Conexões entre periferia e web

Atualizado em 24 de outubro | 10:27 PM

Em entrevista ao jornal Destak, em 24/08/2011, Heloisa  fala sobre o poder da palavra na cibercultura, tema discutido com os seus convidados, Pierre Levy e Gilberto Gil, no Oi Cabeça.

“Os assuntos do momento são internet e periferia para Heloisa Buarque deHollanda.A partir desses objetos de estudo, a professora de 73 anos, sempre interessadaem estudar microtendênciasatuais, já criou dois projetos: o Universidade das Quebradas e o Polo Digital.

O último é um grupo que estuda novos conceitos sobre cultura digital, e oprimeiro pretende estabelecer trocas de conhecimento entre universidade e periferia.“Com o conhecimento só da periferia ou só da classe média, não vamos sair do lugar. A ideia é ensinar à periferia e aprender com ela. É produzir nova cultura através dela”, explica.

Heloisa ainda está à frente do Oi Cabeça, série de encontros gratuitos com intelectuais do Brasil e do mundo. Amanhã, às 19h30, Pierre Levy e Gilberto Gil discutem o poder da palavra na cibercultura, no Oi Futuro do Flamengo.”

Clique na imagem abaixo para ler a entrevista completa.

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Heloisa Buarque de Hollanda e o longo caminho da academia para as periferias

Atualizado em 28 de outubro | 11:38 AM

Publicado originalmente por Angelo Mendes Corrêa no Verbo21, em outubro 2010.


Paulista de Ribeirão Preto, ainda pequena Heloísa Buarque de Hollanda transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família. Lá cursou a graduação em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) e o mestrado e doutorado em Teoria da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Columbia University, em Nova York, fez pós-doutorado na mesma área. Em 2009, após mais de quatro décadas de intensas atividades na UFRJ, aposentou-se na condição de livre-docente. De forma paralela à docência e à pesquisa, atuou como jornalista, com passagem pelo Jornal do Brasil; radialista, na Rádio MEC; apresentadora de televisão, na TVE/RJ; diretora do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e editora, dirigindo a Aeroplano, voltada para projetos editoriais alternativos, além de ter sido a organizadora da importante antologia 26 Poetas Hoje, em 1976, que significou verdadeiro marco na história recente da literatura brasileira. Nesta entrevista , além de relembrar os momentos mais marcantes de sua prolífica e ímpar trajetória , contou sobre sua paixão mais recente: a Universidade das Quebradas.

Fato que muitos desconhecem é que você nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

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Novas Visões sobre a Periferia

Atualizado em 27 de maio | 1:28 AM

Publicado originalmente no Blog Acesso

Todos os dias, novos projetos culturais invadem as favelas do Rio de Janeiro. Ideias assistencialistas, de desenvolvimento da comunidade, diminuição do tráfico, ajuda à saúde, à educação e, claro, à cultura. Porém, são poucos os que olham para a realidade da favela e enxergam entre seus moradores artistas e, quiçá, intelectuais que necessitam de uma educação formal na área de cultura, já que experiência e sensibilidade sobram.

Foi debruçada sobre os estudos das periferias e trabalhando em projetos socioculturais que a lingüista e coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea – PACC da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Heloisa Buarque de Hollanda, descobriu ainda mais sobre a cultura nas comunidades. Se pouco era feito, era porque menos ainda se conhecia, dentro do espaço acadêmico, sobre esses saberes da favela. A fim de promover a produção de conhecimento e criações artísticas em literatura, artes visuais, teatro, dança e música, Heloisa Buarque de Hollanda propôs a seus colegas da UFRJ A criação da Universidade das Quebradas, projeto que leva os moradores das periferias para dentro da universidade, por meio de um curso de extensão.

Em entrevista ao Acesso, Hollanda vai além da criação, desenvolvimento e expectativas sobre o projeto, e conta que, após quase meio século de vida acadêmica, tem compartilhado com os moradores das favelas um conhecimento que a muito não adquiria.

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A cultura na era digital

Atualizado em 29 de setembro | 7:09 PM

‘A periferia usa o blog para divulgação intensiva porque precisa de uma visibilidade urgente’, diz Heloísa Buarque de Hollanda

29/09/2009

Heloísa Buarque de Hollanda é um nome importante do Brasil na área cultural. Além de ser escritora, editora e pesquisadora da área literária, a pós-doutora em sociologia realiza estudos nas áreas de cultura digital. Heloísa, de tempos em tempos, costuma revelar poetas e talentos literários em livros organizados por ela. Nos anos 70, foi a antologia ‘26 Poetas Hoje’. Depois, foi a vez de ‘Esses Poetas – Uma Antologia dos Anos 90′, e agora em ‘Enter – Antologia Digital’ , que apresenta as diferentes formas de literatura que têm sido feita na e com a internet. Heloísa é uma grande entusiasta do universo digital e acredita que as classes mais pobres são beneficiadas com a rede, pois podem ser ouvidas pela primeira vez na história por outras camadas da sociedade. Heloísa mantém seu site pessoal, em que é possível acompanhar seu trabalho e outras novidades do universo literário. A escritora foi nossa décima primeira entrevistada.

“Eu acho que [as mudanças promovidas pelas ferramentas digitais] são positivas. Como os equipamentos ficaram mais baratos, então qualquer um pode ser produtor de conteúdo.

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Entrevista para Zuenir Ventura

Atualizado em 19 de agosto | 6:01 PM

– Você , que foi ícone daqueles tempos, como ficou depois que a festa acabou?

HB: Eu não fui ícone nada. Você é que inventou isso, que criou esse personagem, que, aliás, adorei e vivo dele! Mas quem inventou foi você.

– Mas, enfim, como você ficou depois de 68?

HB: Fiquei com a herança. Acho que o que 68 deu pra gente foi uma alforria, uma energia_ não sei se o nome é utopia _ uma vontade quase obsessiva de que as coisas acontecessem e, sobretudo, mudassem. Não é difícil conferir como, em muitos,  casos essa energia ainda está ativa. Existe um teórico americano muito bom, o Fredric Jameson, que, como nós padece da orfandade das utopias dos anos 60, que procura identificar para onde foi essa superinflação de energias da nossa geração. Uma primeira coisa , que não é dele, mas que ´é muito interessante é que , pelo menos na academia, muitos inconformados com a perda daquele momento eufórico, que participaram na New Left Review, da nova esquerda, dos movimentos sociais que emergiram  pós 60, foram se abrigar numa disciplina nova, muito interessante nesse sentido de abrigo possível da academia de esquerda, que são os Estudos Culturais, especialmente em sua corrente saxônica.

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