Exposição Blooks | 2007

Atualizado em 19 de outubro | 10:00 AM

Nova imagem 5

Catálogo da Exposição

Blooks – blogs & books  não se enfrentam nessa exposição.

Indo na contra corrente daqueles que predizem apocaliticamente  o fim da livro e da criação literária diante do advento da internet, Blooks aposta no contrário.

Aposta na vitalidade da vida literária na web, na criação livre e interativa, na inédita expansão da palavra que salta do livro e se faz literatura na poesia visual,  na prosa híbrida que perpassa gêneros e fronteiras, nas novelas gráficas, nos podcasts, viodeocasts,  blogs, orkuts, emails.   A palavra contemplada, a palavra de ouvido, a palavra lida.

É assim a literatura encontrada na web. Uma literatura muitas vezes excessiva e desigual mas sempre a expressão de uma geração comprometida com a criação compartilhada, com a velocidade dos posts, com a visibilidade e com a expansão das fronteiras da palavra.

Não foi certamente por acaso que Humberto Eco anuncia a chegada do século da palavra, fechando de uma vez por todas o domínio da imagem que marcou o século XX.

Em Blooks, procuramos não apenas mapear as práticas  literárias como um conteúdo hospedado na internet, mas criar um ambiente que permita ao espectador navegar nas letras e no talento dos novos criadores em base digital.

Continue lendo »

USP – Jornal do Campus

Atualizado em 18 de agosto | 5:31 PM

Antes de qualquer coisa gostaria de explicar que minha atenção no conceito e na realização desta exposição NÃO FORAM OS BLOGS, mas somente a literatura nos blogs. Não tenho uma reflexão madura ainda sobre os blogs em sua diversidade.

-Heloísa Buarque

 

     

    – Como foi que a sra. se empenhou neste trabalho? O que a atraiu nos blogs? Meu objetivo nessa exposição não foram exatamente os blogs. foram os blogs de poesia e ficção bem como as praticas literárias como HQ, grafismos etc que usam o blog como canal. O que me atraiu nesse assunto é a atração dos jovens escritores pelo canal da internet e os possíveis meios desse ambiente para a criação e divulgação da literatura.  

    – A exposição reúne tanto blogs de escritores já consagrados como de desconhecidos, não? Qual foi o critério de seleção desses blogs “não-famosos”? Há algum que tenha se destacado, de que a Sra. se lembre mais?

A exposição realmente focou aqueles escritores famosos (não são numerosos esses) e jovens que tem blogs DE LITERATURA. Como não me sito desta tribo e duvidando um pouco da suficiência de meu conhecimento deste assunto – tão distante do meu cotidiano quanto de minha pesquisa), convidei dois jovens curadores, estes sim habitantes há algum tempo do ambiente da internet.

Continue lendo »

Gazeta Mercantil

Atualizado em 18 de agosto | 5:13 PM

1)     Qual é a principal proposta da exposição?

 A principal porposta da exposição é a de fomentar o debate sobre a criação e o consumo de literatura na internet., Um assunto que ainda conhece muita resistência quanto à e consistência desrtas formas de práticas literárias. Esse é um dos aspectos mais interessantes dessa produção. A literatura na internet tem a característica de investir bastante no que se conhece como convergência de mídias. Ou seja, a literatura face às inúmeras possibilidades que  o ambiente da web oferece se expande em correlação com diversas linguagens de uma forma inédita e ijnovadora. É preciso tematizar esse universo. Foi esse o desejo que orientou essa exposição.

2)  Como foi a seleção dos blogs? Qual o critério utilizado na escolha dos textos?  

 Chamei dois poetas jovens excelentes, a Bruna Beber e o Omar Salomão, e encomendei uma curadoria de conteúdo para eles. Fiz isso porque achei que , na minha idade, talvez eu fosse ter uma leitura limitada e incorreta da vida intelectual e criativa da web.  O que quer dizer que nem eu mesma acreditava muito que essa literatura pudesse ter o nivel de qualidade daquela impressa em livros. Agrande surpresa nesse caso foi essa seleção ter desmentido emus temores e, porque não?

Continue lendo »

Blooks

Atualizado em 18 de agosto | 4:52 PM

1. Nesta exposição você cria um conceito que parte da junção do conceito de Blog com Book (livro) = Blooks. Poderia explicar como chegou a esta nova forma de produção e difusão da informação e leitura?

 

Eu não criei esse conceito. Ele é até relativamente antigo , apenas me apropriei porque achei uma noção instigante. Ou seja a pergunta tradicional “a internet matou o livro?” se mostra desatualizada. O que existe é uma enorme produção literária na rede  que usa o recurso interativo do blog e o ambiente descentralizado da internet para desenvolver a criação literária. Do blog ao book é um pulo.

 

2. Temos os mais diversos tipos de blogs, tratando dos mais diferentes assuntos. Todavia, um traço marcante em muitos deles é a dissolução entre os limites da vida privada e pública. Como os antigos diários que escrevíamos sobre os fatos que marcavam nossa vida, agora perdem a questão da privacidade e entram no domínio da esfera pública. Podemos considerá-los como uma nova forma de crônica da vida cotidiana?

 

Podemos. O que parece mais flagrante é a necessidade do criador e do produtor de cultura de pertencer a comunidades de troca e de compartilhamento de saberes e  textos, ambiente que a vida literária não facilita em função de seu mercado reduzido especialmente aquele da poesia. 

Continue lendo »

Revista Cultura e Pensamento 2007

Atualizado em 18 de agosto | 4:17 PM

P – Como surgiu a idéia da exposição “Blooks”?

 

A idéia do Blooks veio de uma certa  desconfiança e mesmo intolerância da critica literária com a produção e com a linguagem desenvolvida na internet.  Eu acredito sempre que as novas formas  culturais estão  fermentando e sendo gestadas nas margens do mercado cultural  tradicional. Por isso fiz minha tese sobre a poesia marginal dos anos 70, depois me apliquei na produção cultural da mulheres e dos negros  e mais recentemente das perspectivas  que apontam tanto  no território das novas tecnologias quando nas vozes ácidas e cheias de marra que estão chegando com força total vindas das periferias. Fui então ver com mais cuidado e sem pressupostos formados a literatura da web. Surpresa total. O grau de criatividade, possibilidades abertas para a experimentação da linguagem, a vizinhança com outras mídias que se cruzam e, principalmente, se contaminam de fora recorrente na www abre um espaço de criação novo para a literatura que esta nunca conheceu antes. Acho incrível certas reações contrárias que vêem esses fenômenos como  desaprendizado, como corrupção da língua , da norma  culta. Pode ser até que os blogs mais pessoais tenham inventado seu dialeto próprio o  que é absolutamente normal em qualquer comunidade jovem.

Continue lendo »