Academic works that make a difference in the periphery

Atualizado em 13 de junho | 10:21 AM

This interview was originally conducted in Portuguese and published on this blog, having been kindly translated by the website Contramare.net. It was first published in English on http://www.contramare.net/site/en/academic-works-that-make-a-difference-in-the-periphery/.

 

Culture, literature, digital technologies and periphery productions can be found in the work of professor, journalist, essayist, and researcher Heloísa Buarque de Hollanda. Born in Ribeirão Preto, in the state of São Paulo, Heloísa graduated in Literature from the Catholic University in Rio de Janeiro (PUC/RJ) and completed her master and PhD degrees in Literary Theory at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ). She obtained a post-doctoral degree in the same area from Columbia University in New York.

She’s an emeritus professor at UFRJ, where she coordinates the Advanced Program for Contemporary Culture. She worked in journalism at various media outlets, presenting TV and radio programs and collaborating with the printing press, as well as the web. She also performed executive functions as director of the Museum of Image and Sound in Rio de Janeiro (MIS/RJ), between 1983 and 1984.

Currently, Heloísa is director of Aeroplano Editora, a publishing house of alternative editorial projects, and curator of a website on contemporary culture. Author of important publications to Brazilian culture and creator of projects that integrate periphery and academia, the researcher talked to Ecaderno about her professional trajectory, and about the obstacles and results of her work.

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Collectives

Atualizado em 7 de maio | 12:40 PM

This article was originally written in Portuguese and published on this blog, having been kindly translated by the website Contramare.net. It was first published in English on http://www.contramare.net/site/en/collectives.


In the context of the wide dissemination of urban cultural production at the end of the 20th century, one surprising segment is the activity of artists’ collectives in various formats other than graffiti – the visual expression, considered the official one, of hip hop culture.

These collectives came into being at the end of the 1990′s and produce intervention work in the public space.

Rapidly, such interventions permeated by the motto “important is to act”, began to take on the political role of social whistle blowing displayed in the public space. At the same time, the works produced also address production structures, within the framework of the art circuit and market.

Collectives, increasing in geometrical proportions around Brazil, bring something of a novelty plus. Collectives are not configured by their members, but rather by actions, always acting in a context of public intervention. Collectives are not cooperatives, they are not groups, they do not have a fixed membership number, nor can they be characterized as artistic movements. Their forms of organization are independent and for each action, or group of actions, collectives seek sponsorship, offering courses, selling works or performing services like illustration, design, video etc.

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Sobre livros, leituras, palavras & afins

Atualizado em 11 de dezembro | 8:48 AM

Vou me permitir responder ao convite da Superintendência da Leitura e do Conhecimento do Rio de Janeiro, para produzir um texto sobre bibliotecas, não como uma profissional do livro, mas como uma pessoa que no momento está apostando alto no livro, ou melhor, na palavra, como instrumento estratégico de transformação em vários níveis e perspectivas. Neste sentido, vejo hoje, no meu campo de trabalho que é o das microtendências culturais, uma agitação bastante focada na potencialidade da palavra como um recurso precioso para a experiência estética, mas também, o que é novidade,  social e econômica. Talvez por isso eu tenha ficado tão atraída pela declaração de Umberto Eco no final do século passado. Dizia ele em um seminário chamado o Futuro do Livro: Se o século XX foi o século da imagem, o Século XXI será o século da palavra. E todos os sinais indicam que o mestre estava certo.

Vou aqui, na realidade, oferecer um breve roteiro dos diversos panoramas de usos da palavra que estão me mobilizando nesse momento. Segue o roteiro com sete paradas:

1. Questão de tempo. Eu sou de uma época em que o livro – a biblioteca, a leitura – era um fato e um feito para poucos.

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A questão agora é outra

Atualizado em 10 de maio | 12:13 AM

Ferrez está na guerra há um bom tempo. Acredito que ele vem atuando desde quando o hip hop começa a ganhar essa voz rouca e forte que está ecoando na marra e com garra na cena cultural brasileira.

Nessa época, também surgia, de forma mais explicita, o interesse das classes medias pela intensificação da violência e dos confrontos policiais que se multiplicavam nas periferias urbanas. Alguns emblemáticos como, no Rio, o massacre da Candelária, com o assassinato brutal de 8 crianças das 50 que dormiam nas escadarias da Igreja por policiais, logo seguido por outro massacre não menos traumático que foi o massacre de Vigário Geral responsável pela morte de 21 inocentes também pela polícia.

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Um problema quase pessoal

Atualizado em 14 de setembro | 8:09 PM

No campo da análise do discurso, o que estaria sendo evitado pelos estudos feministas no Brasil?

O debate sobre a condição feminina, expresso nas obras literárias e na imprensa, conhece um pique na segunda metade do século XIX até os anos 20, quando emerge o movimento modernista nas artes e nas ciências sociais. A questão da mulher sai então do circuito da literatura e passa para as mãos da sociologia, da antropologia e, muito recentemente, para as da história e da psicologia.

Voltando de forma brevíssima ao século XIX, a partir dos anos 50, começa o processo urgente e inadiável de definir os contornos da nação brasileira. Os caminhos percorridos pelos discursos que imaginaram a nação trouxeram, sistematicamente, a metáfora da “maternidade republicana”, como figura fundamental, ou seja, a hiper-valorização do papel da mulher como “civilizadora” e responsável pela idéia de uma nação moderna, educada e homogênea.[1]  No caso brasileiro, evidenciam-se alguns traços peculiares.  Nos discursos de construção nacional, já é conhecido com quanto desconforto a importação das ideologias liberais conviviam  com a vigência do regime escravocrata. Por outro lado, as idéias de uma homogeneização racial, supostamente necessária para a definição de uma identidade nacional e moderna, passavam também por complicadores evidentes. 

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