Exposição Estética da Periferia | 2005 e 2007

Atualizado em 15 de setembro | 9:44 AM

_Exposição Estética da Periferia Recife | 2007

 

Há alguns dias, o jornal londrino Times abria uma página elogiosa e dava cinco estrelas para o Show da Banda Afro Reggae que acontecera na véspera, platéia lotada, no Barbicon Center. Isso é uma pequena mostra da qualidade e do poder de difusão da estética da periferia hoje no Brasil.

O que é importante observar é que isso acontece num cenário internacional, onde  fala-se da ameaça da  “humanidade excedente” ou de uma favelização progressiva em nível global. O  relatório da Unesco Habitat demonstra que a equação excesso de população + desemprego aponta para um crescimento da população favelada mundial na proporção de  25.000.000 de pessoas por ano, desenhando um  perfil dramático de desigualdade nas nações periféricas.

Paradoxalmente, ao lado desses números inquietantes, é a cultura da periferia e seu poder de resistência e criatividade artística que vem se firmando como a grande novidade que vai marcar a cultura do século XXI.

Seja o traço forte do grafite, expressão afirmativa de arte pública, seja a música, potencializando seu poder de ligação entre o asfalto e a favela, o rap com a levada poderosa da poesia de denúncia, a vitalidade do funk  investindo no saber da festa como fator  agregador de diferenças, ou a moda, a arquitetura e o design trazendo novas soluções  para o mercado tradicional de cultura.

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Estética da Periferia

Atualizado em 18 de agosto | 4:56 PM

Respostas às perguntas para catálogo da Exposição Estética da Periferia

Gringo Cardia e Heloísa Buarque de Holanda

 

1)      Qual é a importância da estética que vem da periferia?

Num tempo em que a comunicação não possuía o alcance que tem hoje e, controlava os conteúdos a serem difundidos, as estéticas do povo ficavam circunscritas aos seus territórios, encontrando pouca ressonância, salvo quando artistas e intelectuais lançavam outros “olhares” sobre tais manifestações.

 

Hoje, a noção de território não é mais determinante. Com o suporte das novas tecnologias a comunicação assumiu não só maior velocidade, como novas características no relacionamento social e individual. Vivemos a era dos fluxos. A materialidade que outrora determinou as relações humanas e o próprio conhecimento, está transformada. Nesse sentido, as estéticas produzidas pelas periferias ganham nova visibilidade, uma vez que as tecnologias, em seu caráter rizomático[1], destituíram a hegemonia de algumas expressões estéticas em favor da multiplicidade de estéticas.

Quanto ao valor cultural que tem as estéticas da periferia é inquestionável a importância dessas expressões culturais no conjunto da diversidade que nos caracteriza. Não podemos definir identidade cultural nacional, simplesmente porque ela não existe no singular. Nossa cultura é plural e as estéticas centrais e periféricas, como o tecnobrega de Belém, o funk carioca ou o hip hop paulistano,  compõem essa multiplicidade, sendo cada vez mais reconhecidas, também por isso.

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