Entrevista por Antonio Herculano Lopes e Joëlle Rouchou

Atualizado em 14 de julho | 12:27 PM

Entrevista realizada por Antonio Herculano Lopes e Joëlle Rouchou com a colaboração de Ana Pessoa e Beatriz Resende
realizada no dia 5 de novembro de 2013, no Museu de Arte do Rio-MAR, Rio de Janeiro.

 

Escritos – Como era a Helô de 68?

HBH: Ela era igual a todas as Marias da época Aquele era um momento muito muito intenso. Hoje as jovens querem ser modelo, naquela época as jovens queriam ser guerrilheiras…. Eu era muito parecida com as minhas amigas, não tinha nada de especial. Em todos os sentidos , o político, do profissional, era uma hora que a bandeira era mudar o mundo, mudar a própria vida. Talvez no cotidiano a meta de mudar o mundo fosse até mais fácil do que mudar a vida…. Porque o seu pai não queria que você mudasse a sua vida, a sua mãe não queria, o seu marido não queria, ninguém queria, bem difícil!
Eu já era casada, o que ainda piorava a situação. O resultado era muita psicanálise e psicanálise cinco vezes por semana , toda essa jovem dessa geração de classe média fazia. Era regra. E isso vinha também de uma vontade forte de dar um salto existencial, botar fogo no apartamento, como dizia a música… Essa era a vontade maior.

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Academic works that make a difference in the periphery

Atualizado em 13 de junho | 10:21 AM

This interview was originally conducted in Portuguese and published on this blog, having been kindly translated by the website Contramare.net. It was first published in English on http://www.contramare.net/site/en/academic-works-that-make-a-difference-in-the-periphery/.

 

Culture, literature, digital technologies and periphery productions can be found in the work of professor, journalist, essayist, and researcher Heloísa Buarque de Hollanda. Born in Ribeirão Preto, in the state of São Paulo, Heloísa graduated in Literature from the Catholic University in Rio de Janeiro (PUC/RJ) and completed her master and PhD degrees in Literary Theory at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). She obtained a post-doctoral degree in the same area from Columbia University in New York.

She’s an emeritus professor at UFRJ, where she coordinates the Advanced Program for Contemporary Culture. She worked in journalism at various media outlets, presenting TV and radio programs and collaborating with the printing press, as well as the web. She also performed executive functions as director of the Museum of Image and Sound in Rio de Janeiro (MIS/RJ), between 1983 and 1984.

Currently, Heloísa is director of Aeroplano Editora, a publishing house of alternative editorial projects, and curator of a website on contemporary culture. Author of important publications to Brazilian culture and creator of projects that integrate periphery and academia, the researcher talked to Ecaderno about her professional trajectory, and about the obstacles and results of her work.

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Entrevista para Revista do Parlamento Paulistano

Atualizado em 14 de abril | 11:47 AM

Entrevista original disponível em: http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11032&Itemid=240

 

Quando a periferia começa a fazer saraus, ela se apropria de um formato criado por uma elite cultural e tradicionalmente associado a amenidades sociais, prosecco em bandeja e piano de cauda. Quem já foi a um sarau de periferia percebe que eventos deste tipo têm um significado forte para seus participantes, a ponto de vários sauzeiros cruzarem a cidade, de trem ou de ônibus, para participar de um deles. Além do mais, os saraus da periferia reúnem vários elementos que vão além do que a gente costuma chamar de “estético”: há contestação social, formação literária, discussão de problemas da comunidade… Afinal, qual é o significado de um sarau da periferia?

HB: Acho que os saraus sempre foram importantes, no séc. XIX por exemplo foi uma oportunidade importante para as mulheres sairem do espaço doméstico interno das casas e começarem a se socializar. Há estudos sobre isso. De qualquer forma os saraus são oportunidades de encontros e confrontos nada desprezíveis. Acho que a tradição do sarau conta essa história. No caso atual é uma oportunidade única de agregar uma comunidade em torno destímulo à criação e a literatura que é uma expressão vista como de elite por essas mesmas comunidades e se apropriar dela.

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As antologias de Heloisa Buarque

Atualizado em 9 de dezembro | 7:51 AM

Publicado originalmente por Ramon Mello no SaraivaConteúdo, em 07.12.2009.

Heloisa Buarque de Hollanda tem mais de 45 anos de magistério, onde construiu uma carreira singular. Agora, ela lança o livro Escolhas: uma autobiografia intelectual pelas editoras Língua Geral e Carpe Diem, onde é possível conhecer seu percurso que acompanha nomes e fatos importantes do pensamento e da arte do século XX. A obra se destaca também pelo seu hibridismo, mistura de ensaio e autobiografia, apego à tradição e ao futuro. 

> Assista à entrevista exclusiva de Heloisa Buarque de Hollanda ao SaraivaConteúdo

Leia  a seguir um trecho da introdução de Ramon Mello, que organizou o livro, além de outro trecho de Escolhas, onde Heloisa comenta sobre as antologias que organizou.

HELÔ 7.0

Por Ramon Mello

“O que leva uma renomada professora de setenta anos, com mais de quarenta e cinco anos de magistério, entregar a organização de sua biografia a um jovem poeta?”, foi o que me perguntei ao longo da organização deste livro. E ainda busco a resposta.

Através da poeta Maria Rezende e do cineasta Murilo Salles, tive o privilégio de conhecer a professora Heloisa Buarque de Hollanda, num debate sobre o universo dos blogs, o Blografias.

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Cacaso – Ícone da poesia marginal

Atualizado em 10 de julho | 10:25 PM

Publicado originalmente por Guido Arosa no Jornal da UFRJ n. 61, de jun/jul de 2011.


“Passou um versinho voando, ou foi uma gaivota?” É essa a concepção perecível de poesia de Antônio Carlos de Brito, considerado o ícone da poesia marginal brasileira, nascido na cidade mineira de Uberaba, em 1944. Eternizado pelo apelido “Cacaso”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos e, logo depois, por seu talento para o desenho, publicou caricaturas de políticos na imprensa carioca. Já a poesia veio antes dos 20, por suas letras para músicas dos amigos Elton Medeiros e Maurício Tapajós.Cacaso lecionou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), nos anos 1960 e 1970. Colaborador das revistas Movimento e Opinião, lançou sua primeira obra poética,  A palavra cerzida, em 1967. É partir de então que se dá seu engajamento político-social e a consolidação de sua poesia crítica, livre e irônica – no pós-modernismo poético conhecido por “geração mimeógrafo”, pelo qual a poesia marginal se consolidou.

No sufoco

Em plena ditadura militar, com a falta de espaço em editoras tradicionais para suas poesias, Cacaso e outros intelectuais, como Chacal e Ana Cristina Cesar, passam a difundir seus escritos através de cópias mimeografadas. É em 1976, com a antologia 26 poetas hoje, de Heloisa Buarque de Hollanda, que passam a ser divulgados e destacados os “poetas perecíveis”: “Desde 1968, a gente era mais ou menos um grupo coeso e começamos a nos interessar juntos pela poesia marginal, como uma forma de resistência ao golpe de 1964”, afirma Heloísa Buarque, que é professora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC), do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ.

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