Entrevista com Heloisa, por Luciano Trigo

Atualizado em 27 de maio | 1:33 AM

Publicado originalmente no Blog Acesso, do Instituto Votorantim.

 

Você nasceu em Ribeirão Preto. Fale um pouco sobre sua infância e a atmosfera familiar. Quais eram as conversas em casa, que lembranças foram marcantes? Houve episódios, já na adolescência, que de certa forma determinaram ou ajudaram a traçar seu futuro itinerário?

Heloisa Buarque. Minha família era um família de folhetim: Minha mãe filha de fazendeiros de Minas Gerais, meio princesa, e meio pai um plebeu baiano medico, violinista e comunista, que chega em ribeirão Preto para tentar a vida. É claro que minha mãe se apaixonou por ele. É claro que a familia dela foi contra. Ela fugiu com ele e foram felizes para sempre. Acho que nesse panorama eu tinha que acreditar na aventura e na transgressão…

Tendo vivido o sonho e a utopia dos anos 60, como você enxerga a relação da juventude hoje com a cultura e a política?

Heloisa Buarque. Acho que os jovens de hoje tem um quadro político e sobretudo econômico bem diferente do nosso e também bem mais difícil.  Nos anos 60 estávamos vivendo uma época de estabilidade econômica e mesmo de fartura, portanto o sonho era totalmente permitido. Hoje, o pesadelo do desemprego é um fato real e os jovens tem que lidar com isso.

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Programa Perfil Literário – Rádio Unesp FM

Atualizado em 22 de novembro | 5:31 PM

Entrevista concedida para o programa Perfil Literário, da Rádio Unesp FM, está disponível para ser ouvida.

Clique aqui para ouvir a entrevista

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Tribuna da Imprensa

Atualizado em 19 de agosto | 6:22 PM

1) Quais diferenças apontaria entre a Aeroplano e outras editoras?

Acho que como os sócios da Aeroplano são um mix de intelectuais e artistas, seus  livros acabam tendo um perfil mais conceitual mesmo. Pelo menos a cada livro que chega , nos reunimos e aí é aquela viagem para imaginar  como “ele vai ser quando crescer” ….

2) Qual perfil do público leitor?

Acho que o público interessado em tendências da cultura.
3) As publicações são exclusivamente nas áreas de cultura e arte?

São. Namoramos também uma linha infantil mas ainda não tivemos bala para isso.

4) Há espaço para ficção e romance?

Acho que pelo menos por hora não. Esse segmento pede uma organização e uma atitude editorial mais comercial, mais profissional e a gente é , por vício, mais experimental.

5) Vocês têm muitos títulos de cinema… Influência de Lula e Luiz?

Certamente. Mas, por outro lado, a Aeroplano tem uma certa queda  em abrigar os “marginais” . O livro de cinema não encontra espaço confortável em editoras comerciais.

 

6) Aliás, como funciona a questão editorial? Como se decide sobre o que publicar ou não?

Como somos todos profissionais de outras áreas fazendo uma atividade editorial, essa decisão termina sendo muito em cima de nosso próprio perfil.

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POESIA HOJE

Atualizado em 19 de agosto | 6:12 PM

José – ago.1976 – n.2

  

            Numa Ipanema de sábado, às três da tarde (uns com mais e outros com menos arrependimento, portanto) reuniram-se, para conversar com José, Heloisa Buarque de Holanda, Ana Cristina César, Geraldo Eduardo Carneiro e Eudoro Augusto.

            O motivo foi o aparecimento momentoso, alguns meses atrás, da antologia 26 poetas hoje, organizada por Heloisa e da qual os outros três participaram.  A publicação, que tem sido objeto de resenhas favoráveis, resenhas neutras e resenhas desfavoráveis, é assunto para muito debate e muita discussão, pelo que o éter anda cheio de argumentos e poetas e leitores se atropelam com as sílabas dos versos desta talvez nova poesia brasileira.

            JOSÉ chamou seu conselho editorial, Luiz Costa Lima, Sebastião Uchoa Leite, Jorge Wanderley e Sérgio Cabral (que não pôde vir) para receber seus convidados.  Qual a origem desta poesia, qual o seu embasamento gerador, suas características e relações com outros movimentos contemporâneos e passados, de onde vem e para onde pretenderia ir – são perguntas que todos gostaríamos de ver colocadas, se não esclarecidas.  JOSÉ se serve deste encontro para afirmar que entende assim sua linha editorial: aberta a prosadores e poetas de todas as gerações e tendências, mesmo que para isto sacrifique os seus sábados, bem diante do mar…(J.W.)

 

A conversa foi mais ou menos assim:

 

Luiz – Heloisa, a partir de sua fala inicial, dessa curta informação que você nos der, a gente começa a debater alguns aspectos da Antologia. 

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Jornal Tribuna do Norte

Atualizado em 19 de agosto | 6:07 PM

Perguntas para uma edição do caderno especial sobre o II ENE, que circulou no jornal Tribuna do Norte. 

 

1.       No II Encontro Natalense de Escritores, a senhora falará sobre “Poesia alternativa e desbunde”. Atualmente, o que faz uma produção poética ser considerada alternativa?

R: A poesia sempre foi um pouco alternativa porque nunca encontrou o seu lugar na tv, nas radios e mesmo na imprensa, muito menos no mercado de livros. Por isso considero alternativa aquela poesia que se nomeia como alternativa. É a maneira mais segura para defini-la.

 

2.       A poesia alternativa nos anos 60 e 70 era a “voz “daqueles que tiveram a língua presa  pelo regime militar. E hoje em dia, a que se contrapõe a poesia alternativa?

R: Hoje a diversidade de tendências e poéticas e mesmo experiência editoriais não nos dá aquela  clareza de haver um movimento com propostas claras e diferenciadas.

 

3.       O que suscitou na senhora o estudo do paralelo cultura e política a partir dos anos 60? É daí que surge o conhecimento (interesse) pela poesia alternativa? 

R: Sou uma intelectual que passou pela experiência inesquecível da militância dos anos 60. Isso entra no dna da gente e não sai mais. A articulação entre cultura e politica sempre foi, portanto o eixo de minha produção intelectual… E, realmente, foi esse interesse que me encaminhou para o estudo das culturas alternativas e de resistência na poesia, no cinema, no teatro etc.

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