Trabalhos acadêmicos que fazem a diferença na periferia

Atualizado em 1 de agosto | 9:53 AM

Cultura, literatura, tecnologias digitais e produção das periferias se encontram nos trabalhos da professora, jornalista, ensaísta e pesquisadora Heloísa Buarque de Hollanda. Paulista de Ribeirão Preto, Heloísa graduou-se em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) e fez mestrado e doutorado em Teoria da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Columbia University, em Nova York, fez pós-doutorado na mesma área.

É professora emérita da UFRJ, onde coordena o Projeto Avançado de Cultura Contemporânea. No Jornalismo, atuou em diversos meios de comunicação, apresentando programas na TV e rádio e colaborando com veículos impressos e virtuais.Também exerceu funções de cunho executivo, sendo responsável pela direção do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ), entre 1983 e 1984.

Atualmente, Heloísa é diretora da Aeroplano Editora, voltada para projetos editoriais alternativos e curadora de um portal sobre cultura contemporânea. Autora de importantes publicações para a cultura brasileira e idealizadora de projetos que integram periferia e universo acadêmico, a pesquisadora conversou com o Ecaderno e contou sua trajetória profissional e as dificuldades e resultados de seus trabalhos.

Você ingressou na faculdade com apenas 17 anos. Houve incertezas na hora de escolher qual carreira seguir?

Hoje eu sinto que não escolhi na realidade.

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Conexões entre periferia e web

Atualizado em 24 de outubro | 10:27 PM

Em entrevista ao jornal Destak, em 24/08/2011, Heloisa  fala sobre o poder da palavra na cibercultura, tema discutido com os seus convidados, Pierre Levy e Gilberto Gil, no Oi Cabeça.

“Os assuntos do momento são internet e periferia para Heloisa Buarque deHollanda.A partir desses objetos de estudo, a professora de 73 anos, sempre interessadaem estudar microtendênciasatuais, já criou dois projetos: o Universidade das Quebradas e o Polo Digital.

O último é um grupo que estuda novos conceitos sobre cultura digital, e oprimeiro pretende estabelecer trocas de conhecimento entre universidade e periferia.“Com o conhecimento só da periferia ou só da classe média, não vamos sair do lugar. A ideia é ensinar à periferia e aprender com ela. É produzir nova cultura através dela”, explica.

Heloisa ainda está à frente do Oi Cabeça, série de encontros gratuitos com intelectuais do Brasil e do mundo. Amanhã, às 19h30, Pierre Levy e Gilberto Gil discutem o poder da palavra na cibercultura, no Oi Futuro do Flamengo.”

Clique na imagem abaixo para ler a entrevista completa.

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Cacaso – Ícone da poesia marginal

Atualizado em 10 de julho | 10:25 PM

Publicado originalmente por Guido Arosa no Jornal da UFRJ n. 61, de jun/jul de 2011.


“Passou um versinho voando, ou foi uma gaivota?” É essa a concepção perecível de poesia de Antônio Carlos de Brito, considerado o ícone da poesia marginal brasileira, nascido na cidade mineira de Uberaba, em 1944. Eternizado pelo apelido “Cacaso”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos e, logo depois, por seu talento para o desenho, publicou caricaturas de políticos na imprensa carioca. Já a poesia veio antes dos 20, por suas letras para músicas dos amigos Elton Medeiros e Maurício Tapajós.Cacaso lecionou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), nos anos 1960 e 1970. Colaborador das revistas Movimento e Opinião, lançou sua primeira obra poética,  A palavra cerzida, em 1967. É partir de então que se dá seu engajamento político-social e a consolidação de sua poesia crítica, livre e irônica – no pós-modernismo poético conhecido por “geração mimeógrafo”, pelo qual a poesia marginal se consolidou.

No sufoco

Em plena ditadura militar, com a falta de espaço em editoras tradicionais para suas poesias, Cacaso e outros intelectuais, como Chacal e Ana Cristina Cesar, passam a difundir seus escritos através de cópias mimeografadas. É em 1976, com a antologia 26 poetas hoje, de Heloisa Buarque de Hollanda, que passam a ser divulgados e destacados os “poetas perecíveis”: “Desde 1968, a gente era mais ou menos um grupo coeso e começamos a nos interessar juntos pela poesia marginal, como uma forma de resistência ao golpe de 1964”, afirma Heloísa Buarque, que é professora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.

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O pessoal é político

Atualizado em 29 de novembro | 9:20 AM

Trabalho sobre Poesia Marginal, por Michelle Lopes.

A Poesia Marginal surgiu pela necessidade de expressão em meio a opressão da Ditadura Militar no Brasil aproximadamente na década de 70 na cidade de Rio de Janeiro e se espalhou por cidades de São Paulo. Minha pesquisa se baseou na hipótese de que pessoas que não se conhecem e que participaram do movimento pudessem ter vivido momentos em comum devido a sua participação. Assim, realizei entrevistas com duas mulheres de cidades diferentes e que não se conhecem: a organizadora da antologia 26 poetas hoje, Heloisa Buarque de Hollanda, e a poeta Dulce Adorno. Analisei a antologia, a autobiografia e o livro que garantiu a Heloisa seu doutorado em Literatura e também o livro de poesias não publicadas de Dulce. Minha pesquisa concluiu que os participantes e observadores deste movimento acompanharam a efervescência dos acontecimentos e pensamentos da época e que elas, assim como outras pessoas distintas do movimentos, fizeram com que este tomasse forma através de suas reflexões, estudos e poemas.

 

 

Apresentação-Michelle Lopes from admin on Vimeo.

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Heloisa Buarque de Hollanda e o longo caminho da academia para as periferias

Atualizado em 28 de outubro | 11:38 AM

Publicado originalmente por Angelo Mendes Corrêa no Verbo21, em outubro 2010.


Paulista de Ribeirão Preto, ainda pequena Heloísa Buarque de Hollanda transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família. Lá cursou a graduação em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RJ) e o mestrado e doutorado em Teoria da Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Columbia University, em Nova York, fez pós-doutorado na mesma área. Em 2009, após mais de quatro décadas de intensas atividades na UFRJ, aposentou-se na condição de livre-docente. De forma paralela à docência e à pesquisa, atuou como jornalista, com passagem pelo Jornal do Brasil; radialista, na Rádio MEC; apresentadora de televisão, na TVE/RJ; diretora do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e editora, dirigindo a Aeroplano, voltada para projetos editoriais alternativos, além de ter sido a organizadora da importante antologia 26 Poetas Hoje, em 1976, que significou verdadeiro marco na história recente da literatura brasileira. Nesta entrevista , além de relembrar os momentos mais marcantes de sua prolífica e ímpar trajetória , contou sobre sua paixão mais recente: a Universidade das Quebradas.

Fato que muitos desconhecem é que você nasceu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

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