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PAIDEIA

Atualizado em 19 de agosto | 16:29

1-     Como analisa o papel do feminismo na nossa sociedade hoje?

Acho que o feminismo teve grandes ganhos na inserção mais justa (mesmo que ainda não esteja equiparada à dos homens conforme comprovam os dados) no mercado de trabalho e na arena política. Entretanto há ainda um longo caminho a ser percorrido, esse na arena cultural, do comportamento, das responsabilidades domésticas, da engenharia do tempo como diz Rosika, e das representações simbólicas do que “Quer uma mulher” que curiosamente foi colocada por um homem especialíssimo, Sigmund Freud,  há um século atrás,  mas que parece que ainda continua lamentavelmente em aberto no universo masculino.

2-     Quais são os avanços e retrocessos das novas gerações em relação à luta feminista do século passado?

Acho que as novas gerações, que inclusive se recusam a idéia de um feminismo enquanto luta, na realidade, já nasceram num quadro onde muitas das demandas feministas estavam relativamente resolvidas e, sem sombra de dúvida, ainda que sem o rótulo de “feministas”, vêm dando um desdobramento extraordinário à valorização da mulher da sociedade.

3-     Qual o impacto das novas políticas estéticas sobre a nossa cultura e desejo?

A estética sempre foi uma política. Mas quando seu potencial contestador e desconstrutor é descoberto pelas  chamadas “minorias” tornam-se um território experimental poderoso e um campo de expressão do desejo privilegiado.

4-     E de que forma estas políticas estéticas podem reagir contra a exclusão e a intolerância?

O poder transformador da arte e, principalmente, a visibilidade que proporciona a utopias, desejos e resistências culturais é potencialmente um instrumento de guerra contra a discriminação e contra a intolerância.