Entrevista com Heloisa, por Luciano Trigo

Atualizado em 27 de maio | 1:33 AM

Publicado originalmente no Blog Acesso, do Instituto Votorantim.

 

Você nasceu em Ribeirão Preto. Fale um pouco sobre sua infância e a atmosfera familiar. Quais eram as conversas em casa, que lembranças foram marcantes? Houve episódios, já na adolescência, que de certa forma determinaram ou ajudaram a traçar seu futuro itinerário?

Heloisa Buarque. Minha família era um família de folhetim: Minha mãe filha de fazendeiros de Minas Gerais, meio princesa, e meio pai um plebeu baiano medico, violinista e comunista, que chega em ribeirão Preto para tentar a vida. É claro que minha mãe se apaixonou por ele. É claro que a familia dela foi contra. Ela fugiu com ele e foram felizes para sempre. Acho que nesse panorama eu tinha que acreditar na aventura e na transgressão…

Tendo vivido o sonho e a utopia dos anos 60, como você enxerga a relação da juventude hoje com a cultura e a política?

Heloisa Buarque. Acho que os jovens de hoje tem um quadro político e sobretudo econômico bem diferente do nosso e também bem mais difícil.  Nos anos 60 estávamos vivendo uma época de estabilidade econômica e mesmo de fartura, portanto o sonho era totalmente permitido. Hoje, o pesadelo do desemprego é um fato real e os jovens tem que lidar com isso.

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A cultura na era digital

Atualizado em 29 de setembro | 7:09 PM

‘A periferia usa o blog para divulgação intensiva porque precisa de uma visibilidade urgente’, diz Heloísa Buarque de Hollanda

29/09/2009

Heloísa Buarque de Hollanda é um nome importante do Brasil na área cultural. Além de ser escritora, editora e pesquisadora da área literária, a pós-doutora em sociologia realiza estudos nas áreas de cultura digital. Heloísa, de tempos em tempos, costuma revelar poetas e talentos literários em livros organizados por ela. Nos anos 70, foi a antologia ‘26 Poetas Hoje’. Depois, foi a vez de ‘Esses Poetas – Uma Antologia dos Anos 90′, e agora em ‘Enter – Antologia Digital’ , que apresenta as diferentes formas de literatura que têm sido feita na e com a internet. Heloísa é uma grande entusiasta do universo digital e acredita que as classes mais pobres são beneficiadas com a rede, pois podem ser ouvidas pela primeira vez na história por outras camadas da sociedade. Heloísa mantém seu site pessoal, em que é possível acompanhar seu trabalho e outras novidades do universo literário. A escritora foi nossa décima primeira entrevistada.

“Eu acho que [as mudanças promovidas pelas ferramentas digitais] são positivas. Como os equipamentos ficaram mais baratos, então qualquer um pode ser produtor de conteúdo.

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O futuro do livro

Atualizado em 11 de setembro | 7:09 PM

A História comprova que todas as vezes que uma nova tecnologia surge, ela é sentida como uma ameaça para as mídias culturais anteriores. Foi assim com a pintura quando surgiu a fotografia, com o teatro com o advento do cinema, com o cinema com a popularização da televisão. Agora, o livro é posto em questão. Decretará a Internet o seu fim? Como das outras vezes, o temo se encarrega de desmentir esta premissa. Hoje, realmente as obras de referência aderiram, com evidente proveito e adequação, ao ambiente www e às tecnologias digitais. Por outro lado, não é difícil observar como o “livro vem se tornando mais livro” nesse contexto. É inegável o aperfeiçoamento de sua produção, a atração de suas atuais capas e projetos gráficos, a multiplicidade de títulos nos catálogos das editoras. Parece que o livro se liberou do compromisso de informar e a este agregou o da fruição e do prazer. Livros são lançados em blogs e posteriormente em papel, livros são divulgados e comercializados no mercado virtual, os livros ganham uma visibilidade dobrada. Desafio quem de novo apostar no fim do livro papel, uma paixão que veio para ficar.

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Revista Outra Travessia

Atualizado em 19 de agosto | 6:18 PM

Programa de pós-graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina

 

1) Que tipos de influências teóricas você considera importantes para configuração do trabalho crítico que você vem realizando?

Ainda que estes autores não estivessem presentes na minha formação, hoje em dia trabalho bastante com Stuart Hall, Andreas Huyssen, Fredric Jameson, Nestor Garcia Canclini e mais recentemente, Antonio Negri.

 

2) Qual é o seu projeto de investigação pessoal neste momento?

Continuo relendo aos anos da virada, ou seja os anos 1970/80. Mas começo a trabalhar com o novo imaginário urbano configurado pelos canais recém abertos entre a cultura “da periferia” e a cultura ” do centro” . Neste sentido, começo a separar também bastante material sobre as novas configurações da autoria e do copyright nesse novo campo de trabalho e sobre o impacto da linguagens da internet na produção e na criação em forma de coletivos e redes.

 

3) Quais as leituras que está fazendo atualmente?

Tudo o que é produzido pela ou sobre a cultura da periferia em termos de literatura e visualidade. A produção teórica britânica encontrada na internet nesse sentido é bastante especial.

 

4) Em sua opinião seria interessante a existência de uma crítica literária e cultural de âmbito latino-americano?

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Revista RAIZ

Atualizado em 19 de agosto | 4:53 PM

12 de setembro de 2008

Coleção ‘TRAMAS URBANAS’ lança livro sobre movimento literário da periferia paulistana.

Por Thereza Dantas

 

Rap, hip-hop, a estética das artes urbanas, moda, os Coletivos e o Viva Favela foram os temas dos sete primeiros livros da série, que registra a cultura produzida na periferia. “Surge um fenômeno mais amplo, não restrito aos guetos, e que ressoa e estimula a cultura urbana de forma explosiva e irreversível”, diz a escritora, editora Heloisa Buarque de Hollanda, que idealizou a coleção Tramas Urbanas. Em 2007 foram lançados os livros Poesia revoltada, de Ecio Salles, Cidade ocupada, de Ericson Pires do Coletivo Hapax, Notícias da favela, da jornalista Cristiane Ramalho, Trajetória de um guerreiro, do DJ Raffa e Acorda Hip-hop!, DJ TR.

Em 2008, a editora continuou a lançar livros com temas muito atuais como Daspu, a moda sem vergonha, de Flavio Lenz, e História e memória de Vigário Geral, de Maria Paula Araújo e Écio Salles. Em setembro, dia 12 e 19 respectivamente serão lançados Cooperifa, antropofagia periférica, de Sérgio Vaz, e Favela tomam conta, de Alessandro Buzzo, um dos blogueiros da RAIZ. A safra de 2008 fecha com o título Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, de Ronaldo Lemos e OOna Castro. 

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