Viva Favela

Atualizado em 19 de agosto | 4:59 PM

Julho de 2007

 

1 – Qual a importância política da chamada Literatura Marginal?

R: É enorme. A nossa tradição literária ou, melhor, nossa “missão” como autores  literários,  como diz Antonio Cândido, sempre foi a de falar pelos “pobres” de mostrar um engajamento com a questão social. Existe até um livro importante do crítico Roberto Schwartz chamado O Pobre na Literatura Brasileira. Portanto como tema, a periferia sempre foi um eixo literário importante. Mas agora, pela primeira vez, desde de Carolina Maria de Jesus, temos realmente uma literatura feita pelos sujeitos dessa periferia, com uma grande força literária e com forte impacto político.

 

2 – Desde o lançamento de Cidade de Deus, como você acha que os círculos literários estão reagindo ao movimento?

R: Os círculos literários são vários na realidade. O da academia e Universidades reagem um pouco, discutindo seu valor literário propriamente dito. Mas também esse aspecto reativo da Universidade a qualquer manifestação nova ou não “classificada” sempre acontece. Com honrosas exceções, como a de Roberto Schwartz, o grande incentivador e responsável pela publicação de Cidade de Deus. O círculo dos críticos aceitaram razoavelmente bem e o círculo dos editores está ainda meio temeroso. Paulo Lins, por ter sido um best seller, conquistou seu lugar no mercado.

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Revista RAIZ

Atualizado em 19 de agosto | 4:53 PM

12 de setembro de 2008

Coleção ‘TRAMAS URBANAS’ lança livro sobre movimento literário da periferia paulistana.

Por Thereza Dantas

 

Rap, hip-hop, a estética das artes urbanas, moda, os Coletivos e o Viva Favela foram os temas dos sete primeiros livros da série, que registra a cultura produzida na periferia. “Surge um fenômeno mais amplo, não restrito aos guetos, e que ressoa e estimula a cultura urbana de forma explosiva e irreversível”, diz a escritora, editora Heloisa Buarque de Hollanda, que idealizou a coleção Tramas Urbanas. Em 2007 foram lançados os livros Poesia revoltada, de Ecio Salles, Cidade ocupada, de Ericson Pires do Coletivo Hapax, Notícias da favela, da jornalista Cristiane Ramalho, Trajetória de um guerreiro, do DJ Raffa e Acorda Hip-hop!, DJ TR.

Em 2008, a editora continuou a lançar livros com temas muito atuais como Daspu, a moda sem vergonha, de Flavio Lenz, e História e memória de Vigário Geral, de Maria Paula Araújo e Écio Salles. Em setembro, dia 12 e 19 respectivamente serão lançados Cooperifa, antropofagia periférica, de Sérgio Vaz, e Favela tomam conta, de Alessandro Buzzo, um dos blogueiros da RAIZ. A safra de 2008 fecha com o título Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, de Ronaldo Lemos e OOna Castro. 

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Literatura Contemporânea

Atualizado em 18 de agosto | 5:52 PM

 1 – É possível fazer hoje uma cartografia da literatura contemporânea? Existem algumas especificidades estéticas capazes de definir essa produção? 

R: Com a entrada da internet na “vida da literatura”, das formas digitais de impressão e acabamento de livros mais baratas e ágeis e com o tsunami da periferia afirmando uma nova  dicção literária, não há como continuar trabalhando com o mapeamento çlássico que informa a historiografia literária.  Essas alterações emergentes são muito novas e desconcertantes do ponto de vista dos modelos canônicos vigentes para a literatura mas, não tem jeito, temos que enfrentá-los se não quizermos perdermos o bonde da História. 

2 – Se uma das características dos jovens poetas e ficcionistas atuais é terem nascido (ou sua literatura) na internet, especialmente com a publicação de seus escritos em blogs, você acha que ela redefine a literatura atual? 

R: Ela certamente não redefine a literatura atual mas expande o campo de atuação e criação do autor e disponibiliza para o escritor jovem (ou não tão jovem)   modos e lógicas diferenciadas de criação produção,  divulgação e comercialização dos produtos literários. 

3 – Você tem se dedicado à criação de um acervo documental sobre a produção  das minorias, os Arquivos de Cultura Contemporânea, um dos projetos do Programa Avançado de Literatura Contemporânea (PACC) que você coordena na UFRJ.

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Estética da Periferia

Atualizado em 18 de agosto | 4:56 PM

Respostas às perguntas para catálogo da Exposição Estética da Periferia

Gringo Cardia e Heloísa Buarque de Holanda

 

1)      Qual é a importância da estética que vem da periferia?

Num tempo em que a comunicação não possuía o alcance que tem hoje e, controlava os conteúdos a serem difundidos, as estéticas do povo ficavam circunscritas aos seus territórios, encontrando pouca ressonância, salvo quando artistas e intelectuais lançavam outros “olhares” sobre tais manifestações.

 

Hoje, a noção de território não é mais determinante. Com o suporte das novas tecnologias a comunicação assumiu não só maior velocidade, como novas características no relacionamento social e individual. Vivemos a era dos fluxos. A materialidade que outrora determinou as relações humanas e o próprio conhecimento, está transformada. Nesse sentido, as estéticas produzidas pelas periferias ganham nova visibilidade, uma vez que as tecnologias, em seu caráter rizomático[1], destituíram a hegemonia de algumas expressões estéticas em favor da multiplicidade de estéticas.

Quanto ao valor cultural que tem as estéticas da periferia é inquestionável a importância dessas expressões culturais no conjunto da diversidade que nos caracteriza. Não podemos definir identidade cultural nacional, simplesmente porque ela não existe no singular. Nossa cultura é plural e as estéticas centrais e periféricas, como o tecnobrega de Belém, o funk carioca ou o hip hop paulistano,  compõem essa multiplicidade, sendo cada vez mais reconhecidas, também por isso.

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