Jornalismo cultural e mercado literário

Atualizado em 19 de agosto | 4:22 PM

Março de 2009

 

A principal crítica que se faz hoje ao jornalismo cultural, principalmente ao dos veículos impressos, é ser demasiadamente pautado pelo mercado em todas as áreas: cinema, literatura, teatro, etc. A senhora concorda com esta crítica? O jornalismo cultural da grande imprensa a seduz ou a irrita?

H: Eu acho que temos que dar um desconto para os suplementos e não pensar como se eles fossem independentes do jornal. Os suplementos fazem o que podem e, o que é mais importante, SOBREVIVEM. Tenho certeza de que os jornalistas, especialmente na área da literatura que é minha área, adorariam publicar matérias tudo o que sai e fazer uma política editorial inovadora e de traços independentes. Mas o próprio jornal está com grandes problemas financeiros e a primeira coisa a ser cortada é claro que seriam os cadernos literários.  É claro que o sonho é que esses suplementos tivessem um perfil independente. Mas nesse momento eu dou graças adeus por eles existirem ainda.

De que maneira o jornalismo cultural consegue ser um retrato da produção atual brasileira? Ou é apenas um esboço, levando em consideração a verdadeira avalanche que inunda a imprensa diariamente? A vastíssima produção do mercado editorial brasileiro é um exemplo claro da angústia que ronda qualquer editor de cultura.

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Jornal O Povo

Atualizado em 18 de agosto | 5:42 PM

Novembro de 2008

– As tecnologias digitais de fato estão colocando cultura/arte nas mãos de mais brasileiros? 

R: Claro que estão. E o que é mais animador é o papel que as lan houses estão desempenhando nisso especialmente nas favelas e periferias das cidades. 49% dos acessos hoje são feitos em lan houses, o que termina por abrir chance para aquelas populações de baixa renda que assim ganham um espaço importante de integração ao universo da web. 

– Até que ponto a cultura digital revoluciona a produção, a transmissão e o acesso aos bens culturais? 

R: Acho que aqui temos que ter algum cuidado. Não me parece que a cultura digital “revolucione” a criação. O que interessa, entretanto é a circulação de cultural que essa sim pode ter um papel revolucionário na democratização da cultura. 

– Muitos museus têm aberto seus acervos com visitas virtuais. Editoras têm disponibilizado capítulos de seus livros na Internet, assim como gravadoras também fazem o mesmo com faixas de um novo CD. O que essas aberturas representam para a disseminação/consumo dos produtos culturais? 

R: Elas são  cerne da diferença atual da produção cultural neste novo século. E é ainda um processo relativamente desconhecido dos produtores. Ainda sito uma certa hesitação das editoras e das instituições que detêm acervos importantes em disponibilizar de maneira mais radical seus produtos.

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Jornal do Comércio

Atualizado em 18 de agosto | 5:35 PM

1 – Qual o objetivo do seminário?

R: O seminário tem uma pergunta básica que, a meu ver, ainda não foi colocada com a devida ênfase: De que formas ocorrerão as inevitáveis reformatações da produção e do consumo culturais no universo digital? 

2 – Do seu ponto de vista, quais são as perspectivas para as artes e para a comunicação com a chegada das novas tecnologias?

R: Em primeiríssimo lugar coloco a questão da democratização das formas de produção digitais que são mais leves, menores e mais baratas o que certamente vai possibilitar um número bem maior de vozes e olhares nas artes do século XXI. Em seguida, penso na questão de uma cultura possivelmente livre e na fragilização do valor da idéia de autoria, chave da cultura moderna dos séculos XIX e XX, e que agora parecem possibilitar uma abertura real de espaço  para as práticas de criação e de saber compartilhados. É claro que isso são apenas algumas das possibilidades potenciais abertas pelo avanço da tecnologia. Agora, é lutar politicamente para que essas transformações possam encontrar seu lugar. 

3 – Como trabalhar as questões da inclusão e da exclusão digital?

R: Hoje a alfabetização digital é tão importante quanto à alfabetização letrada para as novas gerações.

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USP – Jornal do Campus

Atualizado em 18 de agosto | 5:31 PM

Antes de qualquer coisa gostaria de explicar que minha atenção no conceito e na realização desta exposição NÃO FORAM OS BLOGS, mas somente a literatura nos blogs. Não tenho uma reflexão madura ainda sobre os blogs em sua diversidade.

-Heloísa Buarque

 

     

    – Como foi que a sra. se empenhou neste trabalho? O que a atraiu nos blogs? Meu objetivo nessa exposição não foram exatamente os blogs. foram os blogs de poesia e ficção bem como as praticas literárias como HQ, grafismos etc que usam o blog como canal. O que me atraiu nesse assunto é a atração dos jovens escritores pelo canal da internet e os possíveis meios desse ambiente para a criação e divulgação da literatura.  

    – A exposição reúne tanto blogs de escritores já consagrados como de desconhecidos, não? Qual foi o critério de seleção desses blogs “não-famosos”? Há algum que tenha se destacado, de que a Sra. se lembre mais?

A exposição realmente focou aqueles escritores famosos (não são numerosos esses) e jovens que tem blogs DE LITERATURA. Como não me sito desta tribo e duvidando um pouco da suficiência de meu conhecimento deste assunto – tão distante do meu cotidiano quanto de minha pesquisa), convidei dois jovens curadores, estes sim habitantes há algum tempo do ambiente da internet.

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Gazeta Mercantil

Atualizado em 18 de agosto | 5:13 PM

1)     Qual é a principal proposta da exposição?

 A principal porposta da exposição é a de fomentar o debate sobre a criação e o consumo de literatura na internet., Um assunto que ainda conhece muita resistência quanto à e consistência desrtas formas de práticas literárias. Esse é um dos aspectos mais interessantes dessa produção. A literatura na internet tem a característica de investir bastante no que se conhece como convergência de mídias. Ou seja, a literatura face às inúmeras possibilidades que  o ambiente da web oferece se expande em correlação com diversas linguagens de uma forma inédita e ijnovadora. É preciso tematizar esse universo. Foi esse o desejo que orientou essa exposição.

2)  Como foi a seleção dos blogs? Qual o critério utilizado na escolha dos textos?  

 Chamei dois poetas jovens excelentes, a Bruna Beber e o Omar Salomão, e encomendei uma curadoria de conteúdo para eles. Fiz isso porque achei que , na minha idade, talvez eu fosse ter uma leitura limitada e incorreta da vida intelectual e criativa da web.  O que quer dizer que nem eu mesma acreditava muito que essa literatura pudesse ter o nivel de qualidade daquela impressa em livros. Agrande surpresa nesse caso foi essa seleção ter desmentido emus temores e, porque não?

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