As mulheres, nesse caso, comparecem em massa e com uma força bastante diferenciada do que se chamava de “escrita feminina”. Não diria que exista uma literatura de internet porque os novos autores não se confundem com os blogueiros. Mas diria que ela é produzida numa nova dinâmica de atenção, sensibilidades e formas de apreensão do mundo de caráter mais verticalizado e mais receptiva dos vários “inputs” simultâneos.  Outro diferencial interessante e a forma como esta literatura se beneficia claramente com as novas dinâmicas da vida e da troca literária que a internet permite.

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Jornal O Povo

Atualizado em 18 de agosto | 5:42 PM

Novembro de 2008

– As tecnologias digitais de fato estão colocando cultura/arte nas mãos de mais brasileiros? 

R: Claro que estão. E o que é mais animador é o papel que as lan houses estão desempenhando nisso especialmente nas favelas e periferias das cidades. 49% dos acessos hoje são feitos em lan houses, o que termina por abrir chance para aquelas populações de baixa renda que assim ganham um espaço importante de integração ao universo da web. 

– Até que ponto a cultura digital revoluciona a produção, a transmissão e o acesso aos bens culturais? 

R: Acho que aqui temos que ter algum cuidado. Não me parece que a cultura digital “revolucione” a criação. O que interessa, entretanto é a circulação de cultural que essa sim pode ter um papel revolucionário na democratização da cultura. 

– Muitos museus têm aberto seus acervos com visitas virtuais. Editoras têm disponibilizado capítulos de seus livros na Internet, assim como gravadoras também fazem o mesmo com faixas de um novo CD. O que essas aberturas representam para a disseminação/consumo dos produtos culturais? 

R: Elas são  cerne da diferença atual da produção cultural neste novo século. E é ainda um processo relativamente desconhecido dos produtores. Ainda sito uma certa hesitação das editoras e das instituições que detêm acervos importantes em disponibilizar de maneira mais radical seus produtos.

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Jornal do Comércio

Atualizado em 18 de agosto | 5:35 PM

1 – Qual o objetivo do seminário?

R: O seminário tem uma pergunta básica que, a meu ver, ainda não foi colocada com a devida ênfase: De que formas ocorrerão as inevitáveis reformatações da produção e do consumo culturais no universo digital? 

2 – Do seu ponto de vista, quais são as perspectivas para as artes e para a comunicação com a chegada das novas tecnologias?

R: Em primeiríssimo lugar coloco a questão da democratização das formas de produção digitais que são mais leves, menores e mais baratas o que certamente vai possibilitar um número bem maior de vozes e olhares nas artes do século XXI. Em seguida, penso na questão de uma cultura possivelmente livre e na fragilização do valor da idéia de autoria, chave da cultura moderna dos séculos XIX e XX, e que agora parecem possibilitar uma abertura real de espaço  para as práticas de criação e de saber compartilhados. É claro que isso são apenas algumas das possibilidades potenciais abertas pelo avanço da tecnologia. Agora, é lutar politicamente para que essas transformações possam encontrar seu lugar. 

3 – Como trabalhar as questões da inclusão e da exclusão digital?

R: Hoje a alfabetização digital é tão importante quanto à alfabetização letrada para as novas gerações.

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USP – Jornal do Campus

Atualizado em 18 de agosto | 5:31 PM

Antes de qualquer coisa gostaria de explicar que minha atenção no conceito e na realização desta exposição NÃO FORAM OS BLOGS, mas somente a literatura nos blogs. Não tenho uma reflexão madura ainda sobre os blogs em sua diversidade.

-Heloísa Buarque

 

     

    – Como foi que a sra. se empenhou neste trabalho? O que a atraiu nos blogs? Meu objetivo nessa exposição não foram exatamente os blogs. foram os blogs de poesia e ficção bem como as praticas literárias como HQ, grafismos etc que usam o blog como canal. O que me atraiu nesse assunto é a atração dos jovens escritores pelo canal da internet e os possíveis meios desse ambiente para a criação e divulgação da literatura.  

    – A exposição reúne tanto blogs de escritores já consagrados como de desconhecidos, não? Qual foi o critério de seleção desses blogs “não-famosos”? Há algum que tenha se destacado, de que a Sra. se lembre mais?

A exposição realmente focou aqueles escritores famosos (não são numerosos esses) e jovens que tem blogs DE LITERATURA. Como não me sito desta tribo e duvidando um pouco da suficiência de meu conhecimento deste assunto – tão distante do meu cotidiano quanto de minha pesquisa), convidei dois jovens curadores, estes sim habitantes há algum tempo do ambiente da internet.

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